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Estado de Minas

POR TRÁS DO PANO

Embora o público não os veja, eles são essenciais na encenação de uma peça. Técnicos teatrais falam ao Estado de Minas sobre o prazer de ver casas cheias e comentam os desafios de sua rotina


postado em 20/01/2019 05:08

Paulo Gustavo, que se apresenta neste fim de semana em BH com Minha mãe é uma peça, e o técnico de som do espetáculo, Gabriel Martau(foto: ANDRÉ HAUCK)
Paulo Gustavo, que se apresenta neste fim de semana em BH com Minha mãe é uma peça, e o técnico de som do espetáculo, Gabriel Martau (foto: ANDRÉ HAUCK)

 

Eles não aparecem no palco, mas estão lá: na construção dos cenários, na alternância de luzes, nas intervenções sonoras, possibilitando a rápida troca de roupas e ajudando na caracterização dos atores. Técnicos de som, iluminação, cenografia e figurino, entre outros profissionais dos bastidores, são molas propulsoras na grande engrenagem das artes cênicas e nem sempre são devidamente reconhecidos por seu trabalho. Sem sua equipe técnica, afinal, um espetáculo não pode continuar.

Há mais de duas décadas em cartaz com a peça Acredite, um espírito baixou em mim, o ator Maurício Canguçu sabe da necessidade de uma equipe técnica competente para o sucesso da encenação. “Se o cenário rasga, o figurino suja ou a luz é mal montada, acaba a carreira do espetáculo e o preciosismo que queremos levar ao público. Os técnicos precisam estar em cena, pulsando conosco, conectados, porque são tão importantes quanto o ator, o produtor e o diretor”, afirma Canguçu.

Há três anos, ele conta com a ajuda do “faz-tudo” Thiago Felix. Experiente na iluminação de festas e eventos, Thiago teve seu primeiro contato com o teatro ao integrar a equipe da comédia mineira. “Não é nada parecido com o que eu fazia antes, mas não demorei a me acostumar”, conta Thiago. “O teatro exige um trabalho muito preciso e alinhado de colocação de luz. Cada espetáculo é uma estreia. Convivemos com o ‘ao vivo’ e não há como voltar atrás. Há sempre uma tensão para que tudo saia certo.”

Em dia de apresentação, sua rotina começa de manhã e pode atravessar a madrugada. Para quem está atrás do palco, o trabalho não termina quando cai o pano. “O técnico é sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Quando termina a sessão, vem a parte da desmontagem do cenário, a organização do figurino e dos aparatos técnicos”, diz.

PERRENGUES Há um ano, Thiago divide os afazeres com Yuri Avelar. Juntos, eles montam o cenário, mas dividem as funções depois que a cortina se abre. Thiago cuida dos efeitos, da troca de figurinos, adereços e outras ocupações de contrarregra, enquanto Yuri assume a iluminação e a sonoplastia. Em caso de incidente, cabe aos dois encontrar rápida solução.

“Viajamos muito e realizamos sessões em lugares alternativos, onde temos que montar toda uma estrutura de cenário, luz e som em espaços que não são preparados para isso. Acabamos fazendo mágica. É preciso agir na hora, sem entrar em pânico. Manter a tranquilidade é essencial, tanto para quem está no palco quanto para quem está nos bastidores”, diz Yuri.

Filho de atriz e de um técnico de teatro, Yuri também é ator e conta que um ofício agrega ao outro. “Estar no palco, receber os aplausos e encantar a plateia traz uma gratificação inexplicável. Mas, por vezes, as pessoas deixam de lado como o espetáculo funciona nos bastidores, em que há tanta gente se dedicando para que dê tudo certo”, afirma Yuri. “Também por trás do palco existe um prazer em ver o público se divertindo e voltando para novas sessões. Amar o teatro é o que faz a diferença.”

