Conteúdo para Assinantes

Continue lendo ilimitado o conteúdo para assinantes do Estado de Minas Digital no seu computador e smartphone.

price

Estado de Minas Digital

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Utilizamos tecnologia e segurança do Google para fazer a assinatura.

Assine agora o Estado de Minas digital por R$ 9,90/mês. Experimente 15 dias grátis >>

Estado de Minas

BH recebe a nova versão da ópera-rock Tommy, clássico da banda The Who

Espetáculo terá apenas uma sessão, domingo (17), no Palácio das Artes. Com 11 artistas no palco, produção britânica se inspira no filme dirigido por Ken Russel, lançado em 1975


postado em 17/03/2019 05:14

O garoto Sam Darker interpreta a primeira fase do personagem, vivido por Gary Brown na idade adulta. Espetáculo tem 11 músicos e atores no elenco (foto: DAVID MACDONNELL/DIVULGAÇÃO)
O garoto Sam Darker interpreta a primeira fase do personagem, vivido por Gary Brown na idade adulta. Espetáculo tem 11 músicos e atores no elenco (foto: DAVID MACDONNELL/DIVULGAÇÃO)


Filho de um militar que todos acreditaram ter sido morto durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), o garoto Tommy Walker se torna cego, surdo e mudo depois de assistir, através de um espelho, a um assassinato. A despeito das deficiências, ele vira um campeão de fliperama e atinge tal estado de graça que recupera os sentidos. Acaba se tornando um ser messiânico, que cria sua própria religião. Mais tarde, descartado por seus discípulos, Tommy se torna novamente uma pessoa tão isolada quanto havia sido na infância.

“Tommy é sobre a vida”, afirmou o compositor e guitarrista Pete Townshend, então com 24 anos, à revista Rolling Stone. Era julho de 1969 e o The Who havia lançado, dois meses antes, seu quarto álbum. Disco duplo, ambicioso, deu origem à chamada ópera-rock. “Pela primeira vez, um grupo de rock criou um trabalho coeso que poderia ser comparado aos clássicos”, escreveu, na época, a RS.

Nesses 50 anos, muitas outras foram produzidas, incluindo Quadrophenia (1973), também do Who, que muitos julgam superior a Tommy. Mas a história atemporal e as grandes canções – Pinball wizard, I’m free, Tommy can you hear me? e Go to the mirror! – dão sentido a Tommy hoje para além da nostalgia.

Em apresentação única neste domingo (17), no Palácio das Artes, a montagem britânica Tommy leva para o palco a narrativa integral dessa história. Lançado em Londres, em 1995, o espetáculo sofreu uma atualização desde então. “A tecnologia melhorou muito. Hoje temos um grande telão no fundo do palco e, na segunda parte do show, fazemos o uso de lasers. Além disso, o elenco não é tão grande quanto o daquela época. Era gente demais. (Mesmo com a redução) Todos os personagens estão no palco”, garante o diretor Alan Veste.

Veste está no Brasil acompanhando a turnê, a primeira do musical fora da Europa. O giro começa por BH e, até o próximo domingo (24), Tommy será apresentado em Florianópolis, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Curitiba e São Paulo. No palco, 11 artistas, entre músicos e cantores, fazem as vezes dos personagens que vêm à tona nas canções. O personagem-título é interpretado por Gary Brown na idade adulta e por Sam Darker na infância.

FILME

A base da montagem foi o longa-metragem lançado em 1975 por Ken Russell. Indicado a dois Oscars, o filme reuniu um elenco estelar que tinha, além da própria banda (com o vocalista Roger Daltrey fazendo o papel-título), Elton John, Eric Clapton, Tina Turner e Jack Nicholson. A atriz Ann Margret, que interpretou Nora, a mãe do protagonista, levou o Globo de Ouro.

Na primeira parte do espetáculo, acompanhamos toda a história. Já na segunda, o palco se transforma num show tradicional. Nesse momento, a banda executa as canções que fariam parte de Lifehouse, a ópera-rock de ficção científica que o Who lançaria na esteira de Tommy. Townshend acabou abandonando o projeto, mas o repertório entrou no álbum seguinte da banda, Who’s next (1971). Em 2000, o guitarrista lançou a caixa Lifehouse chronicles, que reuniu versões seminais de canções como Baba O’Riley e Who are you.

