Publicidade

Estado de Minas DISCO

'Folklore', a boa surpresa de Taylor Swift

Estrela americana ousa em seu novo álbum, que mescla sonoridade indie e letras instigantes, fugindo do pop radiofônico


29/07/2020 04:00

Capa de Folklore remete ao clima intimista das letras de Taylor Swift, nestes tempos de pandemia (foto: Republic Records/reprodução)
Capa de Folklore remete ao clima intimista das letras de Taylor Swift, nestes tempos de pandemia (foto: Republic Records/reprodução)
Não fosse a pandemia do novo coronavírus, Taylor Swift já teria realizado seus primeiros shows no Brasil. A cantora norte-americana apresentaria em São Paulo, em 18 e 19 de julho, o show da turnê Lover, adiada também em outros países.

Não fosse a pandemia, a estrela pop não teria arranjado tempo hábil para compor e gravar seu oitavo disco de estúdio, Folklore, anunciado na última quinta-feira (23), via redes sociais, e lançado 17 horas depois nas plataformas digitais. Esse é o primeiro “álbum surpresa” da cantora e dá novo rumo à carreira que nasceu no country pop e, mais recentemente, encontrou seu lugar no pop-pop.

PARCERIAS Menos comercial do que outros discos de Taylor Swift, o álbum foi feito em parceria com Aaron Dressner, músico da banda de indie rock The National, que coassina 11 das 16 faixas. Jack Antonoff, parceiro da cantora desde 1989 (2014), também assina a produção.

Outro fator que dá um toque especial a Folklore é a improvável presença de Bon Iver na quarta faixa, Exile. A banda de folk eletrônico norte-americana liderada por Justin Vernon é uma das mais aclamadas da cena independente dos Estados Unidos, além de já ter colaborado com o rapper Kanye West – o maior desafeto público de Taylor.

O time é responsável pela sonoridade que remete ao folk, ainda que tenda para o pop rock. Tudo embalado pela atmosfera solitária que só um disco feito na quarentena poderia ter, proporcionada por um instrumental minimalista na medida.

Mas a força não está no som, e sim nas letras. Taylor se revela, novamente, uma contadora de histórias, como quando narra o enigmático triângulo amoroso entre adolescentes nas faixas Cardigan, Illicit affairs e Betty.

A primeira, que ganhou clipe, remete bastante ao jeito de compor de Lana Del Rey, cujo último disco, Norman fuckin rockwell!! (2019), também foi produzido por Antonoff. Taylor relembra beijos em carros, em bares no centro, dançando na rua.

Ainda assim, ela segue falando de si mesma. This is me trying soa como confissão de culpa pelas polêmicas do passado (com Kanye e com Katy Perry, por exemplo). Em vez das indiretas, como já fez inúmeras vezes em outras canções, ela reflete sobre o clichê machista de chamar uma mulher de louca em Mad woman.

Bastante contemplativo, Folklore ainda reserva momentos sombrios, como em My tears ricochet, música sobre insônia e depressão. Seven, ainda mais melancólica, conta a história de uma criança que “viveu o auge aos 7 anos”, quando tinha tempo para contemplar o céu da Pensilvânia.

Esse disco funciona como um atestado de que a norte-americana chegou aos 30 anos com vontade de se afastar do pop radiofônico produzido nos Estados Unidos. Se no passado ela se esforçava para ir do country ao pop, agora tem se mostrado aberta para sons alternativos.

Ainda que a fusão indie e pop não seja exatamente uma novidade, isso só atesta o quanto o primeiro deixou de ser forma para se tornar conteúdo. E é também para se atualizar que popstars como Taylor Swift se juntam a nomes ascendentes como Bon Iver e Aaron Dressner, que fazem os críticos suspirar.

A resposta veio em números. Folklore vendeu 1,3 milhão de cópias físicas em suas primeiras 24 horas, de acordo com a gravadora Republic. No Spotify, o disco recebeu 80,6 milhões de streams, enquanto na Apple Music foram 35 milhões de reproduções, números que colocam Taylor Swift como a artista feminina pop mais ouvida de ambas as plataformas no primeiro dia de lançamento de um disco.

Essa resposta comercial mostra que, a cada álbum, fica difícil ignorar o fenômeno que Taylor Swift se tornou. Lançar um disco durante a pandemia foi a melhor decisão para a cantora, principalmente levando em conta os prejuízos causados pelo adiamento de sua megaturnê mundial.

LANA DEL REY
Lana Del Rey lançou ontem (28) a versão em áudio de seu primeiro livro de poesias, Violet bent backwards over grass. Na gravação, que pode ser comprada no site oficial da artista, ela lê 14 poemas sobre temas instrumentais criados por Jack Antonoff. A edição física será publicada em 29 de setembro nos Estados Unidos, com 30 poemas. Lana liberou o áudio de LA who am I to love you nas plataformas digitais.

DUA LIPA
Dona de um dos discos mais comentados de 2020, Dua Lipa pretende expandir o universo dance explorado em Future nostalgia com a presença de dois nomes de peso. Em 14 de agosto, a inglesa lançará o remix de Levitating, ao lado de Madonna e Missy Elliot. Será a primeira parceria feminina da chamada Rainha do Pop desde Me against the music, canção de Britney Spears lançada em 2003.

FOLKLORE
. De Taylor Swift
. Republic Records
. Disponível nas plataformas digitais



receba nossa newsletter

Comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Cadastro realizado com sucesso!

*Para comentar, faça seu login ou assine

Publicidade