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Estado de Minas MACHISMO

Relembre casos de violência contra a mulher na política

Em defesa à colega Simone Tebet, a senadora Leila fez discurso, nesta quarta-feira (22/09): 'não vão nos calar!'


22/09/2021 14:18 - atualizado 22/09/2021 15:34

Simone Tebet foi vítima de machismo ao ser descredibilizada e chamada se
Simone Tebet foi vítima de machismo ao ser descredibilizada e chamada se "descontrolada" (foto: Divulgação / Simone Tebet)
 
O ataque à senadora Simone Tebet (MDB-MS) não é um fato isolado na política, um ambiente dominado por homens. Cenas em que elas são descredibilizadas, silenciadas, recebem ataques à vida privada, pelo único fato de serem mulheres, são recorrentes e, muitas vezes, não ganham repercussão pública. Há casos, inclusive, de assédio. O Estado de Minas recuperou seis casos de violência contra parlamentares que se tornaram públicos: Isa Penna, Duda Salabert, Manuela D'Ávila, Áurea Carolina, Maria do Rosário e Marielle Franco (1979-2018).
  
 
Nesta quarta (22/09), a senadora Leila Barros (Rede) se solidarizou com a colega, a Senadora  Simone Tebet  (MDB-MS). Leila afirmou que não aceitará atitudes machistas, dentro da política ou não. Simone foi vítima de machismo na sessão de terça-feira (21/09) da CPI da COVID-19, em andamento em Brasília. O ministro da Controladoria-Geral da União (CGU), Wagner Rosário, chamou a parlamentar de descontrolada, além de descredibilizá-la. 
  
 
 
“É exaustivo e muito violento para essas mulheres ter que, para além de toda a desigualdade de gênero estrutural, do trabalho que desenvolvem e dos embates políticos inerentes às suas atividades, conviver com tentativas de descredibilização", afirma a pesquisadora e cientista política Mariela Rocha.
 
Ela lembra que as mulheres ainda são alvos de questionamentos maliciosos sobre a vidas na esfera privada, ataques à personalidade, à aparência física e à moral delas. "Elas ainda recebem ameaças diretas à integridade delas e de suas famílias."

Em agosto deste ano foi sancionada a  Lei 14.192/21, que estabelece normas para prevenir, reprimir e combater a violência política contra a mulher.


Casos de machismo na política

Isa Penna  
 
Em Dezembro de 2020, a deputada estadual Isa Penna (PSOL) foi vítima de assédio durante uma sessão da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) quando o deputado Fernando Cury (Cidadania) se aproximou por trás e levou a mão direita ao seio da deputada. Mesmo quando Isa reage e o afasta, o deputado volta a tentar contato físico. O ato aconteceu na frente do presidente da Assembléia Legislativa.

O caso foi levado ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Alesp e um boletim de ocorrência foi registrado pela deputada. Fernando Cury foi punido pela acusação de importunação sexual em Abril com afastamento de 6 meses, sem salário ou gabinete.

Duda Salabert

Além de ataques machistas, Duda Salabert (PDT) também sofre com ataques transfóbicos. Em dezembro de 2020, em sua posse a deputada foi ignorada pelo vereador Wesley Autoescola (Pros), ao credibilizar a Professora Marli como vereadora mais bem votada daquela eleição em Belo Horizonte. Porém Duda obteve mais que o dobro de votos que Marli. 

Além do não reconhecimento como mulher, Duda também recebeu diversos ataques de ódio por meio das redes sociais. Uma mensagem que se destacou foi divulgada pela deputada em seu perfil do Instagram na qual se lia “Vou invadir uma sala de aula do Bernoulli e vou matar todas as vadias, todos os negros (que, infelizmente serão bem poucos, 1, ou 2 cotistas) e depois vou te matar” (sic).

Manuela D’Ávila

Em novembro de 2020, a então candidata à prefeitura de Porto Alegre, Manuela D’Ávila foi alvo de machismo durante um debate no qual o candidato Rodrigo Maroni (Pros) disse: "Tu é patricinha mimada, poderia estar comprando bolsa no shopping. Se eu fosse abrir a boca, eu não acabaria com a carreira, mas com tua vida, Manuela".

Além de ter sido claramente atacada por questões que não tem ligação com a política, a única pessoa que saiu em defesa de Manuela foi outra mulher, a deputada Fernanda Melchiona (PSOL), que rebateu: "Divergência política é uma coisa, machismo é outra. Porto Alegre não merece essa baixaria."

Áurea Carolina 

Em setembro de 2020, a deputada federal Áurea Carolina (PSOL-MG) concorria como candidata à prefeitura de Belo Horizonte e divulgou uma pergunta feita a ela por um homem: “Se você está com essa agenda tão cheia assim, com filho pequeno, etc. Como quer ser prefeita de Belo Horizonte?”.

Tais questões, sobre a decisão de ter filhos e da criação da criança recorrentemente são feitas à mulheres, como se os pais estivessem livres de tais obrigações ligadas à criação dos filhos. Na ocasião, Áurea respondeu: “Vocês acham que candidatos homens recebem questões como essa?”.

Maria do Rosário

Em 2014, a deputada federeal Maria do Rosário (PT-RS) foi vítima de machismo pelo presidente Jair Bolsonaro. Na época, o então deputado afirmou que não a estupraria “porque ela é muito ruim, porque ela é muito feia, não faz meu gênero, jamais a estupraria”. Completou: “eu não sou estuprador, mas, se fosse, não iria estuprar, porque não merece.”

Bolsonaro foi condenado a pagar R$10 mil pelas ofensas contra Maria do Rosário e a se retratar publicamente, pedindo desculpas.
 
Marielle Franco
 
Uma semna antes de ser assassinada, em uma sessão do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2018, a então deputada Marielle Franco foi interrompida quando discursava no plenário da Câmara dos Deputados. "Não serei interrompida, não aturo interrupção dos vereadores desta Casa, não aturarei de um cidadão que vem aqui e não sabe ouvir a posição de uma mulher eleita Presidente da Comissão da Mulher nesta Casa." 
 
*estagiária sob a supervisão de Márcia Maria Cruz 


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