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Estado de Minas

Fora d'O Rappa, Falcão adota discurso paz e amor

Músico lança seu primeiro álbum solo, 'Viver (Mais leve que o ar)' e diz em entrevista não achar que 'com baderna, quebradeira, cusparada ou com guerra a gente vai conseguir melhorar o país


postado em 16/02/2019 05:08

(foto: Rodolfo Magalhães/Divulgação)
(foto: Rodolfo Magalhães/Divulgação)

 

“Eu me preocupo com o social. Quem ajudou O Rappa? O público, que é o povo. E do povo ouço suas várias reclamações e tento dar voz. Não acho que com baderna, quebradeira, cusparada ou com guerra a gente vai conseguir “

Falcão, cantor e compositor

 

Durante 26 anos, ele foi “a cara” d’O Rappa. Porém, o fim da banda, no ano passado, não encerrou a carreira do vocalista e instrumentista Marcelo Falcão. Nesta sexta-feira (15), ele lançou Viver (Mais leve que o ar), seu primeiro álbum solo. Em 13 músicas, o carioca expõe uma alma mais desarmada que aquela presente nos maiores sucessos do grupo que teve também como integrantes Marcelo Yuka, Alexandre Menezes e Marcelo Lobato, entre outros.

No embalo do reggae e de outros ritmos jamaicanos, o disco é um cartão de visitas do novo ciclo do músico de 45 anos, em que a espiritualidade e a positividade são seus principais guias. Embora tenha chegado só agora às lojas e plataformas digitais, Viver (Mais leve que o ar) começou a surgir há nove anos. Falcão explica que o projeto é fruto de um banco de dados com cerca de 600 arquivos digitais que ele acumulou nesse período, com breves ideias musicais.

“Eram vários materiais, picardias, trechinhos. Fui resolvendo uns, criando outros, mas rolava um melindre, um certo medo ou vergonha de mostrar para alguém”, diz ele. A coisa começou a sair do papel depois de um encontro casual com o produtor e amigo Felipe Rodarte, justamente numa loja de discos, no Rio de Janeiro. Ainda na turnê final com O Rappa, Falcão deixou seu material nas mãos de Rodarte e deu a ele liberdade para “peneirar” os arquivos.

QUASE MÚSICAS Na seleção, Rodarte pinçou 47 “quase músicas”. Com a presença de outros profissionais, como o baixista Bino Farias, do Cidade Negra, foram escolhidas 13 faixas, produzidas, gravadas e agora lançadas pela Warner Music. “É uma história completa. Se no mundo ‘dos novinho’ é uma música por mês, que bom que eu tenho material bruto para uns três discos”, afirma Falcão, que procurou uma unidade mais amena na seleção. “Tem uma música que seria uma indignação minha contra várias coisas erradas que sofremos no Brasil desde 1500, mas como era um desabafo, deixei de fora.”

Com arranjos clássicos do reggae, as músicas trazem reflexões pessoais e ideias sobre amor e espiritualidade e positividade. A faixa-título fala sobre “conhecer o lado claro da Lua’, enquanto na abertura, Hoje eu decidi, afirma “esquecer broncas e mágoas de outrora, abrir o coração e todas as portas” e “colocar tudo de ruim para fora”. A onda de good vibes se encerra em Senhor fazei de mim, uma versão da Oração de São Francisco, que o músico diz dedicar a todas as religiões.

“Neste disco, quero que me conheçam neste modo do ‘eu sozinho’, à vontade, com liberdade de ter outros parceiros, tocar com outras pessoas, isso só enriquece os músicos”, diz Falcão. Ele revela que o momento de celebração da vida e de cantar sobre coisas agradáveis tem a ver com a superação de um drama familiar, por conta da luta de sua tia Cátia Falcão contra um câncer. “Espiritualidade é algo que carrego comigo. O mundo anda carente de ficar energizado. Fico feliz de passar uma positividade às pessoas que acreditam no que tenho a oferecer. Nos últimos cinco anos, tenho passado por momentos de superação muito fortes na minha família, então carreguei isso no disco.”

