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Estado de Minas REABERTURA

Grande Teatro do Palácio das Artes volta a receber plateia neste domingo (22)

Dos 1,7 mil lugares disponíveis, apenas 400 deverão ser ocupados para acompanhar recital da soprano Eliane Coelho e do pianista Gustavo Carvalho


22/11/2020 04:00 - atualizado 22/11/2020 08:08

A soprano Eliane Coelho e o pianista Gustavo Carvalho em apresentação no encerramento do festival Artes Vertentes, no ano passado(foto: Marlon de Paula / Divulgação)
A soprano Eliane Coelho e o pianista Gustavo Carvalho em apresentação no encerramento do festival Artes Vertentes, no ano passado (foto: Marlon de Paula / Divulgação)

Um dos palcos mais importantes de Minas Gerais, o Grande Teatro Cemig do Palácio das Artes volta a receber o público neste domingo (22), depois de oito meses inativo, devido à pandemia do novo coronavírus.

No palco, dois artistas. A soprano Eliane Coelho e o pianista Gustavo Carvalho fazem recital com composições de Richard Strauss e Hugo Wolff. Na plateia, um público reduzido, de acordo com os protocolos sanitários estipulados para a reabertura dos espaços culturais, de forma a evitar a disseminação do vírus.

A apresentação marca o encerramento da Temporada de Ópera On-line da Fundação Clóvis Salgado e também o lançamento da nona edição do Festival Artes Vertentes – Festival Internacional de Artes de Tiradentes, que neste 2020 ocorrerá no ambiente virtual.

"Tem sido um ano de cuidar de outras coisas, além de música. A música continuou no coração, mas no teatro, não. Mesmo sendo uma coisa ainda limitada, para não encher o teatro, acho essa reabertura importante. Uma coisa que traz muitas esperanças”, diz Eliane. 

A esperança é de “poder retomar uma vida cultural, que é nossa grande paixão, e o nosso grande amor, que é a música", diz a carioca de 69 anos e longa trajetória internacional no canto lírico. Com passagens pela Ópera de Frankfurt e pela Ópera Estatal de Viena, ela se apresentou ao lado de Plácido Domingo, José Carreras, Bryn Terfel, entre outros.

''Há muita gente com medo e com razão, pois tudo é imprevisível. Mas é necessário ter esse consolo, esse momento de paz, de felicidade, para seguirmos em frente. Temos que lutar, ir em frente, pois a vida continua''

Eliane Coelho, soprano

 

CONFORTO

O recital em Belo Horizonte será seu retorno aos palcos, depois de meses afastada, por causa da pandemia. "Considero a música alimento para a alma e, realmente, é isso que é. Quando o público está presente, e a energia flui do palco para a plateia, é um momento de ouvir coisas bonitas e entrar nesse universo dessas composições maravilhosas”, diz. 

Para Eliane Coelho, é fundamental que há esses “momentos de conforto para nossas almas, principalmente agora, em que há tanta gente com medo”. Não que ela menospreze o clima geral de apreensão com a pandemia. “Há muita gente com medo e com razão, pois tudo é imprevisível. Mas é necessário ter esse consolo, esse momento de paz, de felicidade, para seguirmos em frente. Temos que lutar, ir em frente, pois a vida continua."

Para acalentar o público, o repertório foi montado com obras do alemão Richard Strauss (1864-1949) e do austríaco Hugo Wolff (1860-1903). "Os dois têm importância no Lied, a canção alemã, e o que eu mais gosto nos dois é a forma de cuidar do texto, que é muito importante para mim. Se o compositor não fizesse o texto, escreveria para a clarineta, não precisaria da voz humana. Com o texto, há uma mensagem. Ele não está ali por acaso, são mensagens de esperança, e os dois faziam isso com muita paixão", diz a cantora.

Ela se diverte com relatos segundo os quais Wolf se movia "como um tigre na jaula, de uma lado para o outro", enquanto recitava seus poemas, durante o processo criativo. "Não parava enquanto não chegava na mensagem que queria."

O pianista mineiro Gustavo Carvalho é um parceiro artístico de longa data de Eliane Coelho. "Esse repertório, de Lied, é muito sensível, musicalmente, devido à interpretação tanto da música quanto do texto. É preciso ter uma afinidade entre instrumento e voz. E é bom quando encontramos alguém com quem temos afinidade musical”, afirma a cantora. 

Em razão da afinidade, aponta ela, “o diálogo acontece de forma mais fácil e prazerosa”. Eliane e Gustavo se conhecem há muitos anos, conforme ela ressalta. “Para mim não existe cantor e acompanhador. Existem os dois, no mesmo nível. Os dois fazendo música."