Voltando a 1969, Townshend afirmou à Rolling Stone que o tema central de Tommy era o jogo entre a realidade e a ilusão. “E, hoje em dia, com a questão de status, de celebridades, isso continua sendo relevante. Afinal, a história fala da vinda de um falso messias”, comenta Alan Veste. O musical, de acordo com o diretor, nunca havia saído da Europa por causa da alta demanda, principalmente da Grã-Bretanha – além disso, Tommy já teve outras versões para o palco, uma premiadíssima da Broadway.

Em 1978, com a trágica morte de Keith Moon – um dos maiores bateristas da história do rock, foi sufocado pelo próprio vômito –, o Who não segurou as pontas. No início dos anos 1980, a banda anunciou sua separação. Com o tempo, eles voltaram a se reunir. Nesses mais de 30 anos, houve sucessivas turnês e shows especiais. Mesmo com a morte do baixista John Entwistle, em 2002, Townshend e Daltrey se mantiveram em atividade. A passagem do Who pelo Brasil, há dois anos, mostrou que a dupla, hoje septuagenária, continua em forma. E boa música não tem idade.

Uma história, várias visões

Assistir a um assassinato, ainda na infância, não é o único trauma que faz Tommy se refugiar em seu próprio mundo (alguns consideram o personagem autista). O garoto também sofre espancamento (por um primo) e estupro (por um tio).

A tentativa de cura vem por meios nada convencionais, como o uso de alucinógenos. Mas Tommy só vai conseguir começar a se comunicar por intermédio de uma máquina de pinball (para nós, o bom e velho fliperama). Acaba chamando a atenção dos outros, já que é um jovem em estado quase catatônico que se torna um campeão do jogo.

A narrativa de Tommy reflete o espírito da época em que Pete Townshend criou a ópera-rock. A psicodelia estava em alta, o movimento hippie era uma realidade. Tommy foi executada quase integralmente no Festival de Woodstock, o símbolo daquela era.

A apresentação, histórica, teve seus problemas, incluindo uma interrupção do ativista político Abbie Hoffman, que subiu ao palco de Woodstock para um discurso (e por pouco não foi jogado para fora do palco por Townshend). Roger Daltrey afirmou que o show foi o pior do Who.

Em 1989, para comemorar os 20 anos de lançamento do álbum, foi feita uma turnê especial. Já em 2017, Daltrey e Townshend reviveram a ópera-rock nos shows Tommy & more, que teve apenas sete edições no Reino Unido. Posteriormente, o especial Tommy – Live at The Royal Albert Hall foi lançado em CD, vinil, DVD e blu-ray.

Parte 1

Introdução

l Overture
l It’s a boy
l 1951
l Amazing journey
l Sparks
l Eyesight to the blind (The Hawker)
l Christmas
l Cousin Kevin
l The Acid Queen
l Do you think it’s alright?
l Fiddle about
l Pinball wizard
l There’s a doctor
l Go to the mirror!
l Tommy can you hear me?
l Smash the mirror
l Underture
l I’m free
l Miracle cure
l Sensation
l Sally Simpson
l Welcome
l Tommy’s holiday camp
l We’re not gonna take it

Parte 2

l Pure and easy
l Let’s see action
l Baba O’Riley
l Bargain
l Getting in tune
l Goin’ mobile
l Behind blue eyes
l Song is over
l Love ain’t for keeping
l Won’t get fooled again
l Who are you?
l Join together

TOMMY
Ópera-rock baseada na obra do The Who. Neste domingo (17), às 19h, no Palácio das Artes. Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos: Setor 1 – R$ 300 e R$ 150 (meia); Setor 2 – R$ 260 e R$ 130 (meia); Setor 3 – R$ 220 e R$ 110 (meia). Vendas na bilheteria e no www.ingressorapido.com.br.


Publicidade