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Estado de Minas ARTES CÊNICAS

Palco digital ganha espaço na era do coronavírus

Projeto Teatro em Movimento aposta em novo formato para enfrentar as limitações impostas pela pandemia, com websérie, curso de formação e montagens voltadas para o universo on-line


06/08/2020 04:00 - atualizado 05/08/2020 20:40

Inês Peixoto, atriz e diretora do Grupo Galpão, faz parte da equipe encarregada de criar episódios de #Quarentemas(foto: Barbara Dutra/divulgação)
Inês Peixoto, atriz e diretora do Grupo Galpão, faz parte da equipe encarregada de criar episódios de #Quarentemas (foto: Barbara Dutra/divulgação)
A hora é de questionar e não de responder, ainda mais porque o momento é de muitas perguntas sem respostas. Em março, quando foi anunciada a pandemia do novo coronavírus, a Rubim Produções, que promove há quase duas décadas o projeto Teatro em Movimento, teve que cancelar sua agenda para 2020. Com 10 a 13 espetáculos anuais, o festival não poderia ser realizado este ano nos palcos de Belo Horizonte.

Trabalhando desde abril em novos formatos, a Rubim lança agora uma iniciativa robusta que visa não só aos espetáculos, mas também à formação. A plataforma Teatro EmMov Digital reúne três iniciativas: um curso de formação em teatro digital (o primeiro do Brasil), uma websérie com 20 episódios e três montagens criadas exclusivamente para o projeto.

O curso, com inscrições abertas, tem início neste mês. Também em agosto começa a ser exibida a websérie. Já os espetáculos, todos em fase de produção, serão lançados entre setembro e outubro. Todas as ações são gratuitas.

“Queria trabalhar e deixar um legado. Começamos o processo do zero, pois tivemos também a necessidade de entender como trabalhar no meio digital”, comenta Tatyana Rubim, coordenadora-geral do Teatro EmMov.

O curso Formação em teatro digital, com 180 horas, vai até janeiro. Com coordenação pedagógica de Mariana Lima Muniz, professora do Departamento de Artes Cênicas da UFMG, oferece 200 vagas para profissionais – há ainda 100 para ouvintes.

São oito disciplinas, que tratam de temas como a relação entre teatro e internet e a elaboração de projetos artísticos que unam os dois universos. As aulas, algumas ao vivo, outras gravadas, serão ministradas em plataforma própria.

“Esta é a edição piloto, mas o projeto já visa à sustentabilidade por meio do ambiente digital. A ideia é cobrar (em edições futuras). Talvez iremos compartilhar algum conteúdo, mas não na íntegra”, explica Tatyana, que já conversa com responsáveis por iniciativas do gênero na Itália e Inglaterra para futuras colaborações.

WEBSÉRIE 

(foto: Barbara Dutra/divulgação)
(foto: Barbara Dutra/divulgação)

"Começamos o processo do zero, pois tivemos também a necessidade de entender como trabalhar no meio digital"

Tatyana Rubim, coordenadora do Teatro EmMov


O segundo braço do Teatro EmMov é a websérie #Quarentemas. “Isso vem da vontade de provocar o aquecimento dos artistas mineiros que estão em casa”, diz a produtora. Vinte atores e atrizes, tanto de BH quanto do interior de Minas, participam do projeto, como Teuda Bara, Amauri Reis e Adyr Assumpção.

Para desenvolver os episódios – curtos, de três a cinco minutos, gravados pelos próprios artistas em suas casas – foi convidado um time formado pela atriz e diretora Inês Peixoto, do Grupo Galpão, o cineasta Gilberto Scarpa, o videomaker Éder Santos, o músico Tattá Spalla, o cenógrafo e figurinista Marcio Medina, o dramaturgo Vinícius Calderoni e o diretor Vinícius Souza.

Dez episódios foram inspirados em canções do Clube da Esquina. A outra metade tem como ponto de partida os conflitos decorrentes do confinamento social. A dramaturgia ficou a cargo de Vinícius Calderoni. A improvisação é elemento essencial nesse processo.

“Outros editais lançaram cachês para que os artistas entreguem uma obra. Fizemos o contrário: criamos uma equipe para criar conjuntamente, pois a ideia é compartilhar toda a dificuldade dos atores confinados em suas casas”, explica Tatyana.

EXPERIMENTOS 

Por fim, a cereja do bolo. Três atores/criadores – Cacá Carvalho, Bárbara Paz e Yara de Novaes – participam do Cenaweb – Experimentos Digitais. No primeiro momento, os três dividirão experiências on-line com o argentino Matías Umpierrez, que trabalha há algum tempo com teatro digital.

As três experimentações estão no meio do processo criativo. Cacá Carvalho, por exemplo, vai trabalhar a partir da Ilíada, de Homero. A intenção do ator é apresentar uma temporada ao vivo de seu apartamento. Já Bárbara Paz, cujo trabalho tem a solidão como base, vai gravar a performance.

“Nenhum deles pegou repertório já existente. É tudo construído – da ideia à exibição”, informa Tatyana Rubim. Com essa iniciativa on-line, ela estará mudando a diretriz do projeto Teatro em Movimento. “De plataforma presencial de exibição de espetáculos montados e cursos de intercâmbio cultural, ele passa a ser plataforma digital com formato de intercâmbio em longo prazo”, conclui.

FORMAÇÃO EM TEATRO DIGITAL
Inscrições vão até sexta-feira (7), por meio do site www.teatroemmovimento.com.br. As aulas começam em 17 de agosto e vão até janeiro de 2021.


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