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Estado de Minas TELEVISÃO

Documentário 'Fake famous', da HBO, revela esquema de compra de seguidores

Filme que estreia nesta terça (23/02) desvenda as engrenagens do jogo de aparências dos influenciadores com o qual se ganha dinheiro no Instagram


23/02/2021 04:00 - atualizado 23/02/2021 07:41

A aspirante a atriz Dominique Druckman é uma das três personagens do documentário que
A aspirante a atriz Dominique Druckman é uma das três personagens do documentário que "vende" uma vida falsa no Instagram, que estreia hoje (foto: HBO/DIVULGAÇÃO)
Pelo menos 40 milhões de contas no Instagram têm mais de 1 milhão de seguidores, e mais de 100 milhões de contas têm mais de 100 mil seguidores. Com base nesses dados, o jornalista Nick Bilton construiu o documentário 'Fake famous', que estreia nesta terça (23/02), na HBO. O que é ser famoso e qual o peso que os chamados influenciadores digitais carregam?

Para tentar responder a tais perguntas, o jornalista – ex "The New York Times" e "Vanity Fair" – criou uma espécie de experimento. A partir de uma chamada aberta de elenco – “Você quer ser famoso?” – ele fez uma seleção com 4 mil candidatos. Escolheu três jovens, que na época não tinham grande número de seguidores, e os transformou em influenciadores.

Isso ocorreu de uma maneira aparentemente simples e um tanto controversa. Bilton comprou seguidores falsos e um exército de robôs para interagir com as redes sociais dos recém-criados influencers. O objetivo era ver como eles reagiriam e como a fama adquirida a fórceps mudaria suas vidas.

Dominique Druckman era uma aspirante a atriz que trabalhava como vendedora em uma loja de esportes e só havia feito filmes para estudantes. Chris Bailey era um estilista do Arizona, que se mudou para Los Angeles para ver se conseguia emplacar no mundo da moda. E Wylie Heiner era um jovem gay de Atlanta, que foi para a Califórnia para tentar se encontrar. Enquanto não definia o que fazer da vida, trabalhava ajudando um corretor de imóveis.

Vida falsa 

Com esses três personagens reais, Bilton criou uma vida falsa divulgada em suas respectivas contas nas redes sociais. Como tudo na internet, o experimento não demorou a ter resultados. 

À medida que o número de seguidores aumentava, e depois de uma série de sessões de fotos falsas, as marcas começaram a procurá-los, ansiosas para que seus produtos e serviços fossem vistos. 

Os novos influenciadores foram abordados por empresas que lhes ofereciam produtos gratuitamente e os mais bem-sucedidos recebiam fortunas para falar deles em seus perfis. Mesmo que, nesse caso, tudo se baseasse de certa forma em cenários e vidas falsas, os incentivos financeiros de cada peça do quebra-cabeça eram reais.

A reação ao experimento foi dividida. Dois dos três personagens ficaram incomodados com os falsos seguidores e curtidas, sendo que um deles queria ser autêntico no mundo digital. Mas um conseguiu fazer com que o mundo inventado (ou melhor, comprado) de seguidores funcionasse a seu favor.

Intercalando com a narrativa dos três personagens, o documentário ainda reúne depoimentos de especialistas, que vão de repórteres de cultura a executivos de marketing de mídia social. O que eles deixam claro é que qualquer um pode pagar para simular quase todas as métricas da fama do Instagram. 

O modo como isso se dá é que surpreende. É possível, por exemplo, simular uma viagem em um jato privado. Como? Por US$ 50 a hora, aluga-se uma sala configurada para se parecer com o interior de um avião de luxo. Resumindo: nas redes sociais, nada é realmente o que parece.

Assista ao trailer: 


(foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)
“O dilema das redes” (2020)

Criado a partir de depoimentos de ex-executivos das maiores empresas do Vale do Silício e de acadêmicos, o filme de Jeff Orlowski descreve o vício e os impactos negativos das redes sociais sobre pessoas e comunidades como resultados de estratégias criadas para manipular emoções e comportamentos e manter usuários conectados. 

(foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)
 
Onde: Netflix

“Privacidade hackeada” (2019)

O filme de Karim Amer e Jehane Noujaim parte do escândalo da 
Cambridge Analytica – agência de marketing político que coletou milhões de dados pessoais com o auxílio do Facebook – para falar sobre a urgência de legislação de proteção de dados. São três grandes personagens: um professor que luta para transformar as informações digitais em direitos humanos; uma ex-funcionária da Cambridge Analytica; e uma jornalista que acompanhou o caso. 
Onde: Netflix

(foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)
 

“Fyre Festival: Fiasco no Caribe” (2019)

Um golpe midiático com lances trágicos e patéticos. Fascinados pela promessa de um festival luxuoso nas Bahamas, jovens compraram pacotes que custaram de US$ 10 mil a US$ 100 mil para o evento. Mas, ao chegar se depararam com um terreno ainda em construção e ficaram presos em uma ilha deserta com condições instáveis. O filme de Chris Smith acompanha todo o processo do Fyre, construído em cima de falsas promessas nas redes sociais.

(foto: Netflix/Divulgação)
(foto: Netflix/Divulgação)
 

“You tubers” (2020)

Documentário nacional de Sandra Werneck e Bebeto Abranches que acompanha quatro youtubers na vida civil, por assim dizer, fora da tela do computador. É interessante ver os paradoxos entre real e virtual. Arnaldo Taveira, criador do Apóstolo Arnaldo, que faz uma virulenta crítica social com humor em torno das igrejas neopentecostais, por exemplo, já foi processado e ameaçado de morte. É ex-evangélico, mas sua mãe, mulher e filha continuam frequentando cultos.
Onde: Curta On, Tamanduá TV e na sexta (26/2), às 21h30, no canal Curta! 


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