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Estado de Minas MÚSICA

Filarmônica de Minas Gerais executa obra rara com regente convidado

Roberto Minczuk optou por uma composição de Brahms na qual o compositor evitou ser comparado a Beethoven no programa desta quinta (16/9) e sexta


16/09/2021 04:00 - atualizado 16/09/2021 07:47

"Estou muito otimista e agradecido de poder voltar ao palco diante do músico. Fico feliz de ver que a situação no Brasil está melhorando", diz o maestro Roberto Minczuk (foto: Trudie Lee/Divulgação)

"Evidentemente que, em um certo momento, cuidarmos da saúde física se tornou prioridade. Agora que estamos mais resguardados, é possível perceber que as pessoas estão de fato com a necessidade de frequentar os teatros e alimentar a alma. Esse é o papel da música. Ela é uma coisa quase espiritual, faz bem, traz tranquilidade e alegria"

Roberto Minczuk, maestro



Regente titular da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e da Filarmônica de Novo México, nos Estados Unidos, Roberto Minczuk diz que sempre fica fascinado quando desembarca em Belo Horizonte a trabalho. Nessas ocasiões, o maestro gosta de destacar as qualidades da Sala Minas Gerais, que, segundo ele, "atende aos padrões internacionais das melhores salas de concerto do mundo".

Nesta quinta (16/09) e sexta (17/09), às 20h30, Minczuk terá o prazer de pisar no palco do espaço novamente, como maestro convidado da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais , que executa pela primeira vez a "Serenata nº 1", do compositor alemão Johannes Brahms (1833-1897).

O concerto inédito foi uma sugestão do próprio Minczuk recebida de bom grado pelo maestro titular da Filarmônica de Minas Gerais, Fábio Mechetti. "Trata-se de um Brahms desconhecido", explica o paulista. 

"Ele já era um compositor consagrado na Europa, mas tinha um grande receio em escrever sua primeira sinfonia, porque considerava muito difícil qualquer compositor fazer isso depois de Beethoven”, conta.

“Em 1855, ele fez uma primeira tentativa, mas desistiu logo da ideia, e então começou a trabalhar nessa ‘Serenata’. Ao invés de uma sinfonia, ele decidiu fazer uma coisa não tão pretensiosa", explica Minczuk.

RARÍSSIMA 

Segundo ele, o compositor, uma das mais importantes figuras do romantismo musical europeu, inseriu nessa composição algumas das ideias que depois seriam desenvolvidas nas quatro sinfonias que o tornaram conhecido e celebrado. "É uma peça muito pouco tocada, raríssima em qualquer orquestra de qualquer lugar do mundo", afirma.

"Ao mesmo tempo em que ela tem a grandiosidade da música sinfônica, a 'Serenata nº 1' guarda momentos de muita intimidade musical, com uma abordagem mais camerística, em que Brahms explora a sonoridade das madeiras e da trompa de uma forma muito singela. Como ele sabia que não seria comparado com Beethoven, Brahms se sentiu muito à vontade para escrever essa ‘Serenata’. É uma peça muito leve, solta, de uma delicadeza que surpreende", aponta.

Durante os ensaios – no total, serão cinco antes da apresentação para o público –, Minczuk nota a empolgação dos músicos da orquestra e acredita que isso se justifica pelo ineditismo da peça que será apresentada. "Tenho certeza de que o público vai adorar ouvir, porque é uma novidade para todo mundo", diz.

Nas duas noites, a Filarmônica apresenta a abertura da ópera "O morcego", de Johann Strauss (1825-1899). Segundo Minczuk, as composições combinam porque foram feitas de forma despretensiosa por seus respectivos compositores.

"Assim como a 'Serenata nº 1' não tem a pretensão de ser uma sinfonia, a ópera 'O morcego' não tem a pretensão de ser uma ópera. É uma opereta, na verdade. Tem um caráter leve, ligeiro, divertido e até mesmo jocoso. É uma obra que combina muito com a composição de Brahms", avalia.

