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Estado de Minas Final feliz

Cine Belas Artes recebe patrocínio do Grupo Ânima e garante reabertura

Salas estavam ameaçadas de fechar. Plano agora é reabri-las ainda neste mês, após reforma e troca de poltronas


06/01/2021 04:00 - atualizado 06/01/2021 08:15

Plano é reabrir as três salas do agora chamado Cine UNA Belas Artes ainda neste mês, após reforma e troca de poltronas(foto: Túlio Santos/EM/D.A PRESS)
Plano é reabrir as três salas do agora chamado Cine UNA Belas Artes ainda neste mês, após reforma e troca de poltronas (foto: Túlio Santos/EM/D.A PRESS)
Fechado há quase 10 meses por causa da pandemia do novo coronavírus, declarada em março de 2020, o Cine Belas Artes ganhou um respiro nessa virada de ano. O tradicional cinema de rua de Belo Horizonte, inaugurado em 1992, firmou parceria no formato de patrocínio com o Grupo Ânima Educação, responsável pelo Centro Universitário UNA, e poderá dar seguimento às atividades. 

Em fase final de readequação do espaço, com algumas melhorias para o público, o planejamento do exibidor é reabrir as três salas até o fim deste mês, dentro dos novos protocolos, se as condições sanitárias na cidade forem favoráveis.

De um lado e do outro das partes que fizeram o acordo houve o interesse mútuo em educação e cinema, avantajado pela proximidade física do câmpus da UNA, na Rua da Bahia, com o Belas Artes, a poucos metros dali, na Rua Gonçalves Dias. 

“É uma coisa que buscamos há tempos, um apoio que deu estabilidade e que possibilitará essa troca com o público jovem, estudantil, que é o perfil de formação de plateia que buscamos”, afirma Adhemar Oliveira, proprietário e diretor de programação do agora chamado Cine UNA Belas Artes.

Rafael Ciccarini, reitor do Centro Universitário UNA (foto: Alexandre Guzanche/EM/D.A PRESS)
Rafael Ciccarini, reitor do Centro Universitário UNA (foto: Alexandre Guzanche/EM/D.A PRESS)


DIVERSIDADE

Rafael Ciccarini, reitor do Centro Universitário UNA, afirma que mesmo antes da pandemia via a situação dos cinemas alternativos ou de rua “em dificuldades para se manter com suas programações plurais, democráticas e diferentes, que oferecem diversidade e possibilidade de escolhas além daquelas mais evidentes do mercado e da publicidade”. Com a situação agravada pela pandemia, o interesse da UNA em colaborar com o Belas Artes veio, segundo ele, incentivado pelo fato de serem entidades vizinhas.  

“A UNA está há 60 anos naquela região, faz parte dessa cidade. E nossa missão educacional está muito próxima da cultura e da arte. Não dá para separar as duas coisas”, afirma Ciccarini. “Como estamos ali, perto da Praça da Liberdade, há uma sinergia, um desejo cada vez maior de exercer nosso papel de pensar o que queremos sobre Belo Horizonte, que é, no melhor dos sentidos, se misturar na vivência da pólis.” Ele cita ainda que a UNA oferta cursos na área de cinema e economia criativa.

Num primeiro momento, os recursos aportados pelo grupo ao cinema estão viabilizando uma pequena reforma, já em fase final. Segundo Adhemar de Oliveira, trata-se de um projeto aprovado ainda em 2020, de adequações solicitadas pelo Corpo de Bombeiros, com troca do tecido das poltronas por couro vegetal, melhorias no elevador, nos banheiros e na fachada, sem nenhuma grande transformação estrutural.

“Continuamos com três salas, café e livraria”, diz ele, que garante: “Vai ficar nos trinques para enfrentar o final da pandemia e se renovar para os próximos anos”.

Sem divulgar valores ou o tempo de duração do contrato, eles afirmam que a ideia é uma colaboração de médio a longo prazo. “O que estabelecemos foi um modelo de trabalho que possibilite ao cinema se sustentar. Para continuar, ele precisa de coisas imprescindíveis, como essa troca de poltronas. Eles assumiram a feitura dessas coisas, da renovação do ambiente, isso nos coloca em dia”, afirma o exibidor.

Segundo ele, os próximos passos são investir na programação e novos projetos com potenciais parcerias. “O modelo de parceria que adotamos é o modelo que já praticamos há bastante tempo, com naming rights (o direito de uso da marca do patrocinador no nome do cinema), publicidade na tela e benefícios cruzados, como desconto para estudantes e funcionários do grupo Ânima. Tudo como já praticamos em outros contratos. Não tem invenção da roda”, explica Adhemar Oliveira. 

A verba provida pela empresa do ramo de ensino superior se junta ao apoio financeiro popular recebido pelo Cine Belas Artes em campanha de financiamento coletivo emergencial. A iniciativa, lançada em setembro passado, arrecadou quase R$ 270 mil com a ajuda de 2,4 mil apoiadores, que já estão recebendo suas recompensas, segundo Oliveira.  

Além de custear as melhorias no espaço, o patrocínio também ajudará a pagar os demais custos fixos operacionais do cinema. A ideia é seguir com o filão cinematográfico que o público se acostumou a ver em cartaz por lá nesses 28 anos de atividades

Adhemar Oliveira, proprietário e diretor de programação do Cine Belas Artes (foto: Itaú Cultural/divulgação)
Adhemar Oliveira, proprietário e diretor de programação do Cine Belas Artes (foto: Itaú Cultural/divulgação)


CONGESTIONAMENTO

“É um cinema que preza pela diferença da programação e a ideia é continuar com isso”, afirma Adhemar. Ele diz não temer uma possível escassez de filmes disponíveis em razão do adiamento dos lançamentos e filmagens imposto pela pandemia. Sua aposta vai no sentido contrário. 

“Na nossa área, há muitos filmes que estão esperando esse espaço. Terá até congestionamento. Quem não foi para o streaming e não precisou correr está esperando essa reabertura”, afirma. 

O exibidor e programador cita ainda a possibilidade de criar programações especiais, em horários específicos, dedicadas à história do cinema brasileiro, por exemplo. Mas faz a ressalva: “Sem tirar espaço dos lançamentos, que muitas vezes só são exibidos em Belo Horizonte em uma de nossas salas. Vamos manter o estilo de filmes independentes, mineiros, brasileiros, experimentais, para todas as idades. Vamos continuar com esse foco”. 

Contudo, o gestor diz que a administração ainda estuda como equalizar as contas na reabertura para viabilizar as exibições em salas com capacidades reduzidas pelos protocolos sanitários. “Vamos seguir os protocolos sanitários. Talvez tenhamos que buscar novos projetos, novas atividades, usar o on-line para ajudar na manutenção. Alguns cursos que oferecemos podemos fazer on-line em vez de fazer no cinema. Estamos vendo tudo isso.”

Com os aportes recebidos, ele diz que “o período de ‘zero’ (faturamento) já passou. Mas o gasto de energia com 10 ou com 100 pessoas na sala é o mesmo. Então, essa equação será construída com corte de gastos. Às vezes, em vez de quatro sessões com pouca gente, melhor apenas três que deem o mesmo resultado”.

Embora as dificuldades sejam grandes para o setor nesse contexto, Oliveira mantém o tom otimista. “Fazemos fé que, com os apoios que temos recebido, vamos conseguir voltar com o cinema renovado, poltronas novas e uma ótima programação.”

Novos cinemas adiados

A expectativa pela abertura de outros cinemas de rua que venham se juntar ao Cine UNA Belas Artes na capital mineira tem de ser adiada. O Centro Cultural Banco do Brasil ainda não tem definição de quando será executado o projeto de instalar uma sala em sua sede, na Praça da Liberdade. Já o Centro Cultural do Minas Tênis Clube reagendou para 2022 o plano de implantação de duas salas de cinema.


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