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Estado de Minas

Mineiro está cotado para presidir a Vale


postado em 31/03/2011 06:25 / atualizado em 31/03/2011 06:55

Tito Martins: capacidade de negociar é destacada por empresários(foto: Pedro Motta / Divulgação MBR )
Tito Martins: capacidade de negociar é destacada por empresários (foto: Pedro Motta / Divulgação MBR )
Jogo de cintura e a capacidade de negociar com interlocutores são algumas das habilidades apontadas por executivos e empresários da indústria da mineração para classificar como boas as chances do economista Tito Botelho Martins, presidente da Inco, subsidiária da Vale no Canadá, no processo de escolha do substituto do atual presidente da companhia, Roger Agnelli. Embora o Bradesco tenha divulgado comunicado desmentindo que já tenha decidido indicar Martins para comandar a segunda maior mineradora do mundo, o nome do mineiro ganhou força para ocupar o cargo. Acordo de acionistas da Vale prevê que o presidente seja escolhido numa lista tríplice de indicados. A assembleia de acionistas – além do Bradesco, a Previ e o BNDES estão entre os principais sócios – ocorrerá em 19 de abril.

Tito Martins fez carreira na Vale e já impressionava o mercado no começo da década passada, quando foi indicado para a presidência da antiga Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), então concorrente da Vale, que seria incorporada à companhia numa política de compra de empresas rivais da mineradora conduzida à época por Roger Agnelli.

O desempenho do ex-estagiário, nascido em Belo Horizonte e que se destacou desde o curso de economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é considerado excepcional, segundo uma fonte do setor. “Além da grande experiência, ele mostrou capacidade de diálogo, entendimento e jogo de cintura, se relacionando bem com públicos de interesse da companhia tão diversos quanto índios, políticos e prefeitos das cidades mineradoras”, afirma. Antes de assumir a presidência da Inco e enfrentar quase um ano e meio de greve, a mais duradoura em uma empresa de mineração, Martins trabalhou como diretor de assuntos corporativos da Vale no Brasil e das áreas de não ferrosos e energia.

“Competência”

Para o presidente do Sindicato da Indústria Extrativa de Minas (Sindiextra), José Fernando Coura, o desempenho profissional, incluindo a vivência no mercado internacional do executivo mineiro, que é membro do Conselho Fiscal do Sindiextra, reforçam uma sucessão natural, sem traumas, na Vale. “Não opinamos sobre questões internas dos associados, apenas reconhecemos a competência de Tito Martins e as sucessivas demonstrações da capacidade dele de dialogar”, afirma.

O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, senador Delcídio Amaral (PT-MS), avalia que Tito Martins teria mais chances que Fabio Barbosa, presidente do Banco Santander, de substituir Roger Agnelli. “Não tive informação da confirmação dele na Vale, mas o Tito Martins é um excelente executivo”, afirmou.

O senador conheceu a maioria dos executivos da Vale quando presidiu o Conselho de Administração da companhia por dois anos, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “A melhor solução a ser tomada é pegar alguém de carreira, um executivo que é neutro, que conhece bem a companhia e vai tocar os projetos que a Vale desenhou para os próximos anos com competência”, disse o senador. “Acho que, para o governo, em virtude de tudo o que aconteceu, tem que ser uma solução técnica, uma solução caseira”, acrescentou.

Na quarta-feira, as ações da Vale continuaram a se desvalorizar, enfrentando baixa de 0,55% no fechamento do mercado, ante a curva de alta de 0,86% da Bovespa.


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