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A hora e a vez da mulher


postado em 08/03/2019 05:02


Tenho que ser sincera, não vejo muita graça nesta história de ter um dia específico para celebrar a mulher. Não peço que concordem comigo, mas quero expor meu ponto de vista. Hoje é o Dia Internacional da Mulher. A ideia da criação desta data surgiu no final do século 19, nos Estados Unidos e na Europa, em uma época de lutas femininas por melhores condições de vida e trabalho, e pelo direito ao voto. As comemorações começaram em 1909, em dias diferentes em cada país, com manifestações e marchas que uniam o movimento socialista, que lutava por igualdade de direitos econômicos, sociais e trabalhistas, ao movimento sufragista, que lutava por igualdade de direitos políticos.

Foi uma luta importante para a época, sem dúvida nenhuma. O ano de 1975 foi designado pela ONU como o Ano Internacional da Mulher e 8 de março foi adotado como o Dia Internacional da Mulher pelas Nações Unidas, para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas.

Essa luta era importantíssima em uma época em que a mulher não era considerada. Não tínhamos direito a dar opinião nem mesmo dentro de casa. A mulher era a procriadora, tinha que obedecer ao marido em tudo, e não interessavam seus desejos, vontades e sentimentos. Isso passou. Vivemos no século 21. Já conquistamos o nosso lugar ao sol, desempenhamos as mesmas funções de qualquer homem e ainda as tarefas que sempre couberam a nós e que a maioria das pessoas do sexo masculino não consegue fazer.

Se queremos igualdade, ser tratadas como iguais, receber igual, ter os mesmos cargos, etc. por que nos destacar com um dia especial? Isso não nos coloca diferente e ressalta essa diferença?

Até porque, não acho que somos iguais, e para falar a verdade, não quero ser tratada igual a um homem. Sou diferente e quero ser tratada de forma diferente. Fazemos muito mais coisas que eles, somos mais fortes, se não fisicamente, em outras áreas sem dúvida. Quantos homens conseguem cuidar de uma casa, dois ou três filhos, trabalhar fora dois horários, se dedicar ao marido, estar atento aos problemas de todos da família, ajudar a resolver essas questões, apoiar, aconselhar, dar carinho, fazer supermercado, açougue, sacolão, estar sempre bem-arrumada e, para completar, estar bem disposta e animada para sair com o companheiro para jantar, ir a um show, cinema, teatro ou encontrar com amigos? Só mulher.

No quesito doença, então, nem se fala. Enfrentamos qualquer doença com garra invejável. Mulher trabalha de qualquer jeito, até com câncer. Não são poucas as minhas amigas e conhecidas que enfrentaram a doença sem ninguém saber. Iam à clínica, passavam pela quimioterapia e no dia seguinte estavam trabalhando. Homem, com uma febre de 38 graus, vai para cama e geme o dia inteiro como se estivesse às portas da morte.

Quero receber cavalheirismo, respeito, gentileza e educação por parte dos homens. Isso não me diminui em nada, ao contrário me faz sentir bem, valorizada. Isso não aumenta nem diminui o machismo que ainda existe no mundo. Temos assistido a casos e mais casos de feminicídios, crimes hediondos que devem ser punidos com rigor, cometidos por homens que se acham superiores, que não conseguem ver que vivemos a era da igualdade e do respeito mútuo. Infelizmente, seres assim continuarão a existir, vomitando seus preconceitos não apenas contra nós, mulheres, mas também contra negros e homossexuais. (Isabela Teixeira da Costa/Interina)


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