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Encarando a idade


postado em 24/05/2019 04:08


Hoje, a coluna é de autoria do ginecologista oncológico da Rede Mater Dei de Saúde e professor da UFMG Agnaldo Lopes Silva Filho:

“Um dos fenômenos mundiais mais evidentes está no envelhecimento populacional que requer cuidados para ocorrer saudavelmente. Conforme o IBGE, a expectativa de vida da brasileira é 79,4 anos e isso requer avaliar vários fatores para viver bem e com saúde. As doenças cardiovasculares são uma importante causa de mortalidade e os cuidados principais para redução desse risco são o controle da pressão arterial e colesterol, evitando o tabagismo e sedentarismo, praticando atividade física.

O processo também precisa abordar a menopausa, a última menstruação, pois, muitas vezes, o termo é empregado indevidamente para designar o climatério, fase de transição do período reprodutivo, ou fértil, para o não reprodutivo. As mulheres passam por uma mudança com a falência do ovário e a concentração dos hormônios estrogênio e progesterona cai irreversivelmente por volta dos 50 anos. Também se deve ressaltar a importância do rastreamento de câncer. Os exames preventivos como papanicolau (câncer de colo de útero), a mamografia (câncer de mama) e a colonoscopia (câncer colorretal) são recomendados.

É fundamental avaliar o calendário vacinal, principalmente as vacinas antipneumocócicas e contra o herpes-zóster. Outro cuidado observado está na atrofia vaginal, causada por uma redução na produção de estrogênio comum nessa faixa etária. A reposição hormonal ou mesmo a utilização de hormônios locais ou outros medicamentos são sugeridos para melhorar os sintomas. A mucosa vaginal fica atrófica, sendo predisposta a infecção urinária e dificuldade nas relações sexuais, entre outras situações.

Ultimamente, observa-se uma mudança na sociedade com uma valorização da sexualidade feminina nessa faixa etária. Por outro lado, as doenças como a aids também acometem esse público. A disponibilização de medicamentos para disfunção erétil aumentou o ato sexual na terceira idade. O preservativo é o método mais simples e eficaz para prevenção contra as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST), sendo indispensável durante qualquer relação sexual (oral, anal e vaginal).

As DST na terceira idade ainda são um tema polêmico, em decorrência da complexidade clínica e da forma como são abordadas. Entretanto, as mudanças comportamentais e sexuais nessa faixa etária dependem de melhor entendimento sobre a mudança considerável no perfil do idoso brasileiro. A incidência de DST nesse período preocupa os profissionais do cuidado clínico. Conforme dados do Ministério da Saúde, cerca de 4% a 5% da população acima de 65 anos apresentam alguma doença transmitida sexualmente. Os dados do Boletim Epidemiológico apontam que, em 2016, quando foram registrados 1.294 casos, houve um crescimento de 15% no índice de pessoas acima de 60 anos com o vírus HIV.

As DST mais comuns nessa idade são aids, HPV, hepatite B e C. O tratamento das DST deve ser feito com a análise dos dois parceiros para tratá-los simultaneamente e evitar recorrência ou disseminação. Outro problema está no fato de como os profissionais clínicos devem lidar com a situação para não causar constrangimento e diminuir as chances de diagnóstico para um tratamento precoce. É crucial ressaltar que o tratamento mantém o mesmo padrão nas outras faixas etárias e deixar claro que a melhor recomendação é a prevenção para garantir qualidade de vida.

O rastreamento é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram atividade sexual com a repetição do exame papanicolau a cada três anos, após dois exames normais consecutivos realizados com um intervalo de um ano. A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), o Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) recomendam a mamografia anualmente, a partir dos 40 anos, visando o diagnóstico precoce e a redução da mortalidade. A medida difere das recomendações atuais do Ministério da Saúde ao estabelecer o rastreamento bianual, a partir dos 50 anos, excluindo dos programas de rastreamento uma faixa importante da população (mulheres entre 40-49 anos), responsável por cerca de 15% a 20% dos casos de câncer de mama.”


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