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Estado de Minas LITERATURA

Cristovão Tezza estranha 'telinha', mas aprova lives literárias

Autor catarinense diz que encontros virtuais ajudam a manter o elo entre escritores e leitores, durante a pandemia. Nesta quarta, ele participa do Sempre um papo ao lado do mineiro Luiz Ruffato


05/08/2020 04:00

(foto: Paulo Dip/divulgação)
(foto: Paulo Dip/divulgação)

"Sinto muita falta de duas coisas: viajar e receber gente em casa"

Cristovão Tezza, escritor



Livros, quarentena e a nova rotina. Esses serão alguns dos temas abordados na live do projeto Sempre um papo nesta quarta-feira (5), que contará com a participação dos escritores Luiz Ruffato e Cristovão Tezza, convidados do apresentador Afonso Borges. Os dois também falarão sobre seus novos romance –  respectivamente, O verão tardio e A tensão superficial do tempo.

“O Luiz é um grande amigo meu. Tenho encontrado com ele não só no Brasil, mas em várias partes do mundo. Até no Japão a gente já se viu. Vai ser muito bom poder revê-lo e conversar sobre nossos livros”, diz Cristovão Tezza.

Antes do isolamento social, Tezza viajava pelo menos uma vez por mês para fazer palestras e participar de bate-papos. A nova rotina trouxe dificuldades para ele. “Sinto muita falta de duas coisas: viajar e receber gente em casa. Sou metido a cozinheiro e sempre reunia amigos na minha casa. Agora esse contato acabou”, lamenta.

Na opinião do escritor, as lives ajudam a manter o vínculo com o público. “É um pouco estranho falar para uma telinha sem a presença física das pessoas, mas é uma maneira de manter esse elo. Ao vivo é sempre melhor, mas (a live) acaba sendo divertida, uma boa experiência também.”

Em A tensão superficial do tempo, o romancista aborda a relação do personagem Cândido com a mãe e o surgimento de uma paixão na vida do protagonista.

“É o mesmo personagem em dois focos narrativos: a história de um filho com a mãe e a história de amor dele. Cândido é um nerd fechado, um professor de química brilhante que, depois do casamento fracassado, voltou a morar com a mãe. Como pano de fundo temos o bolsonarismo e a polarização política”, resume.

A repercussão do novo livro, conta, está “excepcionalmente boa”. Mas a influência das lives sobre as vendas ainda não foi mensurada por ele. “A recepção dos leitores está sendo calorosa”, observa.

O autor catarinense tem 67 anos. Começou a se dedicar à literatura na adolescência, por meio de poemas românticos. “Escrevi meus primeiros textos para uma namorada, lá para os meus 13, 14 anos, com aqueles versos horrorosos de dor de cotovelo. Com 15, 16, já queria ser escritor e comecei a encaminhar a minha vida para aquela direção.”

Com o passar do tempo, a rotina do ofício foi se adaptando aos interesses dele. “Nos anos 80, escrevia sempre de madrugada. Era jovem, animado, ficava no boteco e ia para casa escrever. Depois, virei professor universitário e escrevia apenas de tarde, porque dava aulas de manhã e à noite. Quando saí da universidade, passei a escrever sempre na parte da manhã.”

A literatura sempre foi a companheira de Tezza. “Minha história é escrevendo. Costumo dizer que sou uma pessoa escrita pelos livros que escrevi.”

VOLTA Mineiro de Cataguases, Luiz Ruffato tem 59 anos. Em O verão tardio, ele conta a história de Oséias, homem abandonado pela mulher e pelo filho que decide voltar para cidade natal no interior de Minas Gerais.

Em meio à crise pessoal que enfrenta, Oséias tem de lidar com o reencontro com familiares, amigos e antigos amores.

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria


SEMPRE UM PAPO
Com Cristovão Tezza e Luiz Ruffato. Mediação: Afonso Borges. Live nesta quarta-feira (5), às 18h, nos espaços do Sempre um papo no YouTube, Facebook e Instagram (@sempreumpapo)





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