Nesse ponto também ambos concordam, até porque,"o piano não é um mero acompanhamento”, como ela observa. Argumentando que “é importante que cada pessoa tenha a possibilidade de ter um momento cultural na direção que gosta”, Eliane afasta a ideia de que a música clássica seja elitista.

“Muitas pessoas acham que é um luxo. Não é luxo. É uma coisa que faz parte da cultura brasileira. Ela veio para cá com a corte, ou seja, antes do futebol. Faz parte da nossa história. E existe um amor pela música clássica por parte de pessoas que já a conhecem e por parte de pessoas que começam a conhecê-la agora. É uma coisa espontânea."

''Muitas pessoas acham que a música clássica é um luxo. Não é luxo. É uma coisa que faz parte da cultura brasileira. Ela veio para cá com a corte, ou seja, antes do futebol. Faz parte da nossa história. E existe um amor pela música clássica por parte de pessoas que já a conhecem e por parte de pessoas que começam a conhecê-la agora. É uma coisa espontânea''

Eliane Coelho, soprano

 

LUGARES

O Grande Teatro do Palácio das Artes dispõe de 1,7 mil lugares. De acordo com os protocolos sanitários de reabertura gradual desses espaços, poderiam ser utilizados no máximo 600. No entanto, a Fundação Clóvis Salgado (FCS) optou por uma restrição ainda maior e o público presente será de 400 pessoas. 

Para evitar aglomerações, o teatro contará com sinalização nas áreas externas e internas, estabelecendo distanciamento mínimo de dois metros entre os presentes, segundo Eliane Parreiras, presidente da FCS. O uso de máscaras para visitantes e funcionários será obrigatório. 

Com uma plateia tão reduzida, o recital será transmitido ao vivo pelos sites da Fundação Clóvis Salgado (www.fcs.mg.gov.br) e do Festival Artes Vertentes (www.artesvertentes.com). 

Embora comemore a reabertura do principal espaço do Palácio das Artes, Parreiras diz que o momento é de cautela e estudo, sem garantias do retorno de um fluxo constante de novas apresentações ao Grande Teatro. 

"Estamos em negociação com espetáculos para ter alguma outra ação em dezembro, mas os produtores estão avaliando com muito cuidado a viabilidade, o funcionamento, o desejo do público, entre outras várias coisas nesse retorno. É uma avaliação profunda", diz ela. 

Nessa readequação, a presidente da FCS deixa claro que o formato de público reduzido e transmissão simultânea pela Internet deverá ser adotado mais vezes. "A ideia é permitir essa experiência cultural, presencial, mas com esse formato híbrido, que será mais frequente."

Os outros espaços do Palácio das Artes também tiveram adequações aos novos protocolos e já estão recebendo público há algumas semanas. Segundo Eliane Parreiras, a presença tem sido menor do que em tempos anteriores à pandemia, mas satisfatória, sem grandes picos positivos ou negativos. 

"Nos espaços culturais como um todo, temos percebido extremo cuidado com público, artistas e produtores. Entre todas as atividades que retornaram na pandemia, talvez sejam as mais seguras em relação a esses cuidados, de medição de temperatura e de uso obrigatório de máscara", opina. 

Na última quinta-feira (19), foram abertas as exposições do Prêmio Décio Noviello de Artes Visuais, que substitui o antigo Edital de Ocupação FCS de Artes Visuais. Foram contemplados o artista Froiid (MG), que ocupa a Galeria Genesco Murta com a exposição É hora da onça beber água, e a curadora Joyce Delfim (MG), responsável pela exposição Figurar o impossível, composta por obras da artista visual Marcela Cantuária (RJ).

Froiid expõe "um site specific, criando um ambiente lúdico que estimula a participação do público na construção da obra", segundo a FCS. Enquanto Figurar o impossível constrói "a sistematização que torna o espaço físico e simbólico da galeria um local de reflexão". As pinturas de Marcela Cantuária escolhidas pela curadora destacam a representação do feminino na luta de classe. As mostras permanecem em cartaz até o fim de janeiro.

Recital
A soprano Eliane Coelho e o pianista Gustavo Carvalho interpretam obras de Richard Strauss e Hugo Wolff. Neste domingo (22), às 19h, no Grande Teatro Cemig Palácio das Artes (Av. Afonso Pena, 1.537, Centro). Entrada gratuita, mediante retirada de ingressos no site Eventim. Transmissão gratuita nos sites da Fundação Clóvis Salgado e do festival Artes Vertentes. Mais informações: (31) 3236-7400.


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