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Estado de Minas

Portugal diz não a ajuda 75 bilhões de euros da União Europeia


postado em 25/03/2011 10:15

Depois da renúncia do primeiro-ministro, José Sócrates, Portugal se recusou a aceitar ajuda financeira externa. Em uma reunião de cúpula realizada na noite dessa quinta-feira, os líderes da União Europeia discutiram um socorro à nação. O presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Juncker, disse que 75

bilhões de euros (R$ 176,52 bilhões) ao país seriam "apropriados". Mas deixou claro que o país precisa oficializar o pedido para que a União Europeia faça a injeção de recursos.

O porta-voz do Conselho de ministros (um cargo próximo ao de ministro da Casa Civil no Brasil), Pedro Dilva Pereira, afirmou que o país vai continuar rejeitando o socorro internacional. "O governo vai continuar a lutar contra a possibilidade de recorrer a ajuda internacional. Nossa posição é clara, a rejeição a socorro internacional", disse Pereira. Ele acrescentou que o governo não considera que o socorro financeiro seja "inevitável", como dizem alguns analistas de mercado. "A ajuda internacional teria sérias consequências para a nossa economia", completou. Na crise da dívida dos países europeus, a Grécia recebeu 110 bilhões de euros e a Irlanda, 85 bilhões. Em troca, foram obrigados a aceitar um duro plano de ajuste.

A agência de classificação de risco Fitch também anunciou ontem que rebaixou a nota de risco de Portugal de A para A-, como consequência do veto do Parlamento ao plano de austeridade apresentado pelo governo. A redução significa que Portugal perdeu dois degraus na escala de risco da agência, o que é pouco comum e mostra a rápida deterioração da crise do país. Apesar da rebaixamento, Portugal continua com nota que representa "grau de investimento", ou seja, permanece no clube de países mais seguros para se investir.

Ajuda

O premiê português, José Sócrates, renunciou na noite de quarta-feira, depois de o Parlamento rejeitar seu novo plano de estabilidade financeira. A rejeição "tirou do governo todas as condições para governar", afirmou em pronunciamento na TV. Ele disse, no entanto, que seu governo permanecerá no poder de forma interina. Portugal enfrenta uma crise econômica de risco de crédito. O país vem pagando juros cada vez mais altos para tomar empréstimos no mercado financeiro. Isso porque sua dívida chegou em um nível considerado elevado demais pelo mercado financeiro.

Analistas acreditam que Portugal poderá chegar em breve ao ponto de ter que recorrer a socorro financeiro internacional. Esse pedido de ajuda pode ser formalizado durante encontro hoje de líderes da União Europeia. A crise econômica vivida por Portugal desencadeou uma crise política no país. O Parlamento do país votou ontem medidas de austeridade fiscal que, ao serem vetadas, cria cenário para um potencial colapso da administração da minoria Socialista, um dia antes do encontro de líderes europeus.

Espanha A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a classificação atribuída a 30 bancos espanhóis, reforçando as suspeitas em torno da solidez do sistema financeiro do país. Em termos práticos, quando aumenta o "rating" de país ou de empresa, fica mais caro para esses agentes econômicos tomarem dinheiro nos mercados.

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