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Estado de Minas CINEMA

Netflix lança documentário sobre Chadwick Boseman, que ficará 30 dias no ar

Filme mostra como o falecido ator, cotado para o Oscar, construiu sua carreira. Viola Davis, Spike Lee e Denzel Washington se emocionam ao falar dele


20/04/2021 04:00 - atualizado 20/04/2021 07:12

Viola Davis lê as minuciosas anotações de Chadwick Boseman no roteiro de 'A voz suprema do blues'(foto: Netflix/divulgação)
Viola Davis lê as minuciosas anotações de Chadwick Boseman no roteiro de 'A voz suprema do blues' (foto: Netflix/divulgação)
Em sua trajetória cinematográfica, ele já foi Jackie Robinson, James Brown, Thurgood Marshall e ficou eternizado como o super-herói Pantera Negra. Favorito ao Oscar de melhor ator, que será entregue domingo (25/4), em Los Angeles, pelo papel do excêntrico trompetista Levee Green em “A voz suprema do blues”, Chadwick Boseman acaba de estrelar mais um filme. Porém, desta vez o personagem principal é o próprio artista, como ele próprio faz questão de se definir logo naprimeira cena de “Chadwick Boseman: Para sempre”.

EMOÇÃO  

Em cartaz na Netflix desde sábado (17/4), o documentário de 21 minutos ficará disponível por apenas 30 dias na plataforma. Dirigido pelo multiartista etíope-americano Awol Erizku, o curta homenageia a brilhante carreira do astro, precocemente interrompida aos 43 anos pelo câncer, em agosto de 2020.

As atrizes Danai Gurira e Viola Davis, o cineasta Spike Lee e o ator e produtor Denzel Washington, entre outros artistas que dividiram sets de filmagem com ele, dão depoimentos breves, mas emocionados, sobre como a sensibilidade de Boseman fazia a diferença perante as câmeras e, especialmente, para a construção de uma representatividade social justa para a população afro-americana.

Os convidados corroboram a declaração do próprio homenageado, resgatada na abertura do documentário: “Eu sou Chadwick Boseman. Sou um artista. Dizem que sou um ator. Eu não me consideraria um ator. Eu me considero um artista”. E assim ele é descrito por quem testemunhou de perto seu empenho em cada cena.

Viola Davis, com quem contracenou em “A voz suprema do blues”, exalta a incansável dedicação do colega ao trabalho, referindo-se a Boseman como “um coadjuvante no corpo de um protagonista”. Pela dobradinha, ambos concorrem ao Oscar 2021 de melhor ator e melhor atriz. Produzido pela Netflix, o longa sobre a cantora Ma Rainey (personagem de Davis) recebeu outras três indicações: cabelo e maquiagem, figurino e design de produção.

O documentário de Awol Erizku também traz os depoimentos de George C. Wolfe, diretor de “A voz suprema do blues”, e dos atores Taylour Paige e Glynn Turman. Cenas dos bastidores das filmagens e trechos emblemáticos do longa, a última atuação de Boseman no cinema, ilustram as reverências feitas a ele.

BÍBLIA 

A produção do documentário teve acesso ao roteiro com as falas de Boseman em “A voz suprema do blues”. Com teor extremamente pessoal, este texto – “a bíblia particular de cada ator”, segundo Viola Davis – foi compartilhado com a atriz e colegas de elenco. Eles leem para o público as anotações feitas por Boseman sobre o que pensava a respeito de algumas cenas e como pretendia fazê-las.

Além de celebrar o último trabalho de Chadwick Boseman, o documentário lembra outros papéis importantes dele. Spike Lee, diretor de “Destacamento Blood”, que concorre ao Oscar de melhor trilha sonora, fala de sua admiração pelo ator, que viveu Stormin' Norman em seu longa. O cineasta destaca o Pantera Negra “no topo” de várias interpretações notáveis.

Danai Gurira, que interpretou a general Okoye no filme da Marvel, descreve como Boseman fazia a diferença na construção das cenas e do próprio personagem.

A atuação do ator como o lendário músico James Brown em “Get on up” (2014) é destacada pelo diretor Tate Taylor. Brian Helgeland e Reginald Hudlin, que o dirigiram em “42 – A história de uma lenda” e “Marshall: Igualdade e justiça”, respectivamente, ressaltam sua versatilidade em papéis biográficos de negros que se destacaram pelo grande talento e contribuição social.

Porém, a potência artística de Chadwick Boseman fora de qualquer papel é o ponto alto do breve documentário. A atriz, diretora e produtora Phylicia Rashad, professora da Universidade de Howard, onde o ator se graduou, fala sobre o jovem estudante que se destacava pela ilimitada vontade de criar. “Ele não limitaria sua experiência de crescimento e aprendizagem por causa das diferenças culturais”, diz Rashad, lembrando que “Chad” estudou para ser cineasta, mas a sede de saber o levou a aprender a atuar.

DOUTOR 

Em Howard, Boseman ampliou a compreensão de que seu principal papel como artista não estaria ligado a apenas um personagem ou a uma trama. Isso fica claro em seu discurso ao receber o título de doutor em letras humanas, há quase três anos, naquela universidade. Embora as cenas não sejam inéditas, sua inclusão no documentário arremata bem a homenagem.

“Não sei qual é o seu futuro, mas se quiser seguir o caminho mais difícil, é melhor encontrar um propósito do que um emprego ou carreira”, disse o ator. “O propósito é um elemento essencial em você. É por isso que você está no planeta neste momento da história. Seja qual for a carreira que escolher, os obstáculos pelo caminho só servem para moldá-lo para o seu propósito. Quando ousei desafiar o sistema que nos relega a vítimas e estereótipos sem esperança ou talento, quando questionei essa forma de representação, um caminho diferente se abriu para mim. O caminho para o meu destino”, revelou Chadwick Boseman.

“CHADWICK BOSEMAN: PARA SEMPRE”
Documentário
21 minutos
Direção: Awol Erizku
Disponível na Netflix

PRÊMIOS

Este ano, importantes prêmios póstumos foram dados a Chadwick Boseman por seu trabalho em “A voz suprema do blues”: Globo de Ouro, SAG e Critic's Choice Awards. Isso faz dele forte candidato ao Oscar. Se vencer, será o terceiro ator premiado depois de morrer – os outros são Peter Finch, por “Rede de intrigas”, em 1977, e Heath Ledger, que levou a estatueta de ator coadjuvante por “Batman: O cavaleiro das trevas”, em 2009.


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