
Tito Martins fez carreira na Vale e já impressionava o mercado no começo da década passada, quando foi indicado para a presidência da antiga Minerações Brasileiras Reunidas (MBR), então concorrente da Vale, que seria incorporada à companhia numa política de compra de empresas rivais da mineradora conduzida à época por Roger Agnelli.
O desempenho do ex-estagiário, nascido em Belo Horizonte e que se destacou desde o curso de economia na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), é considerado excepcional, segundo uma fonte do setor. “Além da grande experiência, ele mostrou capacidade de diálogo, entendimento e jogo de cintura, se relacionando bem com públicos de interesse da companhia tão diversos quanto índios, políticos e prefeitos das cidades mineradoras”, afirma. Antes de assumir a presidência da Inco e enfrentar quase um ano e meio de greve, a mais duradoura em uma empresa de mineração, Martins trabalhou como diretor de assuntos corporativos da Vale no Brasil e das áreas de não ferrosos e energia.
“Competência”
Para o presidente do Sindicato da Indústria Extrativa de Minas (Sindiextra), José Fernando Coura, o desempenho profissional, incluindo a vivência no mercado internacional do executivo mineiro, que é membro do Conselho Fiscal do Sindiextra, reforçam uma sucessão natural, sem traumas, na Vale. “Não opinamos sobre questões internas dos associados, apenas reconhecemos a competência de Tito Martins e as sucessivas demonstrações da capacidade dele de dialogar”, afirma.
O presidente da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, senador Delcídio Amaral (PT-MS), avalia que Tito Martins teria mais chances que Fabio Barbosa, presidente do Banco Santander, de substituir Roger Agnelli. “Não tive informação da confirmação dele na Vale, mas o Tito Martins é um excelente executivo”, afirmou.
O senador conheceu a maioria dos executivos da Vale quando presidiu o Conselho de Administração da companhia por dois anos, durante o governo Fernando Henrique Cardoso. “A melhor solução a ser tomada é pegar alguém de carreira, um executivo que é neutro, que conhece bem a companhia e vai tocar os projetos que a Vale desenhou para os próximos anos com competência”, disse o senador. “Acho que, para o governo, em virtude de tudo o que aconteceu, tem que ser uma solução técnica, uma solução caseira”, acrescentou.
Na quarta-feira, as ações da Vale continuaram a se desvalorizar, enfrentando baixa de 0,55% no fechamento do mercado, ante a curva de alta de 0,86% da Bovespa.
