Escritor Itamar Vieira Junior olha para a câmera

Itamar Vieira Junior lança 'Apagar o fogo' depois de estourar com o romance 'Torto arado'

Adenor Gondim/divulgação
 

Depois de passar por Salvador, São Paulo, Recife, Fortaleza, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro, Itamar Vieira Junior desembarca em Belo Horizonte, nesta quinta-feira (22/6), para lançar o livro “Salvar o fogo”, na Leitura do Pátio Savassi.


A obra, uma espécie de derivação do romance “Torto arado”, acompanha os familiares de Maria Cabocla, vizinha de Belonísia, uma das personagens principais do livro de estreia do escritor.

Os protagonistas Luzia e Moisés, irmãos de Maria Cabocla, vivem em um povoado no interior da Bahia. De origem humilde – o pai é agricultor e a mãe dona de casa –, Luzia ganha a vida como lavadeira e cria Moisés como se fosse o próprio filho.

 

Foi graças a ela que o menino conseguiu uma vaga para estudar na escola comandada por monges. O que era para ser um privilégio, no entanto, vira tormenta. Moisés vê de perto os abusos do padre reitor e jura se vingar.


Disponibilizado em pré-venda em abril, “Salvar o fogo” tem despertado o interesse dos leitores. Lançamentos presenciais com Itamar vem reunindo centenas de pessoas em grandes filas, esperando por um autógrafo do autor do best-seller “Torto arado”.


“O interesse das pessoas pelo livro vem do fato de eu e os leitores compartilharmos uma história que é nossa”, avalia o escritor. “Embora o que escrevo seja ficção, é uma literatura permeada um pouco pela história brasileira, imaginando o que é o Brasil, as nossas questões, os nossos traumas e as nossas dores.”


Também há um pouco de esperança, pondera Itamar. “Ela está presente quando se trata da libertação, que vem pelo conhecimento”, emenda.

 

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Apagamento sociocultural

A crítica social dá o tom ao novo romance. A chegada dos monges ao povoado e o modo autoritário como eles ditam as regras são alegorias sobre a responsabilidade da Igreja Católica no apagamento sociocultural do Brasil. A resistência de Luzia, por sua vez, representa a luta pelo direito à terra e ao território, negado a muitos brasileiros.


Depois de Belo Horizonte, Itamar segue para Brasília. Ele chega à capital federal em em meio à CPI sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).


“Há a tentativa de criminalização dos movimentos sociais. Isso é muito perigoso para a democracia”, ressalta o escritor. “O Brasil conseguiu muitos avanços civilizatórios nos últimos 30 anos, mesmo com todos os percalços. Esses avanços não são mérito de um ou outro governante, e sim da manifestação pública de movimentos civis organizados que pautaram os governantes”, conclui.

Em Congonhas

O projeto Arte nas Estações, que exibe parte da coleção do Museu Internacional de Arte Naïf em eventos itinerantes em Ouro Preto, Congonhas e Conselheiro Lafaiete, receberá Itamar Vieira Júnior nesta sexta-feira (23/6), às 19h, no espaço expositivo da mostra “Sofrência”, em cartaz no Museu de Congonhas. Haverá transmissão simultânea no canal do projeto no YouTube.

“SALVAR O FOGO”

Sessão de autógrafos com Itamar Vieira Júnior. Nesta quinta-feira (22/6), às 19h, na Leitura do Pátio Savassi (Av. do Contorno, 6.061, São Pedro). Entrada franca. Informações: @todavialivros