GRAÇA Desde 2015, o técnico de som Gabriel Martau acompanha Paulo Gustavo com o sucesso Minha mãe é uma peça – em cartaz em BH neste fim de semana. Além de assegurar o funcionamento do microfone do ator, Martau é o responsável pelos efeitos musicais. A qualquer falha, uma piada de Dona Hermínia pode perder a graça. “O teatro requer uma cobertura de som muito boa, para que o público entenda perfeitamente o que os atores estão dizendo. Se o espectador perde uma palavrinha, todo o humor daquela cena vai embora”, observa o profissional.

Para ele, é aconselhável que todo espetáculo tenha equipe técnica fixa, inclusive nas turnês. “Quando a produção contrata um técnico local, por melhor que ele seja, não estará devidamente preparado e íntimo da montagem. O técnico precisa conhecer o espetáculo e suas exigências, além de manter uma comunicação com os artistas”, opina. Com Paulo Gustavo, Martau teve liberdade de sugerir mudanças na trilha sonora. “Nas cinco primeiras apresentações, ainda é o momento de opinar nas músicas, identificar problemas e ver se o Paulo me autoriza a fazer alterações.”

Minha mãe é uma peça foi sua primeira experiência como técnico de som em teatro. Até então, trabalhava apenas com apresentações musicais. “Vejo a peça como um espetáculo mais sensível. Em um show, os microfones são direcionais, apontados para cada instrumento e para a boca do cantor. Aumento e abaixo o som durante a apresentação, me preocupo com a mixagem, mas não há necessidade tão grande de atenção a momentos específicos.”

Do lançamento de um álbum da cantora Maria Gadú, Martau traz sua recordação mais angustiante. “Fui passar o som cedo, tivemos um ensaio maravilhoso e, inexplicavelmente, a mesa de som zerou minutos antes do show. Imagine o desespero: a casa lotada, repleta de artistas importantes”, lembra. “Tive que refazer em 20 minutos um trabalho de 4 horas. Não ficou bom como poderia ter ficado, mas, com a ajuda da equipe tudo acabou dando certo.”

NA COXIA
Alzira Aquedano e Saulo Laranjeira se conheceram no início da década de 1990, quando ela ainda trabalhava no Teatro Alterosa. O rápido entrosamento fez o ator convidar a camareira para acompanhá-lo nos bastidores de suas peças e do programa Arrumação. De seus 63 anos, Alzira dedicou quase 30 ao humorista. “Chego mais cedo que ele ao teatro, para passar o figurino e reparar algum problema, se aparecer. Quando a peça começa, fico na coxia, ajudo na troca de roupas e no que for preciso”, conta Alzira.

Grande admiradora do trabalho de Laranjeira e fã do personagem Kellé Metaleiro, ela compartilha da felicidade do artista ao ver plateias lotadas, com espectadores às gargalhadas. “Sempre acompanho as sessões dos bastidores e fico totalmente satisfeita com o sucesso que ele faz. É uma alegria ver a plateia vibrando com o espetáculo.”

Além de acompanhar o comediante mineiro, Alzira também trabalha há 33 anos no Palácio das Artes. Ela participa dos ensaios gerais das óperas realizadas periodicamente, cujo figurino requer cuidado redobrado. Nessa carreira, também teve contato – e se surpreendeu – ao trabalhar com artistas que sempre admirou, como Chico Buarque, Fernanda Montenegro, Miguel Falabella e Xuxa. “O pessoal reclama da Susana Vieira, mas gostei muito dela. Ela também gostou do meu trabalho, tanto que me convidou para acompanhar sua peça, que estava rodando o Brasil”, conta Alzira. A camareira, contudo, preferiu se manter em BH, ao lado da família e fiel a Saulo Laranjeira.

“Os artistas trabalham conosco em um fim de semana, vão embora, mas deixam grande saudade e boas recordações”, afirma Alzira. “Faço esse trabalho com imenso prazer. Não conseguiria viver fora do teatro, longe da área artística”, assinala.

A ARTE DO HUMOR DE SAULO LARANJEIRA
Com