Publicidade

Estado de Minas MÚSICA

Alexandre Araújo lança 'Berimblues', disco instrumental gravado há 34 anos

Fruto da parceria do compositor e guitarrista mineiro com Jonas Lins, álbum mescla ritmos afro-brasileiros e orientais com rock, folk, blues e flamenco


10/04/2021 04:00 - atualizado 10/04/2021 08:24

Alexandre Araújo diz que
Alexandre Araújo diz que "Berimblues" se tornou importante para a música instrumental de Minas ao trazer ambiências diversificadas (foto: Ricardo T. Q. Rodrigues/divulgação)

Sons primitivos e contemporâneos se encontram em “Berimblues”, disco gravado em 1987 pelo guitarrista, violonista e compositor Alexandre Araújo, que agora chega às plataformas digitais pelo selo Naza Music. A sonoridade é marcada pela fusão de ritmos afro-brasileiros e orientais com elementos do rock progressivo, blues, jazz e folk. A direção do projeto autoral é assinada pelo violonista André Geraissati.

Além de Alexandre Araújo (sitar e guitarra), autor das canções e dos arranjos, “Berimblues” contou com a participação de Jonas Lins (berimbau e percussão) e Mauro Rodrigues (flautas, percussão e órgão). De acordo com Alexandre, a execução de melodias e harmonias nas cordas do violão e do berimbau resultou em um diálogo especial.

“O resultado foi uma sonoridade imaginativa e universal. Mauro faz um bordado melódico entre o berimbau e o violão, usando também órgão Hammond na faixa-título. Eu me inspirei nas músicas regional brasileira e oriental, além do flamenco. E toquei sitar indiano, que tem sonoridade ímpar”, afirma Araújo.

"Quero me dedicar a músicas progressivas autorais. Acabei alinhando meu nome ao blues, mas agora vou mostrar outra cara também, embora faça um 'progblues', o blues progressivo"

Alexandre Araújo, compositor e instrumentista



PRÊMIO 
Gravado e masterizado em 1987, o álbum só foi prensado em 2000, quando Alexandre ganhou o Prêmio BDMG Instrumental. “Com o dinheiro do prêmio, mandei fazer a prensagem de 1 mil cópias, porém não houve lançamento. Oficialmente, o disco está sendo lançado agora”, explica.

O grupo Berimblues surgiu na década de 1980, na Praia de Santa Mônica, em Guarapari (ES), fruto da parceria de Araújo com o percussionista e capoeirista Jonas Lins. “Como éramos muito amigos, veio a ideia de juntar o berimbau com o violão”, relembra o violonista.

As famílias Araújo e Lins mantinham casas de praia em Santa Mônica, onde o talento da dupla encantava jovens como eles. “Uma das faixas, aliás, se chama ‘St. Monica surf'. O disco foi gravado um ano antes da morte do Jonas”, conta Alexandre.

Os dois se preparavam para fazer a turnê de lançamento, inclusive com shows no Colorado, nos Estados Unidos, quando o jovem percussionista foi atropelado na Pampulha. A partir de 1989, Ney Fiúza assumiu o lugar de Jonas no Berimblues.

“Fizemos diversos shows no Brasil e no exterior, tocando em universidades e teatros”, relembra Alexandre. “O disco tem muito valor para a música instrumental mineira, com grande diferenciação de estilos e ambiências. Por isso o subtítulo, na capa original, é world beat music, ou seja, batida mundial. Espero que ele abra um leque para que possamos inserir outro trabalho dentro dessa linha.”

Aliás, o segundo álbum já está nos planos. Alexandre Araújo conta que o repertório do álbum de 1987 chamou a atenção no exterior, mas caiu no esquecimento no Brasil. Até porque, ele próprio passou a se dedicar ao blues. “Por isso eu quis colocá-lo agora no streaming”, diz.

As faixas “Flamenca” e “Funkball” ganharam clipes no YouTube, gravados, respectivamente, no Cine Theatro Brasil Vallourec e no festival Blues Horizonte. Assim que a pandemia permitir, o instrumentista e compositor pretende fazer a turnê de lançamento de “Berimblues”.

Alexandre também desenvolve projeto dedicado à obra do irmão, Marco Antônio Araújo, que morreu aos 37 anos, em 1986, vítima de aneurisma cerebral. Compositor, violonista, guitarrista e violoncelista da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais, ele era um dos talentos da cena instrumental mineira.

RESGATE 
A ideia é resgatar criações de Marco Antônio que não foram gravadas. “No futuro, vamos lançar toda a obra dele nas plataformas digitais”, promete Alexandre.

Composto entre 1976 e 1978, o repertório do novo projeto reúne peças para orquestra de câmara. “Em 1981, o grupo Mantra chegou a executar essas músicas algumas vezes. Depois de algum tempo, surgiu o Mantra Elétrico, mas elas não foram gravadas, pois são de difícil execução”, explica Alexandre.

Hoje em dia, essa dificuldade foi superada. “Estou estudando algumas daquelas composições com o violoncelista Antonio Viola. Já comecei a montar um grupo, porque elas envolvem duos, trios e banda com orquestra sinfônica”, adianta Alexandre, lembrando que uma das peças do irmão, “Fantasia”, é dedicada ao maestro Sergio Magnani (1914-2001).

“Quero me dedicar a músicas progressivas autorais. Acabei alinhando meu nome ao blues, mas agora vou mostrar outra cara também, embora faça um 'progblues', o blues progressivo”, afirma Alexandre Araújo. Muito jovem, ele já participava dos shows do Mantra ao lado de Marco Antônio, do baixista Ivan Corrêa, do baterista Mário Castelo, do violoncelista Antonio Viola e do flautista Eduardo Delgado.

“BERIMBLUES”
.Disco de Alexandre Araújo
.Com Jonas Lins
.Naza Music
.11 faixas
.Disponível nas plataformas digitais

saiba mais

(foto: REPRODUÇÃO)
(foto: REPRODUÇÃO)

Marco Antônio Araujo

O belo-horizontino Marco Antônio Araújo estudou economia e trabalhou em banco. Trocou tudo isso pela arte. Mudou-se para Londres, nos anos 1970, e curtiu in loco Led Zeppelin, Rolling Stones e Pink Floyd. No Rio de Janeiro, estudou com a pianista e compositora Esther Scliar e com o violoncelista Jaques Morelenbaum, entre outros professores.

Na Universidade Federal do Rio de Janeiro, cursou violão clássico, composição e violoncelo. De volta a BH, ingressou na Orquestra Sinfônica de Minas Gerais e desenvolveu sua carreira solo, com vários shows, discos e turnês. Marco Antônio compôs a trilha do balé “Cantares”, do Grupo Corpo (era casado com a bailarina Dea Márcia de Souza). Destaque do chamado rock fusion, transitava entre o universo erudito, o repertório barroco e a tradição popular das modinhas.

O mineiro fez parte do grupo Vox Populi ao lado de Zé Rodrix, Tavito e Fredera, que mais tarde formariam a banda Som Imaginário, que acompanhou Milton Nascimento. Gravou os discos “Influências”, “Quando a sorte te solta um cisne na noite”, “Entre um silêncio e outro” e “Lucas”.





receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade