Publicidade

Estado de Minas

Corona, o novo astro das telas


postado em 09/04/2020 04:00

 (foto: Imdb/reprodução)
(foto: Imdb/reprodução)

''Tive a ideia do filme quando estava no elevador lendo notícias sobre turistas chineses atacados''

Mostafa Keshvari, cineasta



Oportunismo ou senso de oportunidade? Bem, para não fazermos juízo de valor, é melhor esperar para ver. O que deve ocorrer em breve, já que em 
8 de março, três dias antes de a Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciar a pandemia global do coronavírus, foi criada no YouTube a página de Corona, o filme. O trailer, que está se aproximando das 100 mil visualizações, anuncia um thriller ambientado em um microcosmo. No caso, um elevador.

Segundo longa-metragem do cineasta persa-canadense Mostafa Keshvari, de 33 anos, nascido no Irã e radicado em Vancouver, Corona, o filme chegará ao mundo pelo streaming (claro!) ainda no período da quarentena. Por ora, ainda não há data de lançamento oficial. Mas não deve demorar, pois o diretor teve a ideia em janeiro, filmou em fevereiro e já no início de março concluiu o longa.

“O filme usa o coronavírus como símbolo de medo e xenofobia. O elevador representa a sociedade em que vivemos. Pessoas de diferentes setores entram no elevador – as das classes mais altas vivem nos andares mais altos, as das classes mais baixas nos andares mais baixos”, comentou Keshvari à Vancouver Magazine.

São seis personagens: o técnico de elevador, negro; um neonazista cadeirante com suástica tatuada na testa; o proprietário do edifício; um inquilino endividado; uma mulher loira; e uma jovem millennial. A chegada da sétima ocupante vai detonar a narrativa. Trata-de se uma chinesa.

“Tive a ideia do filme quando estava no elevador lendo notícias sobre turistas chineses sendo atacados”, contou Keshvari ao The Hollywood Reporter.

O diretor disse que deu liberdade para o elenco improvisar. O trailer deixa claro quando a tensão vai se instalar. A chinesa tosse, o elevador para e as luzes se apagam. “Todos nós vamos morrer aqui”, grita alguém, enquanto o nazista saca uma arma. “Acho que todos estamos sendo testados”, diz outro personagem. Deixemos nossa imaginação voar enquanto o filme não é lançado.

Corona, o filme foi rodado em um único plano-sequência (sem cortes) num estúdio de Vancouver. Os chineses, vale dizer, formam a maior minoria étnica daquela cidade, conhecida por ter a segunda maior Chinatown da América do Norte.

RAÇA 

Quando filmou o longa, Keshvari não sabia que a COVID-19 se tornaria pandemia. “Até então, era conhecido como vírus chinês. Porém, agora todo mundo pode tê-lo, não é apenas um problema de raça. A raça humana precisa se unir para derrotar o vírus”, acrescentou o diretor ao The Hollywood Reporter.

Pelo menos do lado de cá do Equador, Keshvari é um ilustre desconhecido. Em sua biografia no Internet Movie Database (IMDB), a maior base de dados on-line do mercado audiovisual, destaca-se a seleção de I Ran para o Festival de Curtas-Metragens de Cannes, em 2015. O filme conta a história de uma jovem iraniana que ganha bolsa de estudos no Canadá, mas sofre com as sanções impostas a seu país. O primeiro longa de Keshvari, Unmasked (2018), acompanha uma muçulmana que se tornou atriz.

Também poeta, pintor e designer de moda, Mostafa Keshvari, desde 2019, está à frente da organização BC Minorities for Film and TV, que, de acordo com ele, concentra-se “no fortalecimento das minorias, por meio da criação de oportunidades iguais para todos”.





Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade