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Estado de Minas CINEMA

Veja onde encontrar serviços de streaming gratuitos e de perfil cinéfilo

Diante da crise, distribuidores de filmes criam as próprias plataformas para se manter atuantes e permitir que títulos inéditos e clássicos cheguem ao público


14/04/2021 04:00 - atualizado 14/04/2021 07:13

'Uma questão pessoal', dos irmãos Taviani, está no catálogo da Supo Mungam Plus, lançada em dezembro passado(foto: Stemal Enterteinment/Divulgação)
'Uma questão pessoal', dos irmãos Taviani, está no catálogo da Supo Mungam Plus, lançada em dezembro passado (foto: Stemal Enterteinment/Divulgação)
Um cinema de rua que exibe filmes independentes não tem condições de brigar com o de shopping, que arrasta multidões para ver produções de super-heróis. Isso na época em que havia salas abertas. No mundo da pandemia, em que o consumo audiovisual transferiu-se para o streaming, embate semelhante, à moda Davi x Golias, continua ocorrendo.

“Na verdade, a gente enfrenta competidores ainda maiores, empresas mundiais de capilaridade global com um capital financeiro impossível de competir. Mas há uma diferença (em relação ao cinema). Quando você decide comprar um ingresso e entrar no Cinemark, você não entra no Belas Artes. Mas você pode ter tanto a Netflix quanto o À La Carte”, comenta André Sturm.

À frente do Cine Belas Artes, tradicional sala de rua de São Paulo, e da distribuidora Pandora Filmes, Sturm também responde pelo Belas Artes À La Carte. Em abril de 2020, após alguns meses de uma versão de teste, a plataforma de streaming entrou no ar no modelo em que está hoje. Exibe títulos de destaque da cinematografia mundial e lança filmes a cada semana, com uma escolha pautada por uma curadoria. 

Quantidade não é o que importa, e sim qualidade, o que inverte a equação dos gigantes mundiais do streaming, Netflix e Prime Video, os mais populares no Brasil, que despejam títulos semanalmente em seus catálogos. 

'A fita branca', premiado longa de Michael Haneke, é uma das atrações do catálogo da Reserva Imovision, que começa a operar neste mês(foto: Imovision/Divulgação)
'A fita branca', premiado longa de Michael Haneke, é uma das atrações do catálogo da Reserva Imovision, que começa a operar neste mês (foto: Imovision/Divulgação)

SELEÇÃO

Um ano após o início da pandemia da COVID-19, outras distribuidoras, na impossibilidade de lançar filmes inéditos nos cinemas, também criaram suas próprias plataformas. 

O modelo de todas é semelhante: uma boa seleção de filmes autorais, nacionais e internacionais, recentes e antigos, tanto já exibidos em salas quanto inéditos no Brasil.

Na medida do possível, as distribuidoras tentam segurar os lançamentos para quando os cinemas reabrirem. Mas há filmes celebrados que estão indo diretamente para o mercado do streaming, pois não podem perder o timing. O À La Carte, por exemplo, vai exibir a partir desta quinta (15/4), via aluguel, “Meu pai”, de Florian Zeller, que concorre a seis Oscars e já está disponível para compra em outras plataformas.

Também exibidor – tem complexos em São Paulo e Niterói – e distribuidor, o francês Jean Thomas Bernardini, que atua há 30 anos no mercado cinematográfico brasileiro, lança em 21 de abril o Reserva Imovision. A plataforma estreia com 250 títulos e pretende chegar até o fim deste ano com mil. 

“A vantagem é que a gente possui os filmes, então dá para regular para mais ou para menos o que vamos lançar. Não vamos e nem queremos rivalizar com os grandes players. Mas as pessoas que assistem à Netflix, por exemplo, a maioria está lá pelas séries. Os pequenos não lançam séries, e nós vamos lançar, além de filmes clássicos, recentes e inéditos”, conta Bernardini.

Duas séries inéditas no país que estarão no catálogo do Reserva Imovision são a britânico-neozelandesa “Os luminares”, drama de época estrelado por Eva Green, e a francesa “Mistérios em Paris”, produção com episódios independentes sobre crimes ocorridos em lugares icônicos da Cidade Luz, como o Moulin Rouge, a Torre Eiffel e o Louvre.

Indicado a seis Oscars, o drama 'Meu pai' ficará disponível para aluguel nesta quinta (15/4), no Belas Artes À La Carte(foto: Califórnia Filmes/Divulgação)
Indicado a seis Oscars, o drama 'Meu pai' ficará disponível para aluguel nesta quinta (15/4), no Belas Artes À La Carte (foto: Califórnia Filmes/Divulgação)

MINEIRA

Prevista para entrar no ar em maio, a Embaúba Play é uma plataforma mineira ligada à distribuidora de mesmo nome voltada para a produção nacional independente e contemporânea.

“Como atuei como programador de festivais de cinema, dava angústia ver muitos bons filmes que passavam no circuito de eventos e depois sumiam do mapa. Mesmo que o streaming tenha um público potencial gigantesco, não tenho ilusões, tenho consciência do lugar que a Embaúba Play vai ocupar. Se fosse no universo do cinema, seria como uma sala alternativa”, diz Daniel Queiroz.

O streaming, vale dizer, não vai substituir o cinema. “Tenho convicção de que, diminuída a pandemia, o público voltará em larga escala a frequentar as salas”, diz Sturm. Mas esse retorno não pode demorar muito mais. A Imovision tinha planejado lançar 42 títulos inéditos nos cinemas no ano passado. Lançou apenas três.

