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Estado de Minas

Escritor Jacques Fux convida o público para tripla 'ménage'

Livro traz conto do autor mineiro, ensaio de Rodrigo Lopes de Barros sobre a obra dele e curta-metragem com a participação do próprio Fux.


postado em 28/04/2020 04:00

Os atores Maria Eduarda de Carvalho e Gustavo Machado em cena do curta Ménage literário(foto: Fotos:Rodrigo Lopes de Barros/divulgação )
Os atores Maria Eduarda de Carvalho e Gustavo Machado em cena do curta Ménage literário (foto: Fotos:Rodrigo Lopes de Barros/divulgação )
Há alguns anos, ao dar uma obra por terminada, o escritor Jacques Fux foi lê-la por completo. Achou uma porcaria, sem redenção. “Só tinha uma página daquele livro inteiro que se salvava”, ele lembra. Em 2016, a tal página foi publicada na revista Bula como o conto Ménage à trois. A narrativa acompanha um homem e uma mulher desconhecidos em um café. O terceiro elemento a que o título se refere seria um churro. A tradicional guloseima de origem ibérica, degustada pela personagem feminina, desperta forte desejo no narrador.

Passados quatro anos de sua publicação original, Ménage à trois ganhou lançamento de mais peso pela Relicário Edições. Em edição trilíngue (português, inglês e espanhol), Ménage literário, Literary menage, Ménage literario reúne o conto e o ensaio Jacques Fux, um Pierre Menard tropical, assinado por Rodrigo Lopes de Barros, crítico, realizador e professor assistente de estudos latino-americanos da Universidade de Boston.

Encartado no livro está o DVD com o curta Ménage literário: Uma investigação sobre a escrita de Jacques Fux, também de Lopes de Barros. O crítico tem um projeto cinematográfico literário. “A ideia é fazer uma série de curtas com 40 escritores”, conta Fux.
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A primeira realização de Lopes de Barros foi o documentário Chacal: proibido fazer poesia (2015). A segunda é justamente o filme inspirado na obra de Fux. A primeira parte foi rodada em 2017, no Rio de Janeiro. Em um café, um homem (Gustavo Machado) assiste à chegada de uma mulher (Maria Eduarda de Carvalho). O deleite inicial do personagem vai num crescendo, quando ela começa a degustar o churro. Intercaladas com essas imagens, assistimos às cenas do próprio escritor, no mesmo café, conversando sobre seu processo criativo com a personagem. No diálogo são citados autores evocados na escrita de Fux, como David Foster Wallace, Carlos Drummond de Andrade, Fernando Pessoa e Charles Baudelaire.

A parte final do curta foi rodada em 2019, quando Fux participava de um evento literário na Cidade do México. A câmera acompanha o escritor em uma palestra e em suas andanças pela capital mexicana, onde ele acaba parando num lugar para comer churros. “O escritor é um performer de sua obra”, diz Fux. O curta está disponível também no YouTube.

A conversa do escritor com a interlocutora é quase didática para quem acompanha o trabalho do autor mineiro, cuja obra (os romances Antiterapias, de 2012; Brochadas, de 2015; Meshugá, de 2016; e Nobel, de 2018) é pautada pela autoficção e pela intertextualidade. O ensaio Jacques Fux, um Pierre Menard tropical aprofunda a discussão. Menard é personagem do conto homônimo de Jorge Luis Borges (objeto do doutorado de Fux), que se esforça para recriar o clássico Dom Quixote, de Cervantes. Dessa maneira, Menard é um nome frequente em discussões literárias sobre autoria e apropriação.
(foto: Relicário/reprodução)
(foto: Relicário/reprodução)

MÉNAGE LITERÁRIO, LITERARY MENAGE, MÉNAGE LITERARIO
Livro e DVD
De Jacques Fux e Rodrigo Lopes de Barros
Relicário Edições 
132 páginas
R$ 36
Informações: www.relicarioedicoes.com


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