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Estado de Minas

Minissérie impactante da HBO relembra a tragédia de Chernobyl

Pior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, inspirou atração com cinco episódios, exibidos às sextas-feiras. Ficção mostra como inépcia e abuso de poder podem causar destruição em massa


postado em 31/05/2019 04:09

Em seus últimos dias, o bombeiro Vasily Ignatenko (Adam Nagaitis) é amparado pela mulher, Lyudmilla (Jessie Buckley)(foto: Multishow/Divulgação)
Em seus últimos dias, o bombeiro Vasily Ignatenko (Adam Nagaitis) é amparado pela mulher, Lyudmilla (Jessie Buckley) (foto: Multishow/Divulgação)



 

No hospital, o bombeiro Vasily Ignatenko (Adam Nagaitis) pede à mulher, Lyudmilla (Jessie Buckley), que abra a janela do quarto. Os poucos raios de sol o incomodam de tal forma que ela coloca óculos nele. Vasily pede que Lyudmilla descreva o que vê. Sem olhar pela janela, a mulher cita o Kremlin e a Catedral de São Basílio. “Eu disse que te mostraria Moscou”, ele diz, tentando sorrir.

A sequência é de uma força dramática impressionante. Vasily está morrendo da pior forma possível. Mais tarde, seu corpo vai virar a massa multiforme em que não é possível aplicar morfina para diminuir a dor. Vasily será enterrado em caixão de zinco em uma cova devidamente cimentada.

Chernobyl, coprodução da HBO/Sky, está chegando a seus momentos finais. Nesta sexta-feira (31), o canal pago exibe o quarto dos cinco episódios da minissérie criada por Craig Mazin – que, surpreendentemente, ficou conhecido como autor de sequências das comédias Todo mundo em pânico e Se beber, não case.

A produção acompanha os desdobramentos do pior acidente nuclear da história. À 1h23 de 26 de abril de 1986, uma série de explosões destruiu o reator e o prédio do quarto bloco da Usina Nuclear de Chernobyl, a 110 quilômetros de Kiev, na Ucrânia (ex-União Soviética). O bombeiro Vasily foi um dos primeiros a chegar ao local.

Trinta e uma pessoas (bombeiros e funcionários da usina, principalmente) morreram nas semanas subsequentes. Indiretamente, o acidente matou, posteriormente, milhares de cidadãos que ficaram expostos à radiação (cerca de 600 mil pessoas trabalharam na área). De acordo com o Greenpeace, foram 93 mil vítimas fatais de câncer. Há ainda os milhares que sofreram sequelas.

“Muitos vão morrendo. Morrem de repente. Caminhando. Estão andando e caem mortos. Adormecem e não acordam mais”, afirmou Lyudmilla Ignatenko em depoimento à escritora Svetlana Aleksiévitch. A ucraniana, vencedora do Nobel de Literatura em 2015, abre o livro Vozes de Tchernóbil (Cia. das Letras) com o depoimento da viúva do bombeiro.

Assim como Vasily e Lyudmilla, outros personagens reais compõem a versão dramatizada. Os três protagonistas são Valery Legasov (Jared Harris), físico nuclear soviético, um dos primeiros a entender a dimensão do desastre sem precedentes; Boris Shcherbina (Stellan Skarsgard), o político designado para liderar a comissão do governo em Chernobyl; e Ulana Khomyuk (Emily Watson), física nuclear escalada para esclarecer o caso. Apenas a personagem feminina é ficcional.

Uma fala de Legasov resume a dimensão da explosão: “Cada átomo de urânio é como uma bala. Penetra tudo em seu caminho – metal, concreto, carne. Agora, Chernobyl possui mais de 3 trilhões dessas balas.” O suicídio de Legasov, dois anos depois dos acontecimentos, dá início à narrativa. A partir da explosão, cujas causas não foram devidamente esclarecidas, acompanhamos uma montanha-russa.

Os fatos são apresentados num thriller em tempo real, seguindo as reações confusas de várias pessoas que estão muito perto do reator nuclear. Homens usam máscaras cirúrgicas, obviamente impotentes diante da invasão atômica; a cidade de Pripyat, que abriga os trabalhadores de Chernobyl, leva uma vida normal um dia após a explosão (a evacuação de milhares de moradores demorou mais de 24 horas); a KGB coloca agentes atrás das pessoas que trabalham na tentativa de conter a radiação; o Kremlin tenta esconder o que realmente ocorreu.

Ao mirar temas como vigilância e distorção da verdade, Chernobyl, em seu misto de terror, ficção científica e drama humano, acaba se aproximando do mundo contemporâneo. E como é real.

Por isso, a produção conquistou a posição de série mais bem avaliada no site especializado IMDB, com nota 9,7, superando os blockbusters Game of thrones e Breaking bad.


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