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Estado de Minas

Baseado em fatos reais, Dogman revela o "lado cão" do ser humano

Filme do diretor Matteo Garrone, inspirado no assassinato de um boxeador em Roma, aborda o lado selvagem dos homens


postado em 21/02/2019 05:13

Marcello Fonte ganhou a Palma de Ouro por sua atuação em Dogman (foto: Artplex/divulgação)
Marcello Fonte ganhou a Palma de Ouro por sua atuação em Dogman (foto: Artplex/divulgação)

Tanto por sua feroz brutalidade quanto por sua dócil lealdade, os cães são amados e domesticados há séculos. A empatia com a espécie, promovida popularmente ao posto de “melhor amigo do homem”, talvez se deve ao fato de os humanos, especialmente do gênero masculino, compartilharem tais características com o animal. É o que mostra o diretor Matteo Garrone em Dogman, que estreia nesta quinta-feira (21) em Belo Horizonte, depois de performances exitosas em festivais internacionais.

“Não acredito que o homem seja feito para viver em sociedade. Valores como ética, moralidade e tolerância nada mais são do que peças de fachada, e é preciso muito pouco para que essa fachada se rompa e surja o animal que todos temos dentro de nós. Esse tema está presente em boa parte dos meus filmes”, declarou Garrone ao jornal catalão El Periódico.

Muito lembrado por Gomorra (2008), premiado com o Gran Prix do Júri, em Cannes, ao abordar um célebre caso da máfia de Nápoles, o cineasta italiano voltou ao festival em 2018 com outra história inspirada em eventos reais – e indigestos – de seu país. Dessa vez, o roteiro vem do episódio conhecido como Delito del canaro, registrado no subúrbio de Roma, em 1988, quando o ex-boxeador amador Giancarlo Ricci foi assassinado. O filme vai além dos fatos, oferecendo uma leitura mais aprofundada sobre as selvagerias de que os homens são capazes.

Ano passado, Dogman deu a Palma de Ouro de melhor ator para Marcello Fonte, chamado pela imprensa internacional de “Buster Keaton da Calábria”. O protagonista, aliás, é seu xará. O personagem trabalha no pet shop cujo nome dá título ao filme, localizado em uma desértica e empobrecida região. A pacata rotina de cuidados com os cães – do agressivo pit bull da cena inicial ao inofensivo poodle de concurso de beleza – é intercalada com visitas da afetiva filha pequena e do amigo Simone (Edoardo Pesce), um homem truculento.

A variedade de características das raças caninas, detalhada pela câmera em alguns planos, reflete-se na oposição dos perfis de Marcello e Simone. O primeiro é franzino, amigável e tenta se entender bem com a filha e os vizinhos. O outro é o brutamontes que coleciona desavenças na vizinhaça. Embora se chamem de amigos, a relação deles é guiada pela intimidação e abuso psicológico, obviamente, por parte do mais forte.

Viciado em cocaína, devendo a traficantes e atordoado por outros transtornos, Simone recorre a Marcello constantemente. Seja para conseguir droga, dinheiro ou escapar de algum problema, ele vai enredando o dog sitter em situações cada vez mais complicadas, até a tensão descambar para atitudes animalescas, em sequências de violência e vingança. Em Cannes, o longa ganhou 10 minutos de aplausos após a exibição.

PRÊMIOS Indicado ao Bafta deste ano como melhor filme estrangeiro (perdeu para Roma, de Afonso Cuarón) e vencedor de três prêmios da Academia de Cinema Europeu, Dogman levou oito Nastro d’Argento concedidos pelo sindicato de jornalistas de cinema da Itália.

Os animais do filme de Matteo Garrone também foram premiados. Criado em 2001, o Palm Dog contempla a melhor “atuação canina”, real ou em animação, entre os filmes exibidos em Cannes. Em 2018, o troféu foi para todos os cachorros de Dogman.


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