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Estado de Minas

Sorgo ganha destaque e apresenta crescimento de 12% na última safra

Só o café teve expansão maior. O grão, usado como matéria-prima do etanol, deve permanecer em alta


postado em 28/03/2011 10:56 / atualizado em 28/03/2011 11:05

A colheita de sorgo no ano passado chegou às 303,5 mil toneladas. A participação é modesta no bolo da produção mineira de grãos, mas tem potencial(foto: Flávio Tardin/Divulgação )
A colheita de sorgo no ano passado chegou às 303,5 mil toneladas. A participação é modesta no bolo da produção mineira de grãos, mas tem potencial (foto: Flávio Tardin/Divulgação )

Primo pobre do milho, o sorgo avançou nos plantios concluídos semana passada em Minas Gerais, com a promessa de manter a boa rentabilidade obtida na safra passada e firmar oportunidade nova como matéria-prima para o etanol (álcool combustível). A produção da cultura ganhou destaque especial em 2010, ao exibir uma velocidade de crescimento de 12% frente o resultado de 2008/2009, desempenho que só perdeu para o café, líder no agronegócio mineiro.

Conforme levantamento feito pela Fundação João Pinheiro, de Belo Horizonte, o índice representou quase o dobro da média de expansão da agropecuária no estado e desbancou nessa mesma base de comparação plantações tradicionais de Minas, a exemplo da soja e da laranja. Foram estimadas 303.573 toneladas de sorgo, uma participação ainda bem modesta no bolo da produção mineira de grãos de 10,2 milhões de toneladas. A valorização dos preços, atrelada às cotações do milho, deu o impulso que a lavoura precisava, além das vantagens de resistência do grão e do baixo custo de produção em relação ao milho.

Na região de Unaí, Noroeste mineiro, responsável pelo maior naco do cultivo em Minas, o produtor Alcides Ribeiro dedicou ao sorgo 300 hectares de suas fazendas Paris, de Bonfinópolis; e Tromba, de Cabeceira Grande. A área é 100% maior, frente ao espaço ocupado dois anos atrás. “Está na hora de o sorgo deixar de ser o primo pobre. A indústria da ração tem de confiar mais nessa cultura, até porque este é o sentimento do produtor”, afirma Alcides Ribeiro, há 25 anos no ramo, dos quais 10 plantando sorgo, junto a milho, soja e café.

As plantações de sorgo granífero, usado em substituição ao milho na fabricação de ração, deverão somar 12 mil hectares no Noroeste mineiro nesta safra, sendo 4 mil ha a mais na comparação com o ano passado, de acordo com estimativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas (Emater-MG). Para o sorgo forrageiro, são esperados 8 mil ha, ante 4 mil ha na safra 2009/2010. Quase todo o plantio é direto, feito como rotação do feijão e da soja, aproveitando a palhada na cobertura do solo. O engenheiro-agrônomo Reinaldo da Silva Martins, da Emater/MG, diz que o cultivo vem crescendo desde o começo da década passada e agora está se consolidando. “O produtor encara a cultura não só como complemento , mas ganha dinheiro com ela. O sorgo passa a ser importante na entressafra do Noroeste de Minas”, afirma.

Segundo produtor brasileiro de sorgo, Minas conta com duas safras no ano agrícola. Os plantios são iniciados em outubro e fevereiro, concentrados no sorgo forrageiro durante a primeira safra, que alimenta o gado, e em seguida no granífero. Ao todo, são projetados 105 mil hectares de plantação na safra 2011, informa João Ricardo Albanez, superintendente de Política e Economia Agrícola da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas.

“Há total interesse dos produtores de expandir a cultura principalmente nas regiões que enfrentam o problema da seca”, afirma Ricardo Albanez. A resistência do sorgo ao calor severo torna a cultura um bom negócio no Norte de Minas, em particular, que detém 6,17% da área plantada no estado e 3,47% da produção estimada. Submetida a veranicos intensos, a cultura sofre menos que o milho, um dos cultivos que nessas condições climáticas costuma frustrar as expectativas dos produtores.

A demanda das indústrias de ração animal e dos aviários representou o grande impulso à produção de sorgo no ano passado, mas é necessária uma expansão consistente do consumo para o sorgo continuar ganhando terreno, na avaliação de Pierre Santos Vilela, coordenador da assessoria técnica da Federação da Agricultura e Pecuária de Minas Gerais (Faemg). Os preços, cotados entre 50% e 60% do valor da saca do milho, têm mantido uma certa estabilidade. No ano passado, variaram de R$ 11 a R$ 15 pela saca de 60 quilos. “Desde que estimulado pela indústria, o sorgo vai ganhar espaço”, diz.

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