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Estado de Minas SÉRIE

'Falcão e o Soldado Invernal' tem tragédia global semelhante à da pandemia

Caos mundial, economia em crise, cidadãos desnorteados e valores éticos em xeque desafiam os heróis da nova aposta da plataforma Disney+


28/03/2021 04:00 - atualizado 28/03/2021 11:51



O que acontece com o mundo após uma tragédia global, quando não há liderança – ou, se preferir, heróis – para assumir a responsabilidade de colocar as coisas no rumo certo? No nosso mundo, como podemos ver, é o caos. No Universo Cinematográfico Marvel também, como mostra “Falcão e o Soldado Invernal”, atração do Disney+ estrelada pelos dois amigos do Capitão América que nunca se deram muito bem.

A minissérie em seis episódios chegou à plataforma duas semanas após o fim de “WandaVision”, o último sucesso da Marvel/Disney . Está de volta pouco depois do “blip” (o estalar de dedos de Thanos), que sumiu com metade da população por cinco anos.

“Se compararmos o blip com a COVID-19, é um mundo muito familiar”, diz o ator Sebastian Stan, que interpreta Bucky Rogers, o Soldado Invernal. “A energia geral do mundo é muito parecida. Há várias coisas na série muito similares ao que vimos no ano passado, com as pessoas tentando saber como vai ser depois, sem uma liderança e sem uma bússola moral.”

O norte ético que falta, no caso, é o Capitão América Steve Rogers, interpretado por Chris Evans por oito anos. Em “Vingadores: Ultimato”, ele aparecia velhinho, dizendo ter voltado no tempo logo depois de ajudar a derrotar Thanos. Entregava seu famoso escudo ao amigo Sam Wilson (Anthony Mackie), também conhecido como Falcão. Então, quer dizer que Sam agora é o Capitão América?
 
Falcão (Anthony Mackie) recebe o escudo do Capitão América, mas hesita em substituir o herói (foto: Disney/divulgação)
Falcão (Anthony Mackie) recebe o escudo do Capitão América, mas hesita em substituir o herói (foto: Disney/divulgação)

 
Não é tão simples assim. “Quando recebeu o escudo, Sam já demonstrou alguma hesitação e medo com a ideia de se tornar o Capitão América, pois acha que esse é o título de Steve”, diz o ator Anthony Mackie.

O roteirista-chefe Malcolm Spellman avisa que a história de “Falcão e o Soldado Invernal” não é óbvia. “Os dois personagens têm conexão pessoal com o escudo. Também há o lado político, do que o governo acha que o Capitão América deve ser”, diz.

Não vale spoiler, mas no trailer dá para perceber que o escudo tem papel importante e que existe um novo Capitão América – ele não se parece em nada com Sam ou Bucky. Na verdade, é o Agente Americano (Wyatt Russell), escolhido pelo governo americano para substituir o herói.

Spellman não esconde a empolgação com a possibilidade de escrever o primeiro super-herói americano negro do Universo Cinematográfico Marvel, com todas as implicações disso. Mas ele seria aceito prontamente nos Estados Unidos, país com profundas cicatrizes da escravidão e que sofre com a supremacia branca? “Por isso lutei tanto para fazer parte do projeto”, explica o roteirista.

O mundo pós-blip não é um lugar fácil de viver. “Vamos mostrar como as pessoas que voltaram estão se encaixando na sociedade. Como é esse mundo sem Capitão América, sem Homem de Ferro, sem os Vingadores?”, comenta Mackie.

Para Malcolm Spellman, tudo está fora da ordem. “Não é só a economia. Se você desapareceu, sua casa ficou vazia por cinco anos. Provavelmente, ao voltar, você vai encontrar outra pessoa morando lá”, observa.

Tanta incerteza e perturbação abrem espaço para a revolta. “Até os vilões e os conflitos estão enraizados em algo que unifica o mundo inteiro, o que certamente parece relevante para os dias de hoje, quando temos o vírus. O espírito do mundo pós-Thanos é parecido”, compara Spellman.

Com isso, abre-se espaço para que reapareçam os mal-intencionados. Ou para gente que se acha bem-intencionada revele que está disposta a cruzar todas as fronteiras em nome de suas ideias.

“Precisamos dos vilões, certo? Porque eles são a bússola. Mas a série dá chance ao público de olhar bem para os vilões e decidir se o que eles estão fazendo é certo ou errado, porque não é preto ou branco”, diz o ator Sebastian Stan.

ESTUDO 

Spellman define “Falcão e o Soldado Invernal” como uma daquelas histórias de dois parceiros que nem sempre são amigos e vivem às turras. “A minissérie é o estudo desses personagens”, diz a diretora Kari Skogland.

“As pessoas vão perceber como Sam era um cara normal antes de tudo isso”, afirma Mackie. Mas também há muita ação. “Fizemos um longa da Marvel de seis horas de duração”, conclui Kari Skogland. (Estadão Conteúdo)

“FALCÃO E O SOLDADO INVERNAL”
Minissérie com seis episódios. Direção: Kari Skogland. Criação: Malcom Spellman. Com Sebastian Stan, Anthony Mackie e Emily VanCamp, entre outros. Disponível na plataforma Disney .



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