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SEGUNDA CHANCE

Alita é uma superprodução que nasceu sob crítica de feministas e condenada ao fracasso após a saída de James Cameron do projeto. Mas o resultado do filme que Robert Rodriguez assumiu merece ser visto


postado em 28/02/2019 05:04

Alita é uma ciborgue que combate humanos e robôs que cruzam seu caminho, numa Terra arrasada no século 26 (foto: fox films/divulgação)
Alita é uma ciborgue que combate humanos e robôs que cruzam seu caminho, numa Terra arrasada no século 26 (foto: fox films/divulgação)


Feministas dos EUA deflagraram uma guerra contra a adaptação do mangá de Yukito Kishiro, Alita - Anjo de combate, por James Cameron. Recapitulando:  Cameron acalentou o projeto durante anos, tendo escrito o roteiro com sua colaboradora em Avatar, Laeta Kalogridis. Com a agenda lotada, transferiu o encargo para Robert Rodriguez, que manteve quase tudo do projeto original, inclusive o pomo da discórdia. Alita é, no começo, o núcleo vital – cabeça/coração – de uma garota que o dr. Ido/Christoph Waltz encontra no lixão. Será preciso acrescentar que a trama futurista, em cartaz nos cinemas, retrata um universo distópico?

A Terra destruída num ataque alienígena, as cidades superpopuladas. Ido providencia um corpo para o ser incompleto que encontrou. Transforma-a numa ciborgue. Esse corpo foi originalmente concebido para sua filha, e o próprio nome era o dela. Alita se enturma com um grupo de garotos de rua e, de menina desmemoriada, que nada sabe de sua identidade, vê aflorarem habilidades físicas de guerreira. Daqui a pouco está lutando, enfrentando todo tipo de robôs e humanos que cruzam seu caminho.

Com o corpo destroçado, Alita é recriada com tecnologia alienígena, superior. Tem algo de Transformers nisso – sua existência tem a ver com conflito tipo Autobots vs. Decepticons que agitou a galáxia e atingiu a Terra. E que pode – vai – recomeçar. Existem olhos atentos vigiando o universo, e o planeta. A terceira vida de Alita é a que tem provocado críticas iradas das feministas. Por que cargas d’água o novo corpo, na verdade uma armadura, precisa reproduzir um modelo tipo pin-up, com cintura fina, curvas, seios? Por que essa mulher do futuro, do século 26, continua reproduzindo um modelo engendrado por homens para ser seu objeto de desejo?

TRASH

A discussão, em tempos de #MeToo, não deixa de fazer sentido, mas será uma pena se impedir que sejam destacadas as qualidades que o filme tem e que chegam a ser inesperadas, considerando-se quem o assina. Robert Rodriguez, o amigo tex-mex de Quentin Tarantino, costuma ser encarado com a versão mais trash do camarada com quem compartilha visões de mundo e cinema – Tarantino, de Jackie Brown ao western Os oito odiados, é mais atento às novas fabulações. Rodriguez volta e meia exacerba o machismo para melhor subvertê-lo – as femmes fatales de Sin City, que adaptou de Frank Miller. Rodriguez adora um gibi.

Após a desistência de Cameron, Alita nasceu condenado ao fracasso. Ninguém, na indústria, botava fé que o filme pudesse sustentar-se. Os números, na estreia norte-americana, foram animadores, mas ainda falta muito para que Alita cubra seus custos – de US$ 200 milhões a US$ 250 milhões. Para cobrir o investimento (e o reinvestimento) teria de faturar pelo menos o dobro para justificar uma sequência, mas termina em aberto, pronto para o 2 que ainda não se sabe se virá.

Parte dessa fortuna foi empregada na criação digital, via motion capture, como no Gollum (de O Senhor dos Anéis), de Alita. A partir da captura dos movimentos de Rosa Salazar, Alita ganhou a telona à medida das heroínas de mangás, especialmente os olhos imensos, arredondados – e oblíquos.

O amor a move, primeiro como uma possibilidade e depois como projeto de vingança, mas a questão é – uma ciborgue e um humano, o garoto das ruas Hugo/Keean Johnson, podem amar-se? A dupla é boa e luta bem, e o filme conta com um trio de vencedores do Oscar de coadjuvante. Chris Waltz nunca dá seu melhor como bonzinho. Mahershala Ali, como vilão por procuração – olha o spoiler –, não vale os personagens de Moonlight – Sob a luz do luar, nem de Green Book – O guia. A melhor do trio é Jennifer Connelly.

Descarnada, magra e etérea, ela começa vilã, mas se redime vestida de branco. O que falta de densidade psicológica à personagem a atriz compensa com carisma. Jennifer só precisa encontrar seu Luchino Visconti, ou Pier Paolo Pasolini para emular o mito de Silvana Mangano. (Agência Estado)

EMMA THOMPSON APOIA O #ME TOO E ABANDONA FILME

A atriz britânica Emma Thompson renunciou a um projeto no jovem estúdio de animação Skydance, após a contratação de John Lasseter, ex-chefe da Disney acusado de assédio sexual, para dirigi-lo. Em carta dirigida à diretoria da companhia no fim de janeiro, Thompson explicou seus motivos para não trabalhar com Lasseter, no âmbito de movimentos contra os abusos na indústria, como o #MeToo.

“Só posso fazer o que me parece correto nestes tempos difíceis de transição e de conscientização coletiva”, escreveu a atriz de 59 anos, duas vezes ganhadora do Oscar. “Tenho consciência de que se as pessoas que falaram, como eu, não adotarem este tipo de postura, será muito pouco provável que as coisas mudem no ritmo necessário para proteger a geração da minha filha.”

A contratação de Lasseter foi anunciada em 9 de janeiro. O criador de Toy story anunciou sua renúncia como diretor de criação da Disney em junho de 2018, após um ano de licença por várias denúncias de conduta inapropriada. Lasseter é conhecido por transformar a Pixar no estúdio de animação mais bem-sucedido do mundo e por resgatar a Walt Disney Animation da falência.

Thompson, que emprestaria sua voz para o filme Luck, de Alessandro Carloni, questionou que o estúdio dê uma “segunda chance” a Lasseter. “Aparentemente vai ganhar milhões de dólares por receber essa segunda chance. Quanto dinheiro estão recebendo os empregados da Skydance por dar essa segunda chance?”, questionou a atriz. “Se um homem passou décadas tocando mulheres de forma inapropriada, por que uma mulher ia querer trabalhar para ele, se a única razão pela qual não vai tocá-la de forma inapropriada é que seu contrato o obriga a se portar ‘com profissionalismo’?” (AFP)

ARQUIVADO INQUÉRITO CONTRA LUC BESSON

Após nove meses de investigação, a Procuradoria de Paris arquivou a ação movida pela atriz Sand van Roy contra o cineasta Luc Besson, a quem ela acusa de tê-la estuprado em várias ocasiões. De acordo com a Procuradoria, as investigações “não permitiram caracterizar a infração denunciada em todos os seus elementos constitutivos”.

Besson, que falou com a polícia em 2 de outubro passado, teve um embate com Sand van Roy, atriz e modelo belgo-holandesa. Em 18 de maio, a atriz de 30 anos acusou o diretor e produtor francês, após ter se encontrado com ele em um hotel de luxo en Paris.

A atriz explicou à polícia ter tido relações íntimas com o cineasta desde há cerca de dois anos e ter se sentido obrigada a fazer isso por suas relações profissionais. Em julho, a atriz fez uma segunda denúncia por estupro. No total, denunciou quatro estupros, segundo sua advogada. (AFP)


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