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Estado de Minas

Conheça Billie Eilish, a cantora de 18 anos que venceu cinco Grammys

Dona do hit 'Bad guy', do álbum 'When we all fall asleep, where do we go?', ela se confirmou como a voz singular de uma geração


01/02/2020 04:00 - atualizado 31/01/2020 22:25

Na cerimônia do Grammy, domingo passado, Billie Eilish cantou seu hit Bad guy, do álbum When we all fall asleep, where do we go?(foto: Robyn Beck/AFP)
Na cerimônia do Grammy, domingo passado, Billie Eilish cantou seu hit Bad guy, do álbum When we all fall asleep, where do we go? (foto: Robyn Beck/AFP)

Em dezembro passado, ela completou 18 anos. Um mês depois, no último domingo (26), tornou-se a primeira mulher a vencer as quatro principais categorias em uma mesma edição do Grammy. A norte-americana Billie Eilish já era a pessoa mais jovem a concorrer simultaneamente aos gramofones de Melhor Canção, Melhor Álbum, Gravação do Ano e Artista Revelação.

Ela se consagrou graças ao sucesso de When we all fall asleep, where do we go?, disco de estreia que a colocou no patamar de principal cantora do mundo no momento, e do hit Bad guy. Além dos troféus nas quatro categorias, ainda venceu a disputa do título de Melhor Álbum Vocal de Pop.

Se estudasse na mesma escola que Lana Del Rey, Demi Lovato, Taylor Swift, Ariana Grande ou Camila Cabello, as superestrelas que a precedem, Billie Eilish provavelmente não passaria o recreio com elas. Num estilo bem diferente, com seu cabelo colorido (na cerimônia de entrega do Grammy os fios estavam tingidos de verde) e visual no mínimo alternativo aos padrões mais convencionais, a jovem californiana parece egressa de uma banda punk dos anos 1990. Mas seu estilo musical traduz bem a fluidez inquieta de sua faixa etária. No premiado álbum, lançado em 2019, escuta-se um pouco de indie, folk, R&B, eletro e hip-hop, com várias experimentações entre eles, mas é possível enquadrá-lo, no máximo, como pop.

Ausente no som, a atitude punk, de certa forma, está nos bastidores de sua música. Billie gravou o disco em casa, junto com o irmão Finneas O’Connell, premiado no Grammy como melhor produtor. “Sempre fazemos música juntos, no quarto, e continuamos a fazer assim. Isso é para toda a garotada que faz música no seu quarto. Vocês ainda vão ganhar um destes”, disse, ao receber o prêmio, endereçando o recado para toda uma geração familiarizada com os programas domésticos de edição, gravação e mixagem, que possibilitam aos mais criativos fazer e compartilhar uma música própria na internet.

SOUNDCLOUD

Filha do casal de atores Maggie Baird e Patrick O'Connell, foi com seu método de produção caseiro que Billie Eilish despontou, ainda em 2016, quando lançou a faixa Ocean eyes na plataforma SoundCloud. A canção viralizou e chamou a atenção da gravadora Interscope, pela qual ela lançou o EP Don't smile at me, no ano seguinte, também “feito em casa”, e o bombástico When we all fall asleep, where do we go?.

Essa nova versão do “faça você mesmo” também projetou o cantor Lil Nas X, outro fenômeno, que coleciona alguns recordes na Billboard Hot 100, principal parada de sucessos do mundo, antes de ter completado 20 anos de idade, com o hit Old town road. Ele tinha seis indicações no Grammy e acabou superado por Eilish em três delas. Levou dois gramofones, por Melhor Performance Pop em Dupla e de Melhor Videoclipe, pela versão de Old town road em parceria com Billy Ray Cyrus.

No que também é uma característica de sua geração, a jovem alterna entre pontos em comum com artistas de sua faixa etária e uma individualidade fortemente marcada. Além do vestuário que não se encaixa num padrão e das batidas mais intensas, Billie Eilish tem letras mais carregadas nas doses de incertezas existenciais, em comparação ao repertório de outras estrelas do pop.

“Eu sou do tipo ruim/ Do tipo que deixa sua mãe triste/ Do tipo que deixa sua namorada brava / Do tipo que talvez seduza seu pai/ Eu sou um cara mau”, ela canta, ou melhor, sussurra nos versos de Bad guy (Cara mau, em tradução literal). Com pouca melodia e vocais pouco convencionais, ela fala de temas pessoais e triviais, relacionados, por exemplo, a desencontros afetivos no álbum cujo título em português seria Quando nós todos dormimos, para onde vamos?

Também traduzidos para o português, os títulos das demais faixas são autoexplicativos: Eu queria que você fosse gay, Todas as boas meninas vão para o inferno, Quando a festa acaba, Você deveria me ver na multidão e Enterre um amigo. Tudo isso aparece amarrado a um conceito relacionado à paralisia do sono, explorado também nos clipes, como afirmou a própria cantora em entrevista à revista britânica NME, na qual afirmou já ter sofrido com o distúrbio que deixa a pessoa incapaz de se mover no momento em que desperta ou logo antes de adormecer.

DRAMAS

A criatividade de Billie Eilish, marcada por esses traços mais densos e sombrios, tem a ver com outros dramas pessoais que ela enfrentou. A cantora e compositora fala abertamente sobre ter sofrido depressão ao longo dos últimos anos e convivido também com pensamentos suicidas.

Num programa emissora de TV norte-americana CBS, no fim do ano passado, ela confessou que, entre 2018 e 2019, se sentia extremamente infeliz e pensou que “não chegaria aos 17”. Na mesma entrevista, disse que contornou a situação graças ao apoio da mãe e dos fãs. Hoje, procura ajudar quem sofre da mesma enfermidade. "Eu os agarro pelos ombros e fico tipo 'Por favor, cuide-se e seja bom consigo mesmo, seja gentil consigo mesmo'", conta.

Na premiação do Grammy, ela dedicou o êxito aos seus admiradores. "Acredito que os fãs merecem tudo", afirmou, ao receber o terceiro gramofone durante a premiação. "Sinto que não se falou o suficiente sobre eles esta noite, porque são a única razão pela qual qualquer um de nós está aqui. Então, obrigado aos fãs!" A dimensão global de seu sucesso se estende ao Brasil. Com uma boa base de fãs por aqui, Billie Eilish virá pela primeira vez ao país neste ano. As datas de shows já confirmadas são 30 de maio, em São Paulo, no Allianz Parque, e no dia seguinte, no Rio de Janeiro, na Jeunesse Arena. Os ingressos variam entre R$ 320 e R$ 680 e já estão à venda.


QUEBRANDO A BANCA


Veja quem Billie Eilish superou no Grammy 2020

» Gravação do ano

Hey ma - Bon Iver
» Bad guy - Billie Eilish 
Hard place - H.E.R.
7 rings - Ariana Grande
Talk - Khalid
Turth hurts - Lizzo
Old town road - Lil Nas X feat. Billy Ray Cyrus 
Sunflower - Post Malone feat. Swae Lee


» Álbum do ano

I, I - Bon Iver
Norman F***ing Rockwell - Lana Del Rey
» When we all fall asleep, where do we go? - Billie Eilish 
Thank U, next - Ariana Grande
I used to know her - H.E.R.
7 - Lil Nas X
Cuz I love you (Deluxe) – Lizzo 
Father of the bride - Vampire Weekend


» Artista revelação

Black Pumas
» Billie Eilish
Lil Nas X
Lizzo
Maggie Rogers
Rosalía
Tanks and the Bangas
Yola


» Canção do ano

Always remember us this way - Lady Gaga
» Bad guy - Billie Eilish 
Bring my flowers now - Tanya Tucker
Hard place - H.E.R.
Lover - Taylor Swift
Norman F***ing Rockwell - Lana Del Rey
Someone you loved - Lewis Capaldi
Truth hurts - Lizzo


» Melhor álbum pop vocal

The Lion King: The gift - Beyoncé
» When we all fall asleep, where do we go? - Billie Eilish
Thank U, next - Ariana Grande
No. 6 Collaborations Project - Ed Sheeran
Lover - Taylor Swift


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