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Estado de Minas

Robert Cray, o homem que revitalizou o blues, toca em BH na quarta

Guitarrista desembarca no Brasil depois de um hiato de 10 anos. E traz boas recordações do show que fez na capital mineira em 1996


postado em 30/07/2019 04:14

Com quatro décadas de carreira, Robert Cray presta tributo aos mestres Albert Collins, B. B. King, Buddy Guy e Muddy Waters(foto: Eduardo Munoz/Reuters)
Com quatro décadas de carreira, Robert Cray presta tributo aos mestres Albert Collins, B. B. King, Buddy Guy e Muddy Waters (foto: Eduardo Munoz/Reuters)

Belo Horizonte, noite de 8 de março de 1996. Ao se aproximar da Avenida dos Andradas, o guitarrista norte-americano Robert Cray viu uma grande fila. Perguntou para onde aquelas pessoas estavam indo. “Para o seu show”, foi a resposta que recebeu do produtor que o acompanhava. “Não acreditei na quantidade de gente que estava ali. Foi realmente fantástico”, relembra ele a respeito de sua apresentação na extinta Estação 767.

Cray, que completa 65 anos na quinta-feira (1º/8), é velho conhecido dos brasileiros. Lembra-se de que a primeira turnê no país foi 31 anos atrás porque guarda, até hoje, um suvenir (uma placa de carro) onde está grafado “Rio de Janeiro, 1988”. De volta ao Brasil após uma década, ele se apresenta na quarta-feira (31), no Palácio das Artes. A turnê, que teve início em São Paulo e passa pelo Rio de Janeiro e por Brasília, integra a série de capitais onde é realizado o Festival BB Seguros de Blues e Jazz.

Referência do blues, Cray tocou com vários dos maiores – B. B. King, Eric Clapton, Albert Collins, John Lee Hooker, Muddy Waters, Keith Richards, Stevie Ray Vaughan e Chuck Berry. Mas o pulo do gato em sua carreira, que lhe garantiu bastante popularidade, foi atualizar o blues – por vezes, trazendo influências do R&B, soul e rock. Seu álbum mais conhecido é Strong persuader (1986), que incluiu os sucessos Right next door (Because of me) e Smoking gun.

Em 40 anos de carreira, Cray lançou 20 álbuns de estúdio e recebeu cinco prêmios Grammy. No show, o guitarrista vai tocar ao lado de Richard Cousins (baixo), Dover Weinberg (teclados) e Terrence Clark (bateria). O repertório mescla velhas e novas canções.

Seu álbum mais recente é Robert Cray & Hi Rhythm (2017). O trabalho foi realizado em Memphis, Tennessee, com a Hi Rhythm Section, lendária formação de estúdio que gravou com Al Green, Otis Clay e Ann Peebles. Ideia do produtor e músico Steve Jordan, que há muitos anos colabora com ele (e produziu Herbie Hancock e John Mayer, entre outros), o disco teve a participação do cantor, compositor e guitarrista Tony Joe White, morto em 2018.

APELIDOS Nascido em Columbus, na Geórgia, Cray descobriu o blues nos discos dos pais. “Quando tinha 16 anos, passei a ouvir B. B. King, Buddy Guy e Muddy Waters por influência dos amigos. Ficava ouvindo aqueles caras com apelidos estranhos, Muddy Waters (águas lamacentas), Howlin' Wolf (lobo uivando)... Aquilo realmente me atraiu”, ele conta.

Mas a chave virou mesmo quando, no show de formatura de sua escola em Lakewood, no estado de Washington, Cray, de 17, assistiu ao guitarrista Albert Collins. “No final da apresentação, fui até ele e falei como havia gostado. Ele se virou para mim e perguntou: 'Jovem, você toca guitarra?'. Respondi que sim. E ele me disse: 'Então, continue'.”

Quatro anos mais tarde, Cray, já vivendo em Eugene, no Oregon, acompanhou com sua banda o próprio Collins. “Depois daquele primeiro show, todas as vezes em que ele se apresentava na Costa Oeste nós éramos sua banda de apoio. Fizemos isso durante um ano e meio. Mais tarde, gravamos juntos o álbum Showdown! (de 1985, também com o guitarrista Johnny Copeland). Então, Albert Collins foi a minha maior influência.”

Para aqueles que estão descobrindo agora a guitarra do blues, Cray tem uma dica bem simples: “Se sua pretensão for formar uma banda, toque com o maior número de músicos que puder. Banda significa unidade e saber se divertir. Não fique pensando em popularidade, só aproveite o momento. É nessas horas que as coisas começam a mudar”.

Com uma carreira longeva e parcerias com os maiores, Cray se diz um músico melhor hoje em dia. “O tempo realmente faz a diferença, pois ele te faz ouvir mais, prestar atenção ao que está acontecendo ao redor. E isso melhora a música”, garante.

ROBERT CRAY
Quarta-feira (31), às 21h. Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Plateia 1: R$ 200 (inteira) e R$ 100 (meia-entrada). Plateia 2: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia-entrada). Balcão: R$ 120 (inteira) e R$ 60 (meia-entrada). Ingressos à venda no local e no site Ingresso Rápido.

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