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Estado de Minas

Liniker lança 1º álbum solo, que tem participação de Milton Nascimento

"Índigo borboleta anil" é a aposta da cantora após trabalho com a banda Caramelows


13/09/2021 04:00 - atualizado 13/09/2021 06:58

"Índigo borboleta anil" é a aposta de Liniker após trabalho com a banda Caramelows: disco tem participação de Milton Nascimento (foto: Caroline Lima/divulgação)

Índigo borboleta anil” é o primeiro disco solo de Liniker, lançado na última quinta (9/08). O novo trabalho está conectado com o presente – tanto em termos sonoros quanto em relação às ideias e aos sentimentos da cantora. Entretanto, os fios desse casulo foram trançados há mais de uma década, quase instintivamente, quando Liniker tinha 15 anos, muito antes de ela se tornar uma artista importante na cena preta e LGBT+.

Trata-se da canção “Antes de tudo”, a segunda das 11 faixas do disco. Na letra, ela fala em voar. Avisa que perdeu o medo da chuva e partirá em busca de uma vida que até então não a deixavam viver plenamente. A dançante faixa, com o característico groove da voz de Liniker, tem a participação da Orkestra Rumpilezz, com arranjos de sopro, percussão e regência assinados por seu comandante, o maestro baiano Letieres Leite.

“Por ser um trabalho autoral, era natural que eu pegasse uma composição antiga e a reformasse. Isso me dá uma sensação de liberdade artística. Era como se essa música estivesse em uma adega esperando o momento para tomar outro rumo", disse Liniker.
 
A escolha da requisitada banda Rumpilezz conecta Liniker com antepassados recém-descobertos por ela. Em conversa recente com seu pai, a cantora descobriu que seu avô é de Casa Nova, no semiárido baiano. Tudo fez sentido. Inclusive, segundo ela, a forma calorosa com que sempre é recebida na Bahia – e sua predileção por passar períodos de folga por lá.
 
Assim como “Antes de tudo”, Liniker assina sozinha outras oito canções do álbum. Outras duas ganham adesão de parceiros. Porém, sua marca como compositora se impõe, por mais que nos discos que lançou ao lado dos Caramelows, projeto no qual ficou por cinco anos – “Cru”, “Goela abaixo” e “Remonta” – ela já tenha exercido essa função.
 
"Esse é diferente. É um lugar de maturidade. Em vez de cantar para outros amores, nesse disco, canto o meu amor-próprio. É sobre mim. Ressignifiquei minha escrita e encontrei outros caminhos para falar de afetos. Sou 100% eu, no agora. Estou feliz", afirma.
 
Esse movimento fez com que Liniker também assumisse a produção do álbum, função que ela divide com Gustavo Ruiz e Júlio Fejuca – este último, com quem ela trabalha desde 2019, quando fizeram o single “Presente” para o canal internacional do YouTube A Colors Show, em um passo que a cantora deu para o seu trabalho ser conhecido no exterior.
Juntos, eles chegaram à sonoridade de “Índigo borboleta anil” que a cantora define como um disco de "preto". Nele, há soul, R&B, hip-hop, samba, samba-rock e pagode. "É um disco de música preta da nossa cultura. Das coisas que sempre ouvi no meu quintal. Fui entender a pluralidade desses ritmos e a quantidade de som que minha família me apresentou. Quero dançar em qualquer nota", diz.

BITUCA Para referências além da família, Liniker chamou para o disco o cantor e compositor Milton Nascimento. Ele participa da faixa “Lalange”, uma reflexão sobre a vida de crianças pretas a partir de sua história pessoal e na omissão que resultou na morte do menino Miguel, de 5 anos, que caiu de um prédio no Recife, em 2020. Ou, como a cantora escreveu, o "menino que queria voar". A letra nasceu de um sonho de Liniker que a levou de volta para a creche em que estudou, em Araraquara, cidade do interior de São Paulo, onde ela nasceu, há 26 anos.
 
"Essa música é como se eu devolvesse algo para essa mãe. Não é a mesma coisa que seu filho, mas é chorar a dor junto com ela. 'Lalange' é um ciclo. É algo que está no onírico, sobre uma criança que virou ancestral e com presença de um ancestral vivo e presente, que é o Milton", explica Liniker, que cita o compositor como uma de suas maiores referências artísticas, ao lado de nomes como Djavan, Elza Soares, Alcione, Aretha Franklin Etta James, Beyoncé, Itamar Assumpção, Raquel Virgínia e Iza.
Na faixa, há a participação da Brasil Jazz Sinfônica, de São Paulo, com arranjos de cordas escritos pelo maestro Ruriá Duprat. A orquestra ainda está presente em outras quatro faixas do álbum. Em uma delas, “Lua de fé”, a solista escocesa Jennifer Campbell toca harpa.



LONGE DOS PALCOS “Baby 95”, assinada em parceria com Mahmundi, Tássia Reis e Tulipa Ruiz; o samba-rock “Diz quanto custa”, também com Tássia e Tulipa; “Vitoriosa”, um samba-enredo com sotaque paulistano; e “Mel” são as outros faixas do álbum que ainda não tem data para chegar aos palcos, mesmo que isso já seja possível com restrições a serem cumpridas pelas casas de shows. "Por enquanto, as pessoas podem dançar ouvindo-o em casa", diz a cantora que aprendeu que o tempo é seu aliado.  (Estadão Conteúdo)


  • ÍNDIGO BORBOLETA ANIL

  • Liniker
  • 11 faixas 
  • Disponível nas plataformas digitais



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