Os violoncelistas Robson Fonseca e Lucas Barros executarão
Os violoncelistas Robson Fonseca e Lucas Barros executarão "Duplum". Ensaios tiveram a presença do compositor carioca João Guilherme Ripper (foto: Bruna Brandão/Divulgação)

VIOLONCELO 

Os violoncelistas da Filarmônica de Minas Gerais Robson Fonseca e Lucas Barros participam do programa apresentando "Duplum", do compositor carioca João Guilherme Ripper, que acompanhou pessoalmente os ensaios na terça-feira passada.

"Foi uma coisa bacana", comenta Minczuk sobre a presença do compositor. "Estamos acostumados a tocar músicas de compositores que já morreram, mas é importante também tocar a música de um compositor vivo. Ter a presença dele foi a oportunidade para trocar ideias e trazer conteúdo artístico para a interpretação da música", afirma.

No intervalo das duas apresentações, serão realizados os Concertos Comentados, palestras em que especialistas comentam o repertório da noite. Nesta edição, o convidado é o músico Alexandre Braga, flautista da orquestra.

E não é só a Sala Minas Gerais que tem encantado o maestro. Sobre os instrumentistas da orquestra, ele afirma que "estão em excelente forma". "Todos já chegam muito bem preparados, recebem as partes individuais com muita antecedência. Eles são altamente profissionais. O meu trabalho é juntar as partes e dar a interpretação, a forma e o fraseado. São detalhes."

Contente por poder testemunhar a retomada das atividades culturais após um longo ciclo de aberturas e fechamentos, Minczuk tem motivo para comemorar. No último fim de semana, ocorreu a estreia da ópera "Maria de Buenos Aires", de Astor Piazzolla (1921-1992), no palco do Theatro Municipal de São Paulo.

"Ao longo do último ano, vivemos esse vaivém. Depois do início da pandemia, pudemos retomar as atividades em outubro do ano passado. Depois disso, infelizmente, a gente teve que interromper novamente em março deste ano. A retomada ocorreu em junho, com 30% da casa e o número máximo de 50 músicos no palco. Agora, estamos conseguindo retomar não só os concertos, mas também os espetáculos de ópera e dança", ele conta.

Já o trabalho na Filarmônica de Novo México, nos EUA, foi totalmente interrompido em virtude da crise sanitária. A primeira retomada se deu em 4 de julho passado, em um concerto comemorativo pelo dia da independência do país norte-americano.

"Fizemos algumas produções virtuais, a distância. A partir de outubro, nós vamos iniciar a temporada e torcer para que nada atrapalhe os concertos que já estão agendados", afirma.

"Estou muito otimista e agradecido de poder voltar ao palco diante do músico. Fico feliz de ver que a situação no Brasil está melhorando. Ainda temos que ter muita cautela, usar máscara, manter o distanciamento social e evitar aglomerações, mas é bom saber que existe a possibilidade de frequentar os eventos culturais em segurança."

O maestro comenta que a pandemia o fez dar ainda mais valor para a cultura e a música, o que ele considera "essenciais para a saúde das pessoas".

"Evidentemente que, em um certo momento, cuidarmos da saúde física se tornou prioridade. Agora que estamos mais resguardados, é possível perceber que as pessoas estão de fato com a necessidade de frequentar os teatros e alimentar a alma. Esse é o papel da música. Ela é uma coisa quase espiritual, faz bem, traz tranquilidade e alegria. Precisamos desse reconhecimento de que a cultura e a arte são serviços essenciais."

Ambas as apresentações da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais contarão com a presença do público, com ocupação reduzida para 26% da capacidade total da Sala Minas Gerais, o que equivale a 393 pessoas. Em razão dos protocolos de segurança, o acesso à sala será encerrado cinco minutos antes do horário do concerto, ou seja, às 20h25. O concerto de hoje terá transmissão ao vivo pelo canal da Filarmônica no YouTube.

ORQUESTRA FILARMÔNICA DE MINAS GERAIS
Concertos nesta quinta (16/09) e sexta (17/09), às 20h30, na Sala Minas Gerais, Rua Tenente Brito Melo, 1.090, Barro Preto. O concerto de hoje será transmitido pelo canal do YouTube da Filarmônica. Ingressos de R$ 50 (inteira, mezanino) a R$ 155 (inteira, camarote). Vendas pelo site  filarmonica.art.br  ou na bilheteria do local. Informações: (31) 3219-9000


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