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Estado de Minas

Em dia com a psicanálise


postado em 02/06/2019 04:12






Uma razão

Todos sabemos que a vida é feita de ciclos que se alternam, nos obrigando a novos rumos. Outros caminhos nos encontram e algumas escolhas são difíceis. Tentamos evitá-las, adiamos, estendemos nosso prazo, mas logo chega o instante de concluir depois da convicção de um saber do qual já não podemos mais fugir. Depois disso, nada nos resta senão fazer nossa aposta. E como toda aposta é sem garantia, esperemos o resultado e logo veremos se ele nos favoreceu ou não.

Deixamos para trás outros mundos que já não nos pertencem mais. Nos separamos, nos dividimos, ficando apenas o indispensável. Assim é a vida, cheia de curvas, erosões e também lindos campos que nos convidam a um futuro promissor em outras cercanias.

Amigos antigos que há muito não vemos, senão nas redes sociais, lembranças de bons tempos e dos ruins cruzam nosso pensamento como um filme já com emoções antigas. Mas a certeza da boa escolha nos acalma, nos fazendo ter a certeza de que tudo que se vai é tolerável e benéfico. Lembranças agradáveis e outras tristes que doem menos quando cicatrizadas.

Cortes são necessários, perdas inevitáveis e, além disto, nos ensinam e fazem lembrar a obrigação de sermos fortes para superá-las. Como estará o que passou? O que fazem aqueles que passaram e para onde vão quando não estamos mais presentes em suas vidas cheias como as nossas.

Seguimos adiante, colhendo o novo, mas não deixando de amar o que passou. Guardamos boas lembranças de tudo que o tempo nos deu no coração e a certeza de que a alegria de novas conquistas sempre virá. A vida é de despedidas e também reencontros.

Assim é. A vida ora nos parece curta, ora longa. Quantos anos se passaram! Pensamos em nossas lembranças da infância e adolescência e quando já são tantas primaveras que nem as contamos mais nos dedos há décadas. E ainda nos assustamos com a discrepância entre os anos vividos como um flash. Quase nunca nos sentimos com idade bastante ou igual a que realmente nos alcançou.

Se pareço melancólica, prezado leitor, é por saber que amanhã será outro dia e não hoje. E o que nos reserva o futuro? Não sabemos. E ainda assim apostamos que haja. Que seja como o poeta Rimbaud escreveu em Uma razão:

Um toque de teu dedo no tambor desencadeia todos/Os sons e dá início à nova harmonia./ Um passo teu recruta os novos homens, e os põe em marcha./ Tua cabeça avança: o novo amor! Tua cabeça recua – o novo amor! Muda nossos destinos, passa ao crivo as calamidades, a começar pelo tempo, cantam estas crianças, diante de ti. Semeia não importa onde a substância de nossas fortunas e desejos, pedem-te. Chegada de sempre, que irás por toda parte.

Precisamos de coragem para viver e seguir sempre nosso desejo, mesmo que momentos de medo venham nos assaltar a alma. Ainda assim passos devem ser dados rumo àquilo que acreditamos. Tudo começa e termina. Ganhamos e perdemos. Continuamos contentes com o que construímos no caminho. É muito bom olhar para trás e ver erros e acertos. Porém, melhor será com um saldo positivo. E isso se constrói fazendo de hoje o que será o amanhã. Avante!!

Convite aos leitores: em 19 de junho, às 19h30, na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1.466, Lourdes), terei a honra de proferir palestra homônima ao artigo Júlio Verne me salvou. Entrada franca.


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