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Estado de Minas

No dia 30, o último show dos Beatles vai completar 50 anos

Apresentação não ocorreu no palco, mas no terraço de um prédio no bairro londrino de Mayfair


postado em 28/01/2019 05:11

John Lennon e George Harrison no Apple rooftop concert(foto: The Beatles.com/reprodução)
John Lennon e George Harrison no Apple rooftop concert (foto: The Beatles.com/reprodução)

 

 Os Beatles já estavam cansados de ser os Beatles quando subiram a um “palco” pela última vez. Em 30 de janeiro de 1969, os Fab Four pegaram seus instrumentos, no topo do edifício do número 3 da Savile Row, no bairro de Mayfair, em Londres, e fizeram seu último show. A apresentação ficou conhecida como Apple rooftop concert.


A história ainda não definiu com certeza de quem foi a ideia: há quem diga que foi do conciliador Ringo Starr, e na lembrança do tecladista Billy Preston, que acompanhou o quarteto na apresentação, a ideia foi de John Lennon. O engenheiro de som Glyn Johnson, célebre por gravar os maiores atos do rock inglês naquele ano (além dos Beatles, Rolling Stones e Led Zeppelin), diz que a proposta foi dele.


Fato é que a banda e toda sua equipe estavam instaladas no prédio da Apple Records, o centro de operações da gravadora, produtora de filmes e estúdio. Depois de gravar e lançar White album em 1968, e do período em que Ringo ficou afastado do grupo, o plano era fazer um filme sobre o processo criativo da banda no estúdio, durante as gravações do que seria o disco Let it be. O final seria uma apresentação ao vivo.


Na verdade, as filmagens começaram no Twickenham Film Studios. Eram realizadas de segunda a sexta-feira, começando às 9h, por regulamentações sindicais. Mas a banda já não estava em seu melhor momento no quesito convivência, e o fato de tentar fazer rock and roll de manhã cedo no inverno britânico não ajudava.

IRONIA Um trecho do filme Let it be, dirigido por Michael Lindsay-Hogg e vencedor do Oscar de trilha sonora em 1971, mostra o momento em que George Harrison discute com Paul McCartney num tom altamente irônico. “Vou tocar o que você quiser que eu toque ou não vou fazer nada”, diz Harrison. “O que quer que te agrade, eu vou fazer.”
Envolvido nas gravações das The basement tapes, com Bob Dylan e a The Band, em Nova York, Harrison concordou em voltar a Londres sob uma condição: abandonar as sessões no Twickenham e mover a operação para o prédio da Apple Records.


A turma concordou, equipamentos foram levados do estúdio em Abbey Road, e alguns dias depois dos trabalhos o quarteto decidiu que estava pronto para o show ao vivo.


Em um momento revelador do filme Let it be, McCartney tenta convencer John Lennon a fazer a banda voltar ao palco, usando como argumento a série de apresentações realizadas em Liverpool em 1961, depois da temporada na Alemanha.
“Quando voltamos, os shows foram terríveis, estávamos nervosos. Mas continuamos a tocar e então a gente tinha eles nas mãos. Se alguém tivesse filmado aquelas apresentações... elas foram fantásticas”, diz Paul.

COLISEU Depois de algumas especulações megalomaníacas como Los Angeles, o Coliseu e uma ilha na Grécia, a banda concordou em tocar na hora do almoço, num terraço do Centro de Londres.


Em 30 de janeiro de 1969, uma pequena turma de amigos, além da equipe de filmagem, começava a presenciar a última aparição dos quatro Beatles juntos tocando suas músicas. Um dos problemas era o vento nos microfones. Eles mandaram um operador de fitas novato (ninguém menos que Alan Parsons) comprar meias-calças para encobri-los. “Recebi muitos olhares estranhos”, lembrou Parsons, anos depois. O repertório reuniu Get back, Dig a Pony, I’ve got a feeling, Don’t let me down e One after 909.
(Estadão Conteúdo)


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