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Estado de Minas

Sopro de musicalidade

Clássicos da velha guarda brasileira e canções %u2018fresquinhas%u2019 embalam Ayrton Montarroyos


postado em 24/05/2019 04:06

Artista elege seu repertório como atemporal: %u201CSou conectado com meu tempo, com as coisas que percebo, mas também sou conectado com o belo%u201D (foto: Guilherme Rolim/Divulgação %u2013 25/4/19)
Artista elege seu repertório como atemporal: %u201CSou conectado com meu tempo, com as coisas que percebo, mas também sou conectado com o belo%u201D (foto: Guilherme Rolim/Divulgação %u2013 25/4/19)


Uma passeio pela música popular é o que promete o cantor Ayrton Montarroyos em seu show nesta sexta-feira (24), às 21h, no Centro Cultural Minas Tênis Clube. Ele aproveita também para lançar o seu CD Um mergulho do nada, gravado ao vivo no ano passado, no Teatro Itália, em São Paulo, e lançado no início deste 2019, no formato voz e violão. É o seu primeiro disco após ter deixado o programa de calouros The Voice, do qual participou em 2015. Durante a atração global, quando ainda estava com 20 anos, ele surpreendeu o público com a sua sofisticada escolha de repertório, no qual se destacavam clássicos da canção brasileira.

Ainda aos 16 anos, o intérprete foi um dos convidados para disco em homenagem ao compositor Herivelto Martins (1912-1992), dono de vasta obra na MPB, que foi casado com a cantora Dalva de Oliveira. A obra teve indicação ao Grammy Latino. Ele gravou seu primeiro disco, Ayrton Montarroyos, em 2017. Nele estão clássicos da MPB e inéditas. Para os mineiros apresentará canções que vão de Dorival Caymmi a Lirinha, passando por Chico Buarque e Tom Jobim, além de nomes da nova geração. No palco, o cantor divide a cena com o violonista Edmilson Capelupi.

Também fazem parte do set list do show as músicas Cálice (Gilberto Gil/Chico Buarque), De pé na estrada (Ylana Queiroga), Jabitacá (Lirinha/Junio Barreto/Bactéria), Açaí (Djavan), Brigas nunca mais (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Doce de coco (Jacob do Bandolim/Hermínio Bello de Carvalho), Mar e lua (Chico Buarque), Sodade Matadeira (Dorival Caymmi) e Dona divergência (Lupicínio Rodrigues/Felisberto Martins), entre outras.

“Este show é um amálgama de todas as canções. Ou seja, a canção enquanto gênero e enquanto canção brasileira. Canto as faixas do álbum e incluo outras músicas que têm coerência com este disco, como, por exemplo, meu primeiro registro musical para o álbum 100 Anos de Gonzagão, Riacho do Navio (Luiz Gonzaga/Zé Dantas). O que acho interessante neste show é a cultura falando do seu povo e não ao contrário, ou seja, a gente olhando para um viés, pegando um pedaço do tudo e percebendo as tendências do gênero popular”, define o cantor pernambucano.

Ele começa o show, cantando De pé na estrada. “Tudo me influencia. Sou conectado com meu tempo, com as coisas que percebo, mas também sou conectado com o belo. Meu repertório é composto por músicas atemporais. No momento, estou estudando composição, ainda não me considero um compositor. No meu caso, a arte do intérprete consiste na performance. Sou muito interessado por tudo e escuto todo tipo de música, passando por todos os gêneros. Tento tirar proveito de tudo”, revela Ayrton.

Para ele, até uma música ruim pode dar a sua contribuição. “Não há nada que não possa ser ouvido, basta prestar bem atenção e tentar tirar proveito de tudo. Uma música de má qualidade também pode nos trazer um discernimento. Estudo também gramática, literatura, filosofia, aliás, tudo me interessa, tudo me abre para estar dentro de outras coisas”, garante o cantor, aos 23 anos. Ayrton é primo do trompetista carioca Márcio Montarroyos (1948/2007), que chegou a lançar oito discos solo e a tocar com os principais artistas brasileiros.

Ele se revela um apaixonado pelo trabalho de Dalva de Oliveira e garante que conhece toda a obra da cantora paulista. “Ainda criança, peguei três CDs com minha vó e os escutava o dia inteiro. Eram discos de Dalva de Oliveira, Edith Piaf e Mireile Mathieu. Colocava os discos para tocar, me deitava no chão e ficava ouvindo e olhando para o teto por horas, escutando aquelas músicas. Dalva me pegava muito forte, talvez pela dramaticidade dela. Ela existe no mundo que ela criou. Fiquei quase uns quatro anos ouvindo somente aqueles três discos. Me sentia feliz por ouvir aqueles três CDs todos os dias, por várias horas”, lembra.

ENSAIO CASEIRO

E confessa também sua admiração por Angela Maria e Cauby Peixoto. “Antes, não conhecia muito o trabalho deles, talvez por uma preguiça mental minha. Comecei a ouvir Angela e logo me apaixonei por ela. Mais tarde, vim a ser amigo dos dois e me tornando um cantor, porque sempre quis isto muito. Lembro-me que ficava em casa, ensaiando, cantando de frente para a parede, para me afinar. Isso educou meu ouvido e a convivência com grandes músicos também foi muito importante para mim. Já dividi o palco com muita gente famosa e cantei com grandes violonistas e pianistas”, orgulha-se Ayrton

Natural de Recife, o artista mora em São Paulo desde os 16 anos e, em 2011, aos 16, fez o seu primeiro show solo profissional, no Teatro Beberibe, na capital pernambucana. Em 2013, Ayrton teve o talento reconhecido internacionalmente com uma indicação ao Grammy latino, por sua colaboração no álbum Herivelto Martins – 100 Anos, no qual dividiu a faixa Dois corações com a cantora e compositora pernambucana Ylana Queiroga. Este disco foi indicado como Melhor álbum de música popular brasileira.

AYRTON MONTARROYOS – UM MERGULHO NO NADA
Sexta-feira (24), 21h, no Centro Cultural Minas Tênis Clube, Rua da Bahia, 2.244, (31) 3516-1360. R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia-entrada)


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