“O pior que pode acontecer com o cinema é não ter filme. Eu queria ter lançado mais, mas quando ninguém mais lançou, não consegui manter”, diz Bernardini, acrescentando que não sabe como será o futuro de suas salas caso o fechamento se prolongue muito mais. “Se for por mais um ano, teremos que avaliar o que fazer.”

Diante da impossibilidade de levar inéditos aos cinemas, outra distribuidora dedicada à produção autoral, a Supo Mungam, lançou em dezembro passado sua plataforma, a Supo Mungam Plus. Pedro H. Leite diz que, neste momento, o foco da empresa está exclusivamente na plataforma, e não na distribuidora.   

'Ela volta na quinta', de André Novais Oliveira, é um dos títulos da mineira Embaúba Play, que estreia no mês que vem(foto: Filmes de Plástico/Divulgação)
'Ela volta na quinta', de André Novais Oliveira, é um dos títulos da mineira Embaúba Play, que estreia no mês que vem (foto: Filmes de Plástico/Divulgação)

JANELAS

“A maioria das pessoas que nos acessa provavelmente tem também Netflix e outras plataformas do tipo. Acredito que tudo são janelas (de exibição) e há espaço para todo mundo”, afirma Leite.

Sturm tem uma visão diferente sobre o tema: “Acho saudável que existam várias plataformas. As pessoas, dependendo do poder aquisitivo, terão três, quatro, cinco assinaturas. Mas também acho que, como todo o mercado (de streaming) está em crescimento, entram muitos atores. Duvido que daqui a um ano as mesmas plataformas estejam ainda no mercado.”

Além das plataformas pagas, há também iniciativas gratuitas. Braço de distribuição da O2, uma das maiores produtoras do país, a O2 Play lançou em março passado a O2 Play Filmes Brasileiros, um canal na plataforma americana Vix. Neste momento, são 39 títulos disponíveis de graça. 

“Temos até 70 títulos em vista, esta é a fase inicial apenas. Por enquanto, estamos disponíveis somente no Brasil, mas caso a Vix abra a porta, queremos levar (o canal) para outros mercados”, diz Igor Kupstas, diretor da O2 Play, que descarta, pelo menos neste momento, um serviço de streaming próprio. “Nossa prioridade é ser o melhor parceiro possível do maior número de plataformas.”

No ar desde o final de 2017, a SPCine Play, plataforma da SPCine, empresa pública de cinema e audiovisual de São Paulo, deu um salto no último ano. Desde o início da pandemia, o acesso passou a ser gratuito. Esperava-se um pico de visualizações nos primeiros meses da pandemia e que os números diminuíssem em seguida. No entanto, a média se manteve. De fevereiro de 2020 (antes da pandemia) a fevereiro de 2021, o aumento de público foi de 1.933,7%. 

O SPCine Play tem um bom número de filmes, mas também mantém uma constante renovação de seu catálogo, porque é a plataforma utilizada para vários festivais de cinema, todos relegados ao streaming, diante da crise sanitária. Para o futuro, o desafio é tornar a plataforma rentável.

REDE DE PLATAFORMAS

Confira serviços que começaram a operar durante a pandemia e outros que serão lançados em breve


Modalidade: Mensalidade (R$ 9,90), anuidade (R$ 108,90) e aluguel (somente lançamentos, a partir de R$ 4,90)
Destaques: Abrangendo a cinematografia mundial de diversas décadas, conta com 400 títulos. A cada semana há quatro lançamentos. Traz ainda festivais on-line. Há títulos de Wim Wenders, Serguei Eisenstein, Akira Kurosawa, John Huston, Woody Allen, Nagisa Oshima 


» EMBAÚBA PLAY
A partir de maio.
Modalidade: Aluguel (média de R$ 10 por longa e R$ 5 por curta)
Destaques: Voltada para a produção contemporânea brasileira dos últimos 15 anos, vai estrear com cerca de 300 filmes, sendo títulos de Kleber Mendonça Filho, Adirley Queiróz, Rafael Conde, Helena Ignez, Gabriel Mascaro, Affonso Uchôa e da produtora mineira Filmes de Plástico 


Modalidade: Gratuito
Destaques: O canal que integra a plataforma Vix reúne 39 filmes nacionais, entre ficção e documentário. Destaque para “Domésticas”, de Fernando Meirelles, “Festa”, “Boleiros” e “Boleiros 2”, de Ugo Giorgetti, e “Cildo”, de Gustavo Rosa de Moura


» RESERVA IMOVISION

A partir de 21 de abril
Modalidade: Assinatura e aluguel (valores não anunciados)
Destaques: Abrangendo a cinematografia mundial, além de séries independentes, estreia com 250 títulos. A cada semana haverá lançamentos. Haverá títulos de Michael Haneke, Fatih Akin, Nagisa Oshima, irmãos Dardenne, Alain Resnais, Jean-Luc Godard e François Ozon

Modalidade: Mensalidade (R$ 23,90) e anuidade (R$ 199,90)
Destaques: Abrangendo a cinematografia mundial de diversas décadas, conta com 70 títulos. Traz lançamentos semanais. Há títulos de Jane Campion, Sébastien Marnier, Chantal Akerman, Isabel Coixet, Atom Egoyan, Milos Forman e Agnieszka Holland



Modalidade: Gratuito
Destaques: Abrange clássicos da cinematografia nacional, produtos originais gerados de espetáculos e eventos culturais em São Paulo, e também atua como plataforma de festivais e eventos de cinema


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