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Estado de Minas AUDIOVISUAL

Ficção imita a realidade em 'Isolado na pandemia', que estreia na TV

Filme que flerta com o terror mostra homem tentando sobreviver sem sair de casa, em Los Angeles, enquanto vírus letal contamina boa parte da população


22/01/2021 04:00 - atualizado 22/01/2021 07:39

'Isolado na pandemia' é o título no Brasil dado ao original 'Sozinho'(foto: Telecine/Divulgação)
'Isolado na pandemia' é o título no Brasil dado ao original 'Sozinho' (foto: Telecine/Divulgação)
Passados 10 meses do início da pandemia do novo coronavírus, os filmes anteriores a ela que dialogavam com o contexto atual – seja de forma direta, como Contágio (2011), de Steven Soderbergh, ou com tratamento mais subjetivo, como Ensaio sobre a cegueira (2008), de Fernando Meirelles – já foram (re) vistos incontáveis vezes. 

Pois mesmo com os impedimentos decorrentes da COVID-19 – fechamento dos cinemas, lockdown nos grandes centros da indústria cinematográfica e uma crise sem precedentes de toda a cadeia – há, de forma incipiente, uma produção audiovisual em torno da pandemia. 

Não se tem notícia, pelo menos até agora, de um grande filme sobre o tema em vista. Mas, aqui e ali, há sinais, como o anúncio recente de que o roteirista Charles Randolph, Oscar de melhor roteiro por A grande aposta (2015), vai estrear na direção com um filme sobre o novo coronavírus, a partir de seu surgimento em Wuhan, na China.

Seja como for, os canais de TV e as plataformas de streaming têm se esmerado na procura por produções que tratem da questão.  O título Isolado na pandemia (2020), filme inédito no Brasil que chega nesta sexta (22/1) à rede Telecine, é claramente oportunista. Para começar, o título original do longa dirigido por Johnny Martin e roteirizado por Matt Naylor é Alone (Sozinho). 

PARTICIPAÇÃO

É uma produção B que tem apelo para além do tema, pois é protagonizada por um nome popular das séries (Tyler Posey, de Teen Wolf e Jane the virgin). Donald Sutherland faz uma participação na última metade do longa, e esse pode ser o maior mérito da produção. 

Aidan (Posey) acorda um belo dia de ressaca, em seu apartamento, em Los Angeles. A mulher com quem havia passado a noite desapareceu, como num passe de mágica. Ao ligar a TV, ele descobre que o apocalipse está acontecendo naquele momento. 

Um vírus letal está se disseminando entre a população, transformando os humanos em canibais. Uma vez infectada, a pessoa, enlouquecida, tem que comer. O problema é que os infectados mantêm a consciência, e muitos decidem se suicidar em vez de matar os outros. 

Sozinho em seu apartamento, Aidan faz de tudo para sobreviver. Passam-se os dias e ele só tem o vlog recém-criado para “conversar”. Quando chega ao 42º dia de isolamento, decide tirar a própria vida. Não há quase mais comida, a água escasseou e até sair para o corredor do prédio representa risco. Só que ele descobre que a vizinha do prédio ao lado está viva, e a conexão com ela o demove da ideia. 

PIADAS

É um típico filme de zumbi, mas com nada de sustos e um protagonista que faz caras e bocas e algumas piadinhas. Mas, para quem curte o gênero, é uma diversão descompromissada, pois não tem nenhum pé na realidade.

 

Isolado na pandemia foi lançado no mercado externo em outubro de 2020. A demora no lançamento certamente diminuiu seu impacto, já que, um mês antes, a Netflix havia lançado em todo o mundo a versão sul-coreana da mesma história, #Alive.

O diretor Il Cho partiu do mesmo roteiro de Matt Naylor para contar a história. Só que se antecipou ao longa norte-americano. #Alive chegou aos cinemas da Coreia do Sul em junho do ano passado, e foi o primeiro filme a ultrapassar 1 milhão de espectadores na bilheteria daquele país desde o início da pandemia. 

ISOLADO NA PANDEMIA
•O filme estreia nesta sexta (22/1), às 22h, no Telecine Premium. A partir da 0h está disponível no Telecine Play.


