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Estado de Minas ARTE GRÁFICA

Revista de poesia ''Bric a brac'' tem lançamento amanhã em Belo Horizonte

Novo número da publicação fundada nos anos 1980 aborda o diálogo entre a Semana de Arte de 22 e as questões do Brasil atual


03/08/2022 04:00 - atualizado 02/08/2022 19:58

Obra de Luis Eduardo Resende consiste em oratório branco com bala de fuzil dentro
"Santa bala", do artista gráfico Luis Eduardo Resende, está na folha de rosto da edição especial da revista (foto: Bric a brac/Divulgação)

“2022 - O Pau-Brasil Sangra” é o tema da edição de relançamento da revista cultural “Bric a brac”, que tematiza o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. A publicação tem lançamento nesta quinta-feira (4/8), em Belo Horizonte, no espaço cultural Asa De Papel Café & Arte.

A “Bric-a-Brac” é um projeto de poesia experimental que se apoia na mescla da tradição com a inovação, como o próprio nome sugere: “Bric a brac é uma mistura entre o moderno e o passado. A melhor definição dessa expressão francesa seria uma ‘miscelânea de objetos pequenos’”, afirma o editor e fundador da revista, Luís Turiba.

A respeito do novo número da revista, Turiba afirma que “não se trata de uma reflexão acadêmica sobre o que foi 22, mas sim uma celebração, na qual todos escrevem sobre o que acham da Semana de Arte Moderna, ou escrevem à maneira dela, que continua muito viva, em termos de poesia”.

Surgida em Brasília, em meados dos anos 80, durante o período da redemocratização do país, a revista lançou seis edições, entre 1985 e 1992. O longo hiato de 30 anos entre o sexto e o sétimo números foi brevemente interrompido em 2005, com a edição do catálogo da exposição “Bric a brac – 21 anos”, que ocupou o salão principal da Caixa Cultural, em Brasília.

Segundo Turiba, o longo processo de gestação da revista – que, a propósito, teve duração de nove meses – foi encabeçado pelo trio composto por ele próprio, por Rômulo García, responsável pela edição gráfica, e pelo poeta e arquiteto João Diniz.

Logograma une as iniciais de Gilberto Gil e o número 80
O logograma GG80 faz homenagem aos 80 anos recém-completados do cantor e compositor baiano Gilberto Gil (foto: Bric a brac/Divulgação)

“Eu precisei refazer uma equipe para essa edição especial. Nessa remontagem, ela passou a ser uma revista mineira: tanto o Rômulo quanto meu parceiro de edição, o João Diniz, são belo-horizontinos”, comenta.

Rômulo García aponta que a “Bric a brac” "foi uma revista importante nas décadas de 1980 e 1990, importante para a poesia da época”. Sobre sua participação no relançamento da publicação, ele afirma: “O João Diniz me indicou para que eu fizesse o projeto gráfico da nova revista e eu fiquei em uma alegria enorme! Eu a acompanhava há tempos, quando era jovem, e poder fazê-la agora, perto dos meus 60, foi um desafio delicioso”.

Com mais de 60 colaboradores, que contribuem com textos poéticos, crônicas, artes gráficas e grafismos, o novo número da revista se propõe a fazer em suas 110 páginas  uma colcha de retalhos com as discussões atuais no cenário brasileiro, assim como ressaltar o legado da Semana de Arte Moderna.

“O modernismo é a escola que sustenta a poesia de invenção no Brasil. Um poeta, por exemplo, como o Arnaldo Antunes, ou a própria Tropicália e o Concretismo, são grandes heranças do modernismo. A nossa geração faz uma poesia híbrida, que conversa com as artes plásticas e a música, que conversam com os conceitos modernistas”, diz Turiba.

A folha de rosto é ocupada pela “Santa bala”, numa homenagem Luís Eduardo Resende, o Resa, designer gráfico responsável pelas edições anteriores da publicação. 

Poema Vênus negra publicado em página da bric a brac com silhueta de mulher
Jorge Amâncio é um dos 60 colaboradores da publicação, que tem 110 páginas (foto: Bric a brac/Divulgação)


“O Turiba foi muito feliz com o título na capa, que é um retrato do Brasil atual: ‘o Pau-Brasil sangra’ com a violência, o aumento do feminicídio e as questões políticas que estamos atravessando. A obra do Resa, na qual ele faz um oratório mineiro tradicional, mas coloca uma bala de fuzil no meio, conversa com a foto do pau-brasil sangrando, tirada por Xico Chaves no Museu Botânico em Brasília”, pontua Rômulo García.

O editor gráfico também destaca a conversa informal entre Turiba e o professor e acadêmico Antonio Carlos Secchin, que aponta e comenta 10 importantes livros para a formação do modernismo: “Pau-Brasil” (livro de estreia em poesia de Oswald de Andrade), “Macunaíma” (Mário de Andrade), “Cobra Norato” (Raul Bopp), “Libertinagem” (Manuel Bandeira), “Murilo Mendes: Poemas” (1930), “Alguma poesia” (Carlos Drummond de Andrade), “Martim Cererê” (Cassiano Ricardo), “O conto do brasileiro” (Augusto Frederico Schmidt) “O quinze” (Rachel de Queiroz) e “Casa-grande & senzala” (Gilberto Freyre).

A revista foi lançada nacionalmente em Brasília no último dia 13 de julho. Em Belo Horizonte, o lançamento ocorrerá no espaço cultural Asa de Papel Café & Arte, na quinta-feira (4/8), a partir das 17h30, com a presença de Turiba, Rômulo García e João Diniz.

capa da revista bric a brac número 7
(foto: Bric a brac/Divulgação)

“BRIC A BRAC”
• Lançamento da sétima edição da revista. Nesta quinta-feira (4/8), a partir das 17h30, no espaço cultural Asa de Papel Café & Arte. Rua Piauí, 631, Santa Efigênia. Mais informações: (31) 98703-1501.

*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes


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