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Gal Costa mistura passado, presente e futuro em show sábado (16) em BH

"Não sou vidente, mas acho que as coisas tendem a piorar. A gente não sabe o que vai acontecer, mas não é só o Brasil que está caótico, mas o mundo todo", afirma a cantora em entrevista ao %u2018Estado de Minas%u2019


postado em 15/02/2019 05:07

(foto: CAMILA ALCÂNTARA/DIVULGAÇÃO)
(foto: CAMILA ALCÂNTARA/DIVULGAÇÃO)

 

Não sou vidente, mas acho que as coisas tendem a piorar. A gente não sabe o que vai acontecer, mas não é só o Brasil que está caótico, mas o mundo todo”
Gal Costa,cantora


Assim que foi lançado, no final de setembro, o álbum A pele do futuro, de Gal Costa – 40º disco da cantora de 73 anos e 53 de carreira – chamou a atenção por dois aspectos: a roupagem disco, algo até então inédito em sua discografia, e a dobradinha com Marília Mendonça na canção Cuidando de longe, um encontro entre a grande voz feminina brasileira e a diva do neossertanejo, considerado improvável por muitos fãs (de ambas).

Com A pele do futuro no palco desde dezembro, a turnê, que chega ao Palácio das Artes neste sábado (16), vem exibindo outras nuances. A disco music de que tanto se falou se faz mais presente na segunda parte da apresentação – um dos destaques é a inédita Sublime (Dani Black), que abre o álbum.

Depois do roqueiro (e delicioso) Estratosférica (2015), Gal recupera principalmente sua trajetória setentista nessa turnê. O roteiro foi criado por Marcus Preto, que assina a direção artística do show. Já a direção musical é do baterista Pupillo, que comanda a banda integrada por Chicão (teclados), Pedro Sá (guitarra), Lucas Martins (baixo) e Hugo Hori (saxofone e flauta). O cenário é de Omar Salomão, filho de Waly Salomão (1943/2003), que a dirigiu no icônico show Fa-tal (1971).

É Dê um rolê (Moraes Moreira e Luiz Galvão), pinçado de Fa-tal, que dá origem a essa viagem de passado, presente e futuro. Na sequência, a costura criada por Preto permite um diálogo com a nova Mãe de todas as vozes, blues com acento soul de Nando Reis. A pele é do futuro, mas muito do passado de Gal permeia o repertório. Caetano Veloso, que não apareceu no novo disco, se faz presente com antigas canções, como Mamãe, coragem (com letra de Torquato Neto), Vaca profana e London, London.

INÉDITAS Músicas de uma fase posterior – final dos anos 1970, início dos 1980 – que tiveram franco sucesso comercial, foram também recuperadas neste show: Chuva de prata (Ed Wilson e Ronaldo Bastos), Balancê (João de Barro e Alberto Ribeiro) e Festa do interior (Moraes Moreira e Abel Silva).

Para além das inéditas do disco, o show ainda traz canções que Gal nunca havia interpretado. Entre elas estão As curvas de estrada de Santos (Roberto e Erasmo) e Motor, de Teago Oliveira, vocalista e compositor da banda Maglore.

Mas inusitada é a interpretação de Gal para O que é que há, hit do início da carreira de Fábio Jr. – é a primeira vez que ela incursiona no mais romântico dos atores/cantores. Com a palavra, a própria Gal. “Nunca tinha cantado Fábio Jr. As pessoas adoram. Isso foi coisa do Marcus. Ele me sugeriu, experimentei para ver se gostava. Na verdade, o Marcus Preto me mostra as músicas, eu aprovo ou não.” Já sobre a dobradinha com Marília Mendonça, que na época do lançamento do disco foi bastante criticada, Gal se resume a dizer. “No show ela está funcionando bem. Agora, as críticas não me incomodam. Gosto dela, que se diferencia dos outros que fazem canções de peão. Para mim, é a melhor de todos.”

O tom dance music de A pele do futuro nasceu de uma forma prosaica. Gabriel, o filho de 13 anos de Gal – “A luz da minha vida, minha alegria”, ela diz – adora, segundo a cantora, o soul de Earth, Wind & Fire e Gloria Gaynor. Um dia, o garoto chegou para ela comentando sobre I will survive, o hit impagável de Gaynor, já registrado em diferentes versões. Colocou a mãe à prova, questionando se ela conhecia a canção.

“Aí pensei que deveria gravar música de discoteca, algo que sempre quis”, diz ela, lembrando-se do passado de boates que frequentava na época em que morava no Rio de Janeiro. “Hoje não vou mais,  porque acho que nem existem boates.” Rejuvenescida nesta última década, Gal passou, desde Recanto (2011) – álbum composto e produzido por Caetano Veloso (produção dividida com seu filho, Moreno, afilhado da cantora) – a ter um público bem jovem acompanhando seus shows.

“Eles gostam principalmente do meu trabalho dos anos 1960.” A intenção de cantar agora músicas que gravou há 40 anos Gal assume que é também uma forma de mostrar um pouco do que fez para o jovem “que não teve a possibilidade de me ver na época cantando no palco. (O show) É o registro da minha história, que é rica e passou por vários momentos”.

Por falar em momento, o Brasil de hoje e do futuro próximo ganha poucas palavras de Gal. “Não sou vidente, mas acho que as coisas tendem a piorar. A gente não sabe o que vai acontecer, mas não é só o Brasil que está caótico, mas o mundo todo.”

Para ela, é hora de militar, “aqueles que gostam, que se sentem na obrigação de militar. Eu, de certa forma, tenho minha história, minha carreira, que é revolucionária. Mas não sou militante, no sentido de um ser político. Fui militante através da mudança, da transformação”.

Gal acha que, hoje, canta melhor do que antes. “À medida que a gente amadurece, faz as coisas melhor.” O futuro de Gal já chegou. E há um ponto em que passado, presente e futuro sempre irão se encontrar. “A vontade de cantar. Cantar, cantar, cantar. Nasci para isso, é disso que gosto e sei fazer.”

A PELE DO FUTURO

Show de Gal Costa. Sábado (16), às 21h, no Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Ingressos: Plateia 1: esgotado; Plateia 2: R$ 200 e R$ 100 (meia); Plateia superior: R$ 160 e R$ 80 (meia). À venda na bilheteria e pelo site ingressorapido.com.br (com taxa de conveniência).

FILME E SÉRIE
Uma cinebiografia de Gal Costa, que terá Sophie Charlotte interpretando a cantora, deverá se tornar também uma série. A exemplo do que foi feito com o filme Elis, a Globo negocia um formato da produção em episódios, com cenas exclusivas. A direção será de Dandara Ferreira, que dirigiu a série documental O nome dela é Gal (2017). Dandara é filha do secretário municipal de Cultura de BH, Juca Ferreira.

REGISTRO AO VIVO
Assim como ocorreu com Gal estratosférica (2016), que ganhou, um ano depois de seu lançamento, o registro ao vivo da turnê homônima, A pele do futuro também será gravado. O registro será nos shows de 22 e 23 de março, na Casa Natura Musical, em São Paulo.

 


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