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Estado de Minas LIVROS

Rua das livrarias de BH prepara as estantes para receber leitores de volta

Em situação difícil, lojas investem em estratégias de vendas personalizadas e campanha de apoio, como a Abrace a Quixote, de vale-compras


21/04/2021 06:00 - atualizado 21/04/2021 09:10

A Quixote Livraria lançou campanha de vale-compra para desafogar seu caixa(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
A Quixote Livraria lançou campanha de vale-compra para desafogar seu caixa (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

Alencar Perdigão e Cláudia Masini, sócios-fundadores da Quixote Livraria, na Savassi, postaram na manhã dessa terça-feira (20/4) um vídeo no Instagram em agradecimento às pessoas que aderiram à campanha Abrace a Quixote. 

Criada na semana passada, a iniciativa é um pedido de ajuda no “momento mais crítico” já enfrentado pela livraria-café, que completa 18 anos no próximo mês de agosto. Foram criados vales-compras de valores diversos (de R$ 80 a R$ 1 mil) para auxiliar nas contas. A adesão surpreendeu, e a campanha permanece no ar.

Nesta quinta-feira (22/4), com a mais recente autorização da Prefeitura de Belo Horizonte para a reabertura do comércio não essencial, as tradicionais livrarias da Rua Fernandes Tourinho – além da Quixote, a rua abriga também a Ouvidor e a Scriptum – abrirão, mais uma vez, suas portas para o público. 

Foram tantos abre e fecha desde março de 2020, quando teve início a pandemia da COVID-19, que os proprietários já perderam as contas. Mas o cenário atual, admitem, é pior do que o do ano passado. 

Os sócios Alencar Perdigão e Cláudia Masini agradeceram em vídeo a adesão dos clientes, que foi superior à sua expectativa(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Os sócios Alencar Perdigão e Cláudia Masini agradeceram em vídeo a adesão dos clientes, que foi superior à sua expectativa (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Segundo estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 9,55 mil pontos de venda foram fechados em Minas Gerais em decorrência da crise sanitária, somente em 2020. As livrarias de rua, que antes da pandemia já sofriam com a crise do mercado livreiro, se veem ainda mais ameaçadas. 

“O fantasma do fechamento existe e foi por isso que a campanha precisou ser feita. É sobrevivência mesmo. A gente fica sempre em dúvida ao lançar uma campanha, mas tivemos um retorno surpreendentemente positivo”, afirma Perdigão. 

A partir desta quinta, ele espera que o panorama melhore. “(Quando as portas são reabertas) As pessoas voltam, mas devagarzinho, não é uma coisa de uma hora para outra. Tudo depende das notícias da epidemia, de as pessoas se sentirem em segurança”, diz ele. Dada a adesão à campanha, foram disponibilizados mais dois números de WhatsApp para atender o público. 

O barco tem que correr, e as três livrarias, vale dizer, não pararam de atender em momento algum ao longo de todo o período de isolamento social. De portas fechadas, passaram a vender via rede social e WhatsApp, com delivery ou entrega na porta (quando foi permitido, o que não ocorreu no fechamento mais recente do comércio em BH). 

“No ano passado, com delivery junto ao auxílio do governo, deu para sobreviver. Mas este ano tivemos uma queda de 70% desde janeiro”, comenta Perdigão. A situação é semelhante para todas. Cada qual ao seu modo, as livrarias buscaram se reinventar. 

“No ano passado, eu já comentava que o que mais me preocupava era este ano”, afirma Welbert Belfort, da Scriptum, que completou neste mês 24 anos de existência. Na opinião dele, em 2020, houve um maior giro da economia.  

Welbert Belfort, da Scriptum, investiu no site da livraria para manter as vendas durante o período de fechamento da loja ao público, devido à pandemia(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Welbert Belfort, da Scriptum, investiu no site da livraria para manter as vendas durante o período de fechamento da loja ao público, devido à pandemia (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
Da terceira geração de administradores da tradicional Ouvidor, que chegou aos 51 anos em fevereiro, Bernardo Ferreira admite que a situação está ruim para todos. “Este ano, por uma série de motivos, foi o período (dentro da pandemia) mais fraco. O que aconteceu em relação à última vez (em que houve fechamento do comércio não essencial) é que havia uma circulação menor de pessoas.”
A despeito das perdas, as três livrarias estarão de portas abertas a partir de amanhã normalmente – e com atendimento de acordo com os protocolos sanitários, obviamente. “Estamos com todas as novidades e os funcionários de volta. Só a Simone (Pessoa, a mais conhecida livreira de BH) retorna semana que vem, pois está viajando e não conseguiu voltar antes”, acrescenta Ferreira. 

Todas as três livrarias, cada qual com sua especialidade, investem em lançamentos – caso os volumes não estejam disponíveis na loja no momento, elas podem providenciar o pedido às distribuidoras para rápida entrega. 

Tanto Scriptum quanto Quixote são também editoras e, mesmo com a crise, continuaram lançando títulos. A Quixote publicou 15 novos livros. Na ausência da tradicional manhã (ou tarde) de autógrafos, foram realizadas lives com os respectivos autores. 
 

Lançamentos

 
“O lançamento presencial é insubstituível. Um livro que poderia ter vendido 100 exemplares (numa tarde de autógrafos) vende 30 em uma live”, comenta Perdigão. Neste momento, não é possível ainda retornar com as sessões de autógrafos, mas, quando elas voltarem a ocorrer, serão mais do que bem-vindas.

Com a onda roxa, o comércio não essencial de Belo Horizonte estava fechado desde 6 de março passado. Sem a possibilidade, existente nos fechamentos anteriores, de retirada das compras pelo cliente na loja (somente o sistema de delivery estava permitido para as livrarias), Belfort comenta que perdeu a venda daquele interessado que ia até a porta da Scriptum e, numa conversa ou outra com o livreiro, levava um livro a mais.

Nos dias de hoje, ele comenta, o forte de sua venda é via site da Scriptum. “Consegui negociar, mostrei que precisava e hoje vendo livro no site em até 10 vezes sem juros. Não posso me comparar em preço com a Amazon, mas a todo momento busco novas estratégias para venda”, diz Belfort, que contabiliza uma queda de 50% nas vendas no primeiro trimestre de 2021.

A referência ao gigante do e-commerce é um assunto urgente quando se fala em livrarias de rua, pois não há como os pequenos competirem em preço com a Amazon e congêneres. Há anos discute-se no país a adoção da política do preço fixo (como existe há décadas na França). 

Com esse mecanismo, em qualquer que seja a loja, grande ou pequena, o valor do título é o mesmo. “Seria a nossa salvação, mas a questão nunca foi levada a sério no Congresso. Hoje estão querendo taxar o livro, um movimento contrário a isso”, observa Perdigão. 


De portas abertas (presencial ou virtualmente)


A Ouvidor planeja reabrir nesta quinta com lançamentos disponíveis para atualizar as estantes dos consumidores de livros(foto: Leandro Couri/EM/DA Press)
A Ouvidor planeja reabrir nesta quinta com lançamentos disponíveis para atualizar as estantes dos consumidores de livros (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

• Ouvidor – Rua Fernandes Tourinho, 253, Savassi, (31) 3221-7473/98316-5228
• Quixote – Rua Fernandes Tourinho, 274, Savassi, (31) 3227-3077/98676-1007. No Instagram (@quixotelivraria) estão os links para os vales-compras da campanha Abrace a Quixote. 
• Scriptum – Rua Fernandes Tourinho, 99, Savassi, (31) 3223-1789/99951-1789. 


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