Por outro lado, a “acidez”, como ele mesmo define, marcante em letras d’O Rappa, escritas pelo baterista Marcelo Yuka, não foi totalmente deixada de lado. Ainda que sob uma melodia mais cadenciada, Eu quero ver o mar traz as rimas “E aí, presidente, me diz você / Se fazer de vítima nesse país não dá / Pois te matam na rua por causa de um celular”. Em Diz aí, uma das estrofes dá o recado: “Não dá pra fingir /Não dá pra seguir assim / Mudanças, rápido pra não cair, cair / Só vejo ganância e roubos pra todos os lados aqui”.

YUKA Sobre o ex-companheiro Yuka, morto em janeiro, ele diz “só guardar coisas boas”. “Eu sempre era o primeiro a olhar as letras dele. Era um cara fantástico, me dava liberdade para palpitar, sugerir mudanças. Vou guardá-lo para sempre como coisa boa, como um dia também fui na vida dele”, diz Falcão, que alega não ter ido ao velório e ao enterro em respeito à família e por “não lidar bem com a morte”. Os dois não se viam havia 18 anos, desde que Yuka deixou O Rappa, em 2001, quando ficou paraplégico por causa de um tiro disparado em uma tentativa de assalto contra ele.

Hoje avesso a discursos políticos, Falcão defende a positividade como instrumento de transformação. “Falando de amor você pode ser político. Vivi uma história irada com O Rappa, em que todo mundo podia desabafar, numa época em que muita gente não estava nem aí, mas muita gente nos abraçou. Eu me preocupo com o social. Quem ajudou O Rappa? O público, que é o povo. E do povo ouço suas várias reclamações e tento dar voz. Não acho que com baderna, quebradeira, cusparada ou com guerra a gente vai conseguir. A guerra é necessária, mas no país em que a gente vive, a pessoa sofre por não ter voz”, argumenta. Em resumo, ele diz: “Quero oferecer o que O Rappa me ensinou, mas com meu jeito particular de ser”.

Viver (Mais leve que o ar)
Warner Music
13 faixas
R$ 30
Disponível no Spotify e em outras plataformas digitais

Madonna em português?

Sem lançar álbum de inéditas desde Rebel heart (2015), Madonna (foto) dá pistas de que o hiato pode ser quebrado em breve. Esta semana, a Rainha do Pop postou vídeo no Instagram ao lado do cantor português Dino D’Santiago e do grupo tradicional Batucadeiras, formado por mulheres de Cabo Verde. “Se expresse, não se reprima! Muito ansiosa em compartilhar a magia de Lisboa, Portugal”, escreveu a diva. Desde 2017, Madonna mora em Lisboa e especula-se que essa experiência vai marcar seu 14º álbum.

Bruno Mars e Cardi B

Na quinta-feira, Cardi B (foto) e Bruno Mars lançaram o single Please me. É a segunda produção conjunta da dupla – a primeira foi o remix de Finesse, faixa do álbum mais recente de Mars. Cardi B ganhou o Grammy de melhor disco de rap, no último domingo. Mars, por sua vez, tem oito “gramofones dourados” na estante, conquistados entre 2014 e 2018.

Dona Onete e o tubarão

Já está nas plataformas digitais o clipe Festa do tubarão, novo single da paraense Dona Onete (foto), de 79 anos. A letra fala sobre a lenda da cobra grande protetora de Belém, além de narrar a chegada de um tubarão à Baía do Guajará, “onde piranha e traíra não entram”. A música faz parte de Rebujo, disco da cantora que será lançado em maio pela AmpliDiversão/ Natura Musical.

BaianaSystem lança disco

Ontem, o grupo baiano BaianaSystem (foto) mandou para as plataformas de streaming seu terceiro disco, O futuro não demora. Antonio Carlos e Jocafi, BNegão, Manu Chao e o maestro Ubiratan Marques são convidados a banda. Dub, guitarra baiana e ritmos afro-brasileiros marcam o álbum do grupo, formado por Russo Passapusso, Roberto Barreto e Marcelo Seko.

Silva cai no samba-reggae
 
O cantor e compositor capixaba Silva (foto) divulgou o single Nós dois aqui, parceria dele com a baiana Illy. No estilo samba-reggae, é o segundo lançamento dele depois do álbum Brasileiro (2018). O single anterior de Silva é Brisa, inspirado no axé da Bahia.


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