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Dicas de português


postado em 20/02/2019 05:04

Recado
“Uma frase longa não é nada mais que duas curtas.”

Vinicius de Moraes

À beira de um
ataque de nervos

Os leitores estão à beira de um ataque de nervos. O responsável? Ninguém menos que o pleonasmo. A redundância não dá folga. Ora o governo “cria novos empregos” (só se cria novo). Ora há a “estreia de novo filme (estreia é sempre nova)”. Não falta o cantor que “lança novo disco” (não há jeito de lançar o velho).

Ops! O jornal escreveu com todas as letras: “Além do vice-presidente, também Rodrigo Maia falou sobre a crise que envolve o filho de Bolsonaro”. Reparou? O “além de” indica adição. O “também” idem. É melhor decidir-se por um ou outro: Além do vice-presidente, Rodrigo Maia falou sobre a crise que envolve o filho de Bolsonaro. O vice-presidente e também Rodrigo Maia se manifestaram sobre a crise que envolve o filho de Bolsonaro.

Mais lenha na fogueira
Ufa! A reforma da Previdência começou a andar. A idade mínima para a aposentadoria foi anunciada: 62 anos para mulheres e 65 para homens. E os privilégios? Adiou-se a definição “para depois”, disse o repórter. Valha-nos, Deus. É baita pleonasmo. Só se adia para depois. Como safar-se? Há jeitos. Um: dizer adiar a definição. Outro: delimitar o tempo – adiar para março, adiar para a semana que vem.

Sem pedigree
“Rolos dos Bolsonaros podem boicotar reforma”, escreveu o Estadão. Certo? Certo. Nome próprio joga no time dos vira-latas. Flexiona-se como os comuns: os Maias, os Silvas, os Castros, os Marotas, os Duques.

Atenção, gente fina. Há casos em que o plural descaracteriza o nome. O sobrenome Cal, por exemplo, faria o plural Cais. Não tem nada a ver, concorda? Fuja das armadilhas. Aja assim:
Se o nome termina por vogal, acrescente s: os Cavalcantis, os Souzas, os Dias.
Se o nome termina por consoante, não o pluralize: Os Maciel, os Bacelar, os Amador.
Mantenha invariáveis os nomes duplos: os Cavalcanti Proença,     os Costa e Silva.
É isso.

Foi tarde
Viva! Adeus, horário de verão. Domingo atrasamos o relógio. E lembramos por que atrasar & família se grafam com s. A história tem a ver com regra pra lá de produtiva. Trata-se da todo-poderosa família. “Tal pai, tal filho”, prega ela. Em bom português: as palavras derivadas seguem a primitiva. Mantêm a grafia original sem tossir nem mugir. O clã atrasado obedece à norma. Trás se grafa com s. Os filhotes também – atrás, traseiro, atraso, atrasar, atrasado.

Mais exemplos? Ei-los: casa (casinha, casebre, casarão, caseiro, casamento, acasalar), cruz (cruzar, cruzinha, cruzada, cruzeiro), exame (examinho, examinador, examinar, examinado), gás  (gasolina, gasoduto, gasoso, gaseificado).

Simples assim.

Ele e ela
Ele é embaixador. E ela? Depende. Se for a mulher do embaixador, recebe o nome de embaixatriz. Se exercer o cargo de embaixador, é embaixadora. O maridão da embaixadora? Não tem denominação especial. É... o marido. Só.

Receita do cruz-credo
“Favor identificar-se junto à portaria”, diz cartaz afixado em prédios de norte a sul do país. No recall, as montadoras pedem aos clientes “marcar hora junto à gerência”. Os jornais dizem que a Argentina “negocia empréstimo junto ao FMI”. Viu? Junto a virou praga. Xô!

Quando usar a locução junto a? A duplinha joga no time de ao lado de, em companhia de: Parou junto ao portão. Estava no cinema junto aos irmãos.

Nos demais casos, é melhor deixar a preguiça pra lá e buscar a preposição adequada: Favor identificar-se na portaria. Os clientes devem marcar hora na gerência. A Argentina negocia empréstimo com o FMI.

Leitor pergunta
Ufa! A novela Bebianno chegou ao fim. Jornais, rádios, tevês, sites e blogues não se entendem. Uns dizem “a demissão foi anunciada”. Outros falam em “exoneração”. E daí? Qual a forma correta?
Carlos Miranda, Betim

O ministro é demissível ad nutum. Tradução: ele ocupa cargo de confiança. Sem estabilidade, pode perder o cargo segundo o humor do patrão – a qualquer momento. Se não é acusado de nada, é exonerado. Bebianno serve de exemplo: Quando se formalizou a exoneração do ministro?.


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