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Estado de Minas AUDIOVISUAL

Série derivada de 'Sex and the city' mantém o poder de sedução da grife

Agora na casa dos 50, Miranda, Carrie e Charlotte enfrentam os desafios de sua nova idade e dos novos tempos em 'And just like that...'


10/12/2021 04:00 - atualizado 10/12/2021 07:48

 Miranda (Cynthia Nixon), Carrie (Sarah Jessica Parker) e Charlotte (Kristin Davis) caminham na rua em Nova York com sapatos de grife
Miranda (Cynthia Nixon), Carrie (Sarah Jessica Parker) e Charlotte (Kristin Davis) continuam flanando pelas ruas de Nova York com seus belos sapatos (foto: HBO/DIVULGAÇÃO)
Um novo “Sex and the city” quase 20 anos depois do fim da série? Bastam cinco minutos do reencontro de Carrie (Sarah Jessica Parker), Miranda (Cynthia Nixon) e Charlotte (Kristin Davis) para você, que acompanhou a série produzida entre 1998 e 2004 (da qual foram derivados dois filmes, o último deles uma década atrás), saber que, sim, há sentido em acompanhar a trajetória das três amigas em Nova York, no final de 2021.

“And just like that...” estreou nessa quinta-feira (9/12) na HBO Max, com a exibição de dois de seus 10 capítulos – será, como dantes, exibida semanalmente, sempre às quintas. Agora, a produção acompanha as “meninas” na casa dos 50. “Não dá para continuarmos sendo quem éramos.” A frase que Miranda dispara logo nos minutos iniciais reverbera por todo o primeiro episódio.

 

SAPATOS 

Ninguém, nem elas, nem nós, somos os mesmos de 20 anos atrás. Mas tampouco somos radicalmente diferentes, seja na ficção ou na vida real. Carrie é ainda uma jornalista, casada com Big (Chris Noth), apaixonada por sapatos. Deixou, há muito, as páginas dos jornais e encara o mundo virtual, com seu Instagram e a participação em um podcast sobre sexo.

Miranda continua vivendo no Brooklyn com o marido, Steve (David Eigenberg), mas deixou o direito corporativo e tenta retomar a vida acadêmica. Charlotte, bem, é basicamente a mesma: bonequinha de luxo com uma vida de comercial de margarina que pena com a filha caçula, rebelde e cheia de atitude, um contraponto à mais velha, que é, pelo menos à primeira vista, absolutamente perfeita. 

A ausência de Samantha (os desentendimentos de Kim Cattral com Sarah Jessica Parker vêm de anos atrás) é abordada já no primeiro diálogo da série. A personagem volta a ser citada no decorrer do episódio-piloto – teria tido uma briga com Carrie, nunca mais respondido às suas mensagens e hoje vive em Londres. Fica claro ali que o ressentimento é grande.   

A tentativa de adequação das personagens ao mundo de hoje será, pelo andar da carruagem, um dos motes da nova série. Miranda tem uma participação constrangedora em seu primeiro dia no mestrado, com uma turma de jovens e uma professora que é tudo menos o que ela esperava. 

Questões de gênero e raça são tratadas de forma contundente (mas sempre bem-humorada) na série. Carrie, que sempre falou de sexo abertamente, fica, em frente aos colegas jovens do podcast, desconfortável com a liberdade e as falas diretas de cada um. Sim, tem sexo em “And just like that…”, e o grande tema deste início de série é masturbação. 

PANDEMIA 

Ainda que os personagens habitem o mundo de hoje, eles fazem jus ao passado. Big e Carrie ouvem LPs de jazz desde o início da pandemia – e não faltam menções à crise sanitária, numa Nova York que busca mostrar-se viva como antes – e ele ainda lê jornais na cama. O avanço da idade é outra referência grande – o fato de Miranda ter abolido os cabelos ruivos e assumido os fios brancos é tema de uma discussão com Charlotte.

A frivolidade sempre foi um elemento de “Sex and the city”. Ver o casal Stanford (Willie Garson, que morreu no final de setembro) e Anthony (Mario Cantone) brigando por causa de roupa, assistir a um recital de piano de adolescentes ricos ou acompanhar os encontros sociais do trio no cenário pós-pandemia (e Charlotte carregando vestidos de Oscar de La Renta) garantem leveza e preparam para o que está por vir.

Uma virada (muito, mas muito) dramática na parte final do episódio de estreia é totalmente inesperada. Ela chega num crescendo, ao som de Mozart. E o fã, seja de 30, 40 ou 50 anos, ficará mesmerizado com o acontecimento – o segundo episódio vai tratar essencialmente do ocorrido, à maneira de “Sex and the city”: com drinques, vestidos de luxo, risos e lágrimas. 

E assim... (parafraseando Carrie, que termina todo episódio dizendo “And just like that...) “Sex and the city” (difícil falar da série com o novo título) volta ao jogo. É bonito, triste, fútil, alegre, tudo ao mesmo tempo, como foi a produção original. O mais relevante é que a nova produção não é anacrônica e fala para o seu tempo. Mas é preciso ter assistido à série original para entrar de cabeça nesta continuação, vale dizer.

“AND JUST LIKE THAT…”

Série em 10 episódios na HBO Max. Os dois primeiros estão disponíveis; os demais serão lançados às quintas-feiras, até 3 de fevereiro


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