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Estado de Minas NOVIDADES NA QUARENTENA

Projeto de distribuição de marmitas criado por chef italiano leva afeto às ruas de BH

Em três meses, o Marmitada já produziu mais de 30 mil refeições para pessoas em situação de rua


postado em 05/07/2020 04:00 / atualizado em 05/07/2020 10:44

Normalmente, as marmitas são distribuídas na região central de Belo Horizonte(foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
Normalmente, as marmitas são distribuídas na região central de Belo Horizonte (foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)
Massimo Battaglini engoliu em seco quando se deu conta dos impactos que a pandemia traria. Mas, em vez de se desesperar, o italiano à frente do restaurante Osteria Mattiazzi e do bufê Club do Chef decidiu agir. “Liguei para o meu sócio e vim com a proposta de usar a nossa estrutura para fazer marmita. Pensei: vamos começar a fazer o que é urgente.” Assim surgiu o projeto Marmitada, que em três meses já distribuiu mais de 30 mil refeições para pessoas em situação de rua em vários pontos de Belo Horizonte.

O chef conta que se inspirou no grupo Cozinheiros do Bem, criado por Júlio Ritta, do Rio Grande do Sul, que em cinco anos já distribuiu mais de 100 mil toneladas de alimentos. Imediatamente, ele ligou para clientes e fornecedores e começou a formar uma rede de doação que hoje sustenta a ação solidária. “Isso me deu um norte no meio dessa confusão. Fez bem para mim, para a equipe e para os sócios termos um objetivo e conhecer tanta gente legal”, aponta Massimo.

O projeto começou dividindo espaço com o Club do Chef, mas agora ocupa uma outra cozinha do bufê no Jardim Canadá, em Nova Lima (o imóvel foi alugado no meio da pandemia). “Começamos só com a equipe do bufê, hoje temos voluntários fixos e rotativos”, explica. Na segunda-feira, a equipe faz todo o planejamento da semana. Terça, quarta e quinta são os dias de produção e entrega. O número de marmitas já saltou de 500 para 2,2 mil por semana. A distribuição é realizada em parceria com organizações não governamentais (ONGs), como Abrace o Próximo e Pastoral de Rua.
 
"Isso me deu um norte no meio dessa confusão", aponta Massimo Battaglini, que tatuou a logomarca do projeto no braço (foto: Marcio Rodrigues/Divulgação)

O cardápio é decidido de acordo com as doações. Arroz e feijão têm sempre. Legumes variam, um dia quiabo, outro mandioquinha e por aí vai. Quando recebem macarrão, fazem massa com ragu. A carne de porco virou feijoada para aquecer as pessoas num dia frio. Picanha foi usada para fazer picadinho e os ovos se transformam em omelete. Também já entraram nas marmitas hambúrguer de angus e coxa e sobrecoxa de frango. “A comida está super digna, caprichada, feita com carinho e ingredientes bons.”

Além da marmita (que pesa cerca de 600g), os voluntários sempre distribuem um complemento, que pode ser água, suco ou paçoquinha de sobremesa. No mês passado, o grupo fez uma entrega especial de festa junina, com canjiquinha, pipoca, canjica doce e amendoim praliné. 

DISTRIBUIÇÃO 

No começo, Massimo e a equipe só faziam a comida. Depois foram convidados para participar da distribuição de quinta-feira com a ONG Abrace o Próximo. Normalmente, eles entregam as marmitas na região central de BH, mas também já foram a pontos como Lagoinha, Pedreira Prado Lopes e Aglomerado da Serra. “Já criamos uma relação com a turma, que não envolve só comida. É levar um pouco de vida, bate-papo, colocar música. Outro dia, uma violinista ucraniana tocou durante a entrega”, conta o chef, que, de tão tocado pelo projeto tatuou a logomarca da Marmitada no braço.

Massimo quer que a ação continue pós-pandemia. Por isso, já iniciou os trâmites para transformar a Marmitada em associação e a busca por um espaço próprio. “Queremos montar uma cozinha separada porque, daqui a pouco, vamos ter que voltar a trabalhar.” O chef avisa que precisa de doações além dos alimentos, como materiais de limpeza, luvas, embalagens e dinheiro para pagar as contas de água, luz e ajuda de custo para os voluntários da cozinha.

Serviço
Marmitada
(31) 99612-4597

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