CRÔNICAS DO CONFINAMENTO

Confira outros filmes com histórias relacionadas ao contexto da pandemia

(foto: STX Films/Divulgação)
(foto: STX Films/Divulgação)

. SONGBIRD

Não é a 19, mas a versão 23 da COVID que está dizimando a humanidade neste thriller, o primeiro longa-metragem sobre a pandemia rodado depois de seu início, em março passado. Michael Bay é o produtor; Adam Mason, o diretor; K. J. Apa (o bonitinho Archie, de Riverdale), o protagonista. Até Demi Moore aparece na história, que coloca o coronavírus, depois de várias mutações, com um índice de mortalidade de 56% no ano de 2024. Ele mata em 48 horas, tanto que 110 milhões de pessoas, só nos EUA, já sucumbiram. 

Com Los Angeles como cenário, o espaço público daquela metrópole só pode ser ocupado pelos sobreviventes aos vírus e os imunes à contaminação, que exibem uma pulseira amarela. Os demais estão trancados em casa, nos chamados acampamentos Q, onde poucos sobrevivem após uma quarentenaforçada. Muito se falou sobre o filme, cujas filmagens foram concluídas em julho.

Lançado nas plataformas de streaming dos EUA em dezembro passado, Songbird caiu como uma bomba. Foi execrado pela crítica, que o considerou insensível com o momento, superficial, caça-níquel. Até o momento, não tem previsão de chegada ao Brasil.

(foto: O2 Play/Divulgacao)
(foto: O2 Play/Divulgacao)

. ANTOLOGIA A PANDEMIA

A Netflix lançou, em maio passado, Feito em casa, antologia de curtas coordenada pelo cineasta chileno Pablo Larraín, com grandes nomes (Kristen Stewart, Maggie Gyllenhaal, Paolo Sorrentino), e rodada em casa. O terror não é tema, mas sim o isolamento social nos momentos iniciais da quarentena. Algo bem diferente da iniciativa brasileira, lançada em agosto, e dedicada a histórias de terror.

Tradicional no calendário dos festivais brasileiros, o Fantaspoa – Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre criou um concurso para que realizadores de vários lugares do mundo fizessem filmes do gênero em suas casas. Os 13 melhores foram reunidos na antologia.

Sete dos curtas são de brasileiros, mas há produções da Argentina, Uruguai, EUA, Chipre e Reino Unido. São filmes de baixíssimo orçamento, e os temas variam entre narrativas sobre o vírus e o confinamento decorrente da pandemia.
Onde: Disponível para aluguel e venda na Apple TV, Google Play, Now, Vivo Play, Looke e YouTube 

(foto: Rook Films/Divulgação)
(foto: Rook Films/Divulgação)

 . IN THE EARTH

O longa escrito e dirigido por Ben Wheatley será lançado no Festival de Cinema de Sundance, que tem início previsto para a próxima quinta-feira (28/1). O tradicional evento em Park City, Utah, terá neste ano uma edição híbrida. Haverá sessões em várias cidades norte-americanas, com plateia reduzida. Mas o foco estará na exibição virtual.

O diretor britânico, que lançou em 2020 o remake de Rebecca, a mulher inesquecível, na Netflix, teve apenas duas semanas de agosto para rodar In the Earth. Enquanto o mundo busca a cura para um vírus, dois homens, entre eles um cientista, adentram uma floresta para uma operação aparentemente de rotina.

Sundance também vai exibir outros filmes que têm como tema a pandemia, ainda que não sejam de terror. O documentário In the same breath, da chinesa Nanfu Wang, explora as tentativas do governo de seu país de transformar o encobrimento da epidemia em Wuhan em um triunfo para o 
Partido Comunista. 

Produção do YouTube com lançamento mundial previsto para 6 de fevereiro, A vida em um dia 2020 terá première no festival. Em 25 de julho do ano passado, pessoas de todo o mundo filmaram seu dia. O documentário, dirigido por Kevin Macdonald e produzido por Ridley Scott, foi criado pelas contribuições. Óbvio que houve seleção, já que foram 300 mil inscrições


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