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Estado de Minas CINEMA

Festival ajuda a 'achar' curtas brasileiros perdidos no limbo da internet

Curtaflix exibe 293 filmes em 63 sessões on-line e gratuitas. Kleber Mendonça Filho, Leon Hirszman, André Mascaro e André Novais estão entre os diretores


09/04/2021 04:00 - atualizado 09/04/2021 07:21

Lançado em 1969, 'Nelson Cavaquinho', curta-metragem dirigido por Leon Hirszman, é um dos destaques da programação(foto: Curtaflix/divulgação)
Lançado em 1969, 'Nelson Cavaquinho', curta-metragem dirigido por Leon Hirszman, é um dos destaques da programação (foto: Curtaflix/divulgação)
O Curtaflix – Festival de Curtas On-line exibe 293 títulos brasileiros, divididos em 63 sessões, até 17 de abril. O público poderá assistir gratuitamente a filmes de Kleber Mendonça Filho, Leon Hirszman, Karen Akerman, Humberto Mauro, Eliza Capai, Kiko Goifman, André Mascaro, André Novais, Grace Passô e Gabriel Martins, entre outros diretores.

A ideia surgiu durante a pandemia diante da impossibilidade de realizar eventos presenciais. Acostumado a promover festivais de cinema, Victor Fisch, idealizador e diretor do Curtaflix, afirma que a maioria não funciona no formato on-line. Diante da qualidade de curtas disponíveis na internet, Fisch buscou organizar algo atrativo, oferecendo um panorama da potente produção nacional.

“Alguns curtas se perdem na rede, brinco que eles vivem no limbo da internet. É um material muito bom, com coisas incríveis, mas ninguém acha. Só encontra quem realmente está procurando aquela obra”, explica.

NA REDE

Fisch convidou 21 curadores, entre cineastas, produtores culturais e profissionais do audiovisual, para montar três sessões de até 90 minutos. As 63 temáticas contemplam o repertório disponível gratuitamente na internet, em plataformas como YouTube e Vimeo.

A “playlist cinematográfica” se divide, entre outras temáticas, em “Ambiental”, “Orgulho negro”, “Infantil”, “Futebol e surfe”, “Olhares regionais”, “Curtas sobre cinema”, “Acessibilidade”, “Invisibilidade e questões sociais”,“Curtas que vão tocar seu coração”, “Animação”, “Cinema fantástico e de terror”, “Música”, “Comédias”, “Curtas estranhos que vão te prender na tela” e “Mulheres porretas”.

“Há um pensamento por trás de cada sessão. Não é só uma seleção de filmes”, reforça Fisch, observando que a curadoria levou em consideração a duração dos filmes, a combinação entre eles e dramaturgia ligada ao tema. “Curtas sozinhos são uma coisa. O curta dentro de uma sessão gera outro olhar.”

A mineira Ananda Guimarães, diretora da Mostra Audiovisual de Cambuquira (Mosca) e curadora do Curtaflix, conta que buscou organizar sessões de forma “que um filme engrandeça o outro, construindo uma narrativa”. De acordo com ela, esse modelo garante sobrevida às obras. “O formato aumenta o tempo de vida útil dos filmes, não deixa que eles fiquem perdidos em meio a tanta informação na rede.”

Destacam-se, por exemplo, curtas assinados por aclamados diretores de longas, como “Nelson Cavaquinho”, de Leon Hirszman (1937-1987), autor do o clássico “Eles não usam black-tie” (1981). O pernambucano Kleber Mendonça Filho, diretor dos aclamados “Aquarius” (2016) e “Bacuraru (2019), comparece com os curtas “Vinil verde” (2004), “Recife frio” (2009) e “Copa do Mundo no Recife” (2014). A agenda traz também o curta “A onda traz, o vento leva”, de Gabriel Mascaro, sobre o cotidiano de um rapaz surdo. Mascaro é diretor dos longas “Boi neon” (2015) e Divino amor” (2019).

A possibilidade de experimentação, sem preocupação comercial, e a produção com baixo custo faz dos curtas uma espécie de “categoria de base” para diretores que depois se dedicam a longas. “É difícil alguém começar um projeto maior sem ter feito algum curta” diz Fisch.

No entanto, o curador destaca que não se trata de categoria exclusiva de iniciantes. Exemplo disso é o consagrado Pedro Almodóvar. Vencedor de dois Oscars – “Tudo sobre minha mãe” (2000) e “Mulheres à beira de um ataque de nervos” (1989) –, o espanhol lançou este ano o curta “A voz humana”, protagonizado por Tilda Swinton, adaptação do livro do poeta francês Jean Cocteau.
 
O Curtaflix exibe amplo repertório mineiro. Foram selecionados quatro títulos da produtora Filmes de Plástico, de Contagem, famosa por retratar a vida na periferia de Belo Horizonte. André Novais assina dois – “Os fantasmas” (2011) e “O quintal” (2015) –, Gabriel Martins, outros dois: “Nada” (2017) e “Rapsódia para o homem negro” (2015).

Grace Passô, atriz do longa “Temporada” (2018), de Novais, vencedor do Festival de Brasília, dirigiu o curta “República” (2020). E “A retirada para um coração bruto” (2017), de Marco Antônio Pereira, foi selecionado por três curadores.

'A onda traz, o vento leva', curta de Gabriel Mascaro, conta a história de um jovem surdo(foto: Curtaflix/divulgação)
'A onda traz, o vento leva', curta de Gabriel Mascaro, conta a história de um jovem surdo (foto: Curtaflix/divulgação)

MÍDIA

A sessão “Curtas para entender o Brasil” traz três títulos dirigidos por curadores do Curtaflix. Entre eles está “Quem matou Eloá?” (2015), de Lívia Perez, que analisa a forma como a mídia televisiva abordou o sequestro de uma garota de 15 anos pelo ex-namorado, em 2008. “É um dos curtas com maior repercussão nacional, somando mais de 500 mil views no YouTube. Ele continua rodando o mundo, sendo convidado para debates”, informa Fisch.

Ananda Guimarães destaca a sessão “Infantil” por contemplar o crescimento da produção de curtas do gênero nos últimos 15 anos. “Houve não só aumento, como maior qualidade de atores e narrativas. Inclusive com editais de filmes para crianças”, observa.

Todo o conteúdo do festival, que foi viabilizado pela Lei Aldir Blanc, pode ser visto na plataforma do evento. Alguns filmes ficarão disponíveis até 17 abril, mas boa parte deles permanecerá acessível por um ano.

CURTAFLIX – FESTIVAL DE CURTAS ON-LINE
Até 17 de abril. Programação e informações: www.curtaflix.com.br

* Estagiário sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria


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