UAI
Publicidade

Estado de Minas SÉRIE

'Stranger things' não perde o pique na quarta temporada, que estreia hoje

Sete episódios serão disponibilizados pela Netflix nesta sexta (27/5). Plataforma conta com a turma de adolescentes para reverter a crise que enfrenta em 2022


26/05/2022 04:00 - atualizado 26/05/2022 21:23

Seis garotos, tendo à frente jovem segurando lanterna acesa, olham preocupados para o alto, na penumbra, em cena de Stranger things
Garotos enfrentam monstros, bullying e surpresas desagradáveis vindas do Mundo Invertido na temporada que estreia amanhã (foto: Netflix/divulgação)


É difícil crescer, quanto mais em Hawkins, Indiana. Após o hiato de quase três anos, “Stranger things” retorna nesta sexta-feira (27/5) com sua quarta temporada. Muito maior, vale dizer. Sete dos nove episódios estreiam nesta semana – os dois finais, somente em 1º de julho. É uma narrativa longa – todos eles têm mais de uma hora, sendo que o final, duas horas e meia.

Crescidos também estão os atores. E três anos, quando se é criança ou adolescente, faz uma diferença enorme. Mesmo que eles estejam mais velhos, a trama é ambientada apenas seis meses depois do ocorrido no terceiro ano, época em que a trupe principal ainda exibia feições infantis.

CRISE DE AUDIÊNCIA

Em 2016, quando a série dos irmãos Matt e Ross Duffer estreou, a Netflix reinava absoluta no streaming. Diminuição de assinaturas – 200 mil assinantes foram perdidos no primeiro trimestre de 2022 –, corte do quadro de funcionários e queda do valor das ações da plataforma vêm marcando este ano.

Ao contrário de 2016, a Netflix enfrenta, hoje, várias concorrentes. Então, lançar agora uma das produções originais que se tornaram seu alicerce tem significado grande para a empresa. Com um pouco de cinismo, podemos relacionar o alongamento dos episódios para além de 60 minutos com o fato de que o público vai gastar mais tempo na plataforma, o que, no final das contas, é o objetivo final do algoritmo da empresa.

Mas o que realmente importa para o público (ou fãs, já que “Stranger things” soma milhões de seguidores mundo afora) é que o retorno vale a pena. Passado tanto tempo, a série continua a fazer sentido, mantendo a relevância e o nível da produção.

Para chegar à nova trama, é preciso relembrar como terminou a temporada anterior. Eleven (Millie Bobby Brown) derrotou o Devorador de Mentes no shopping local, e o xerife Hopper (David Harbour) quase se sacrificou para fechar o último portão para o Mundo Invertido. Na batalha do shopping, Max (Sadie Sink) viu o irmão Billy (Dacre Montgomery) ser morto pelo monstro.

Reencontramos a turma na primavera de 1986, às vésperas do feriado da Páscoa. A família Byers (Joyce, papel de Winona Ryder, e os irmãos Jonathan, vivido por Charlie Heaton, e Will, interpretado por Noah Schnapp) se mudou para uma cidadezinha da Califórnia, com Eleven a reboque.

Sem poderes, ela tem “vida civil” como Jane. Namora Mike (Finn Wolfhard) a distância e não vê a hora de a pausa na escola chegar, pois ele vai visitá-la. Eleven está com problemas de adaptação – é vítima constante de bullying no colégio e esconde o fato de Mike, que acha que ela está cercada de amigos.

Em Hawkins, Lucas (Caleb McLaughlin) integra (como reserva) o time de basquete da escola. Quer ser popular a todo custo, o que o distancia de Mike e Dustin (Gaten Matarazzo), que se juntaram ao Hellfire Club, grupo de alunos nerds que jogam Dungeons and Dragons liderados pelo desafiador Eddie (Joseph Quinn, uma das boas aquisições da nova temporada).

Traumatizado com a morte do irmão, Max não quer papo com ninguém – passa seus dias ouvindo “Running up that hill”, de Kate Bush, no walkman.

MACONHA, REGGAE E PIZZA

Steve (Joe Keery) e Robin (Maya Hawke) continuam melhores amigos e trabalham na locadora local. A irmã de Mike, Nancy (Natalia Dyer), está se preparando para a faculdade de jornalismo. Sua intenção é estudar ao lado de Jonathan, mas a distância de milhares de quilômetros parece ter desanimado o rapaz, que passa os dias experimentando novas sementes de canabis ao lado de Argyle (Eduardo Franco, outra ótima novidade), maconheiro fã de reggae que entrega pizza em uma van supercolorida.

Este momento “vida normal” dura pouco. Acontecimento envolvendo uma cheerleader, a rainha da escola em Hawkins, vai revelar nova ameaça. Vindo do Mundo Invertido, Vecna é realmente assustador. Do outro lado dos EUA, Eleven acaba descoberta depois do ataque em um rinque de patinação e retorna para o laboratório.

Joyce, por seu lado, se aboleta ao lado do amalucado Murray (Brett Gelman) na jornada que a levará da Califórnia ao Alasca e, de lá, para a União Soviética.
Os atores Finn Wolfhard e Millie Bobby Brown sorriem enquanto andam de patins, de mãos dadas, na série Stranger things
Mike (Finn Wolfhard) e Eleven (Millie Bobby Brown): paixão adolescente (foto: Netflix/divulgação)
 
Com a temporada estendida (são cinco horas a mais em relação aos anos anteriores), é preciso dar conta de muitas tramas envolvendo todos os personagens. “Stranger things” não perde o fôlego, mas o espectador terá que dar conta de diferentes ambientes. Em dado momento, a série conta com quatro núcleos – o principal, de Hawkins; o da Califórnia, que logo vira road trip; o gelado, com Joyce à frente; e finalmente o de Eleven, que continua explorando sua história de origem.

A parte mais interessante da trama continua sendo a de Hawkins, que mantém fidelidade à narrativa lançada seis anos atrás. Na caça ao monstro Vecna, o grupo vai até um hospício, onde se encontra a figura deformada interpretada por Robert Englund – essa sequência homenageia tanto “O silêncio dos inocentes”, ao recriar o primeiro encontro de Clarice (Jodie Foster) e Hannibal Lecter (Anthony Hopkins), quanto o principal personagem do veterano Englund, o assassino Freddy Krueger.

TRIO PERFEITO

“Stranger things” mostra o seu melhor na interação dos personagens. Ainda que os quatro amigos e Eleven sejam protagonistas, neste novo ano não há muitas divisões. O melhor núcleo da série, pelo menos nos seis episódios disponibilizados para a reportagem, é formado pelo trio Steve, Robin e Nancy, os mais velhos da turma.

Os dois primeiros vivem uma relação platônica (ambos gostam de peitos, como Steve não se cansa de dizer a Robin). A garota, que entrou na trama na temporada passada, exibe verborragia incontrolável, o que acaba a aproximando da neurótica Nancy.

Gaten Matarazzo continua garantindo boas tiradas a Dustin – e sua relação com Eddie, o metaleiro mais velho, suscita algumas risadas.

Com sua miscelânea de gêneros – horror, suspense, comédia, drama e sci-fi – e atirando para vários lados, “Stranger things” acerta vários deles, principalmente nas sequências em Hawkins, quando faz jus à história original.

“STRANGER THINGS”

A quarta temporada, com os episódios 1 a 7, estreia nesta sexta-feira (27/5), na Netflix. Os episódios 8 e 9 estreiam em 1º de julho

Ator usando longa capa e capuz, no cenário futurista e noturno de Obi-Wan Kenobi
Minissérie mantém o clima distópico de "Star wars" (foto: Disney+/divulgação)

Disney+ ataca com“Obi-Wan Kenobi”


Enquanto a Netflix estreia “Stranger things”, o Disney+ lança, também nesta sexta-feira (27/5), os dois primeiros episódios da minissérie “Obi-Wan Kenobi”.

Dezessete anos depois de “Star wars, Episódio III: A vingança dos Sith”, Ewan McGregor está de volta como o mestre Jedi. A produção, com seis episódios, é ambientada 10 anos após os acontecimentos do filme de 2005.

Na trama, Obi-Wan (McGregor) enfrentou sua maior derrota. Anakin Skywalker, melhor amigo dele e aprendiz de Jedi, voltou-se para o lado negro e se transformou em Darth Vader.

Na minissérie, McGregor repete a dobradinha do filme com Hayden Christensen, que volta a interpretar Vader.
 
 

















receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade