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Estado de Minas ESTADOS UNIDOS

Museu em Los Angeles vai contar a história do cinema

Acervo tem objetos icônicos da sétima arte, como sapatos vermelhos de Judy Garland e capa de Drácula de Bela Lugosi. São 190 mil filmes e 12,5 milhões de fotografias. Inauguração será em dezembro


postado em 23/02/2020 04:00 / atualizado em 23/02/2020 09:21

(foto: Valerie Macon/AFP)
(foto: Valerie Macon/AFP)

Los Angeles
– Depois de longa espera, o Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood abrirá as portas em 14 de dezembro, com homenagem ao ator Kirk Douglas, que morreu no último dia 5, aos 103 anos. O espaço é ligado à instituição responsável pelo Oscar.

A ideia do espaço dedicado à sétima arte demorou um século para sair do papel. Com previsão de inauguração em 2017, as obras do prédio idealizado pelo arquiteto italiano Renzo Piano, iniciadas há cinco anos, foram marcadas por atrasos.

Chama a atenção a gigantesca esfera de vidro, aço e concreto que parece flutuar sobre o chão, conectando-se por passarelas ao edifício principal. De acordo com os idealizadores, a missão do museu é registrar a história do cinema e de suas inovações, além de mostrar aos visitantes as diferentes técnicas empregadas na elaboração de filmes.

Será possível, por exemplo, ver os famosos sapatos vermelhos de Judy Garland em O mágico de Oz; as portas do fictício Rick's American Café frequentado por Humphrey Bogart em Casablanca; a capa de Drácula usada por Bela Lugosi no clássico lançado em 1931; e a mandíbula do “astro” do filme Tubarão (1975), que consagrou Steven Spielberg

Um espaço relembrará a trajetória de Kirk Douglas, lenda de Hollywood. “Quando as estrelas do cinema se apagam, o museu ajudará a contar suas histórias. Esta é a missão a que nos propusemos”, afirmou Bill Kramer, diretor da instituição.

Esfera de vidro projetada por Renzo Piano será batizada com o nome de Barbra Streisand (foto: Renzo Piano/divulgação)
Esfera de vidro projetada por Renzo Piano será batizada com o nome de Barbra Streisand (foto: Renzo Piano/divulgação)

Doações

O Museu da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood custou US$ 388 milhões – 95% dos recursos vieram de uma campanha de arrecadação de fundos. “Fãs de todo o mundo sabem da importância do museu terá para a preservação da memória do cinema. Só podemos agradecer as contribuições”, afirmou Kramer.
Certamente, a instituição se tornará o novo ponto turístico de Los Angeles. “Todo o material colecionado pela Academia desde os anos 1930 vai compor o acervo, acrescido de objetos que comprovam a evolução tecnológica do cinema”, explica Kramer.

A coleção é monumental: cerca de 85 mil roteiros, 100 mil objetos de produção, 190 mil filmes e 12,5 milhões de fotografias, além de 1,7 mil objetos pessoais que pertenceram a Katharine Hepburn, Cary Grant e Alfred Hitchcock, entre outras figuras lendárias da sétima arte.

Um espaço exibirá das rudimentares câmeras de filmar usadas no início do século passado ao primeiro modelo do Steadicam, estabilizador criado por Garrett Brown em 1974, que dá a impressão de que a câmera flutua, evitando incômodas trepidações na imagem.

A entrada do museu será o prédio inaugurado em 1939, então ocupado pela May Company. Transformado em patrimônio histórico e cultural em 1992, o edifício foi cedido para a Academia, que contratou o arquiteto italiano Renzo Piano para adaptá-lo.

Piano criou um novo espaço de estilo moderno, que estará acoplado à parte de trás da construção histórica. A área total soma 3,6 mil metros quadrados. Duas salas de exibição funcionarão ali. A maior, com mil lugares e decorada em vermelho (alusão ao famoso tapete do Oscar), terá uma tela capaz de exibir todos os tipos de filmes, até do antigo nitrato. A segunda sala, em tom verde, terá 288 lugares e programação diária.

O carioca Bernardo Rondeau, que trabalha na Academia desde 2014, é o encarregado de programar a agenda das duas salas. A inauguração terá retrospectiva do mestre de cinema de animação japonês Hayao Miyazaki, em colaboração com o estúdio Ghibli, informa Rondeau.

Além da exibição de filmes, haverá exposição com cerca de 200 objetos, entre desenhos conceituais, storyboards e ambientes imersivos baseados em filmes como A viagem de Chihiro (2001). Outra atração será a mostra sobre a história dos diretores afrodescendentes americanos e sua contribuição para o cinema.

Como o capital foi levantado a partir de doações, vários espaços ganharam nomes dos principais contribuintes. Assim, a gigantesca esfera de vidro já é conhecida como Barbra Streisand Bridge.

Vestido 

O Brasil terá participação mínima. De acordo com Rondeau, o acervo conta apenas com o vestido usado por Sônia Braga em O beijo da Mulher Aranha (1985), um filme de testes de figurinos com Carmen Miranda e cartazes de longas como Barravento (1962), de Glauber Rocha.  














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