Brasília – Depois de o governo federal reconhecer que é incapaz de tocar sozinho as obras de ampliação dos aeroportos brasileiros antes da Copa do Mundo de 2014 e anunciar a concessão dos terminais à iniciativa privada, o mercado começa a especular qual seria o formato da desestatização. Os terminas de Brasília, Guarulhos e Campinas serão os primeiros a ir a leilão, com o edital prometido para maio, mas ainda não se sabe como serão privatizados. Há três modelos em jogo: a venda individual ou fragmentada, em blocos (mais de um aeroporto) ou ainda uma parceria com o setor público. Seja lá qual for a escolha, há uma certeza: o preço dos serviços ao usuário vai subir de 30% a 100%. Em troca, a promessa de qualidade.
O tamanho do reajuste dos preços embutidos nas passagens aéreas vai depender das condições expressas no contrato das concessionárias. Os especialistas lembram que o percentual vai refletir a combinação de diferentes variáveis, como valor a ser investido, o calendário de investimentos, o prazo da concessão, o indexador de reajuste anual, o peso do financiamento público no negócio, o grau de segurança jurídica e até o fluxo estimado de pessoas nos terminais. O processo licitatório será conduzido pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Os contratos deverão ser de 20 anos.
Pioneiro
Em estudo divulgado em 2010 pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), há vários casos bem-sucedidos no mundo, com 40 países optando por venda ou concessão. À exceção do Reino Unido, a privatização de aeroportos é tendência recente, com foco na ampliação da capacidade ou reforço aos cofres públicos.
Em países vizinhos, a privatização de aeroportos acelera. O Peru já tem sete nas mãos privadas e deve levar o modelo a todo o setor. Em janeiro, o consórcio Aeroportos Andinos do Peru ganhou a concessão para operar seis terminais privados no país. A Argentina não teve, contudo, uma história feliz. Em 2001, concedeu os principais terminais à empresa Aeroportos Argentina 2000. O consórcio entrou em crise, apesar de as tarifas triplicarem, forçando o governo a renegociar o contrato.
A aposta do especialista em aviação e ex-presidente da Infraero Adyr da Silva é de que o governo concedará à iniciativa privada somente a construção e a operação das novas instalações nos aeroportos. “Dessa forma, a Infraero não perderia receita e continuaria administrando os demais aeroportos e os investimentos nos menos rentáveis”, sugeriu.
A urgência para que os processos sejam tocados em tempo de as obras serem concluídas antes de 2014 levanta temores de que o processo licitatório seja feito às pressas e de forma precária, causando problemas futuros aos concessionários. “Dificilmente os fundos de investimento internacionais apostarão nas concessões de aeroportos”, disse o especialista André Segadilha, da AEG Soluções.
