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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Festival de peças curtas traz 16 espetáculos gratuitos

Na segunda edição do evento promovido pelo La Movida tem temas que vão de sessões de análise a extraterrestres, em no máximo 15 minutos de duração


21/07/2021 04:00 - atualizado 21/07/2021 11:40

Na micropeça
Na micropeça "Sessão de terapia", uma renomada psicóloga desenvolve um método de sessões que duram 10 minutos (foto: André Zambonini/Divulgação)

Embora a reabertura de espaços culturais em Belo Horizonte já tenha sido autorizada, Marco Túlio e Clarice Castanheira, autores da iniciativa Microteatro La Movida, para exibição de peças de curta duração (até 15 minutos), com no máximo três atores em cena, decidiram manter no formato on-line o festival Miroteatro.br, que começa nesta quinta-feira (22/7), no Instagram (@lamovida).

Serão apresentadas 16 micropeças mineiras, sendo quatro voltadas para o público infantil. A programação vai até o próximo dia 31 e é gratuita. “A gente acha que é muito importante ter esse momento de resistência, de continuidade do projeto, seja ele virtual ou não. Até porque a gente não tem essa expectativa do retorno presencial ainda”, comenta Marco Túlio.

O grande desafio na adaptação para o ambiente on-line foi manter a sensação de intimidade com o público, uma das principais características do formato. Na transposição, os organizadores do evento optaram por espaços menores (de até 15m²) para a gravação dos espetáculos. Locais parceiros do projeto acolheram os artistas, como o Clementina (BH), Espaço Aberto Pierrot Lunar (BH), Grupo Trama de Teatro (Contagem) e C.A.S.A. (Nova Lima).  

A segunda edição do Microteatro La Movida procurará aprimorar a experiência do espectador remoto. Haverá um mestre de cerimônias para interagir com o público a distância e a posição horizontal das gravações substitui a vertical, adotada pelo festival em 2020.  

EDITAL 
A seleção das micropeças foi feita por meio de chamada pública, com a finalidade de ampliar os benefícios dos recursos distribuídos pela Lei Aldir Blanc. Participam os seguintes artistas: Carolina Correa, Ana Carolina Siqueira, Clara Fadel, Marcus Labatti, Alexandre Toledo, Chico Aníbal, Margareth Serra, Idylla Silmarovi, Juliana Abreu, Maria Tereza Costa, Micheline de Paula, Elisângela Souza, Lira Ribas, Sitaram Custódio e Marcelo Veronez.

As apresentações infantis serão transmitidas aos sábados, às 16h. A programação oferece oito apresentações inéditas. Mesmo com os limites técnicos do microteatro, diferentes gêneros e estéticas fazem parte do festival, como musicais, drama, comédia, teatro de bonecos, animação, show e teatro de máscaras. 

Diferentemente do ano passado, a curadoria do festival não limitou a temporada por temas, como é típico do microteatro espanhol, inspiração para o La Movida. Sendo assim, os temas variam e entre eles estão o do convívio de duas pessoas durante o isolamento social (“Derperte!”, da Cia Dois em Um) e a missão de dois extraterrestres em busca de algum sentido do que restou da humanidade (“Isso não é uma opereta", de Marcelo Veronez).  

Já em “Sessão de terapia”, de Ana Carolina Siqueira e Clara Fadel, uma renomada psicóloga propõe um novo método de terapia, denominado terapia flex passiva, que consiste em sessões de 10 minutos. A livre adaptação do conto “O milagre secreto”, de Jorge Luis Borges, é protagonizada por Marcus Labatti e Alexandre Toledo. A trama é ambientada no período do nazismo, quando um escritor judeu recebe um milagre divino enquanto aguarda sua execução: a possibilidade de concluir seu livro.   

Duas obras inéditas discutem a questão hídrica com perspectivas distintas. “Mãe d’água e a enchente”, da Cia Boemia Literária, aborda o desaparecimento dos rios e riachos no ambiente urbano. Na mostra infantil, “O bicho folharal”, do grupo Movência, narra a aventura dos animais para conseguir água num momento de seca. No entanto, um deles não pretende ajudar. Como ele vai fazer para matar a sede é a grande questão. 

Além disso, a programação inclui obras sobre mulheres negras discutindo o amor (“Uma, outra”), sarau com poemas de Florbela Espanca musicados ("Porque Espanca"), as percepções de um homem que se prepara para a morte ("Carta para Mishima"), além do processo de mudança de uma criança para o interior de Minas e que conhece um novo amigo por lá, um passarinho (“Passarinho Alberto”). 

Marco Túlio afirma que a diversidade sempre foi uma característica do La Movida. “Belo Horizonte vem produzindo tanta coisa, que reflete muito nas nossas programações.” Segundo ele, a segunda edição oferece uma maior quantidade de peças que não são monólogos, incluindo dois ou três artistas no palco, sendo outra novidade.

Na primeira edição, o La Movida se preocupou em minimizar o impacto da edição no conteúdo. Em 2021, esse critério não foi mais usado. “Isso não significa, em nossa opinião, que o espetáculo seja mais cênico ou mais audiovisual. Oferecemos aos artistas a possibilidade de eles também fazerem a sua edição. Então vai ter micropeça com essa pegada de transmissão ao vivo e existem outros materiais nos quais a edição faz parte da dramaturgia”, diz Marco Túlio.  

Os organizadores têm a expectativa de alcançar um público tão diverso quanto a programação. “A gente teve esse resultado na primeira temporada virtual. Então estamos esperando pessoas do Brasil todo e até de fora do país para acompanhar as produções que são feitas em Minas Gerais, principalmente na Região Metropolitana de BH.”

Microteatro.br 
Segunda edição do festival de peças curtas promovido pelo Microteatro La Movida.Desta quinta (22/07) a 31/07. Sessões virtuais gratuitas. No Instagram (@lamovidamicroteatro). Mostra de teatro adulto às quintas e sextas, às 21h, 21h20 e 21h40. Mostra de teatro infantil aos sábados, às 16h e 16h20.

*Estagiário sob supervisão da editora Silvana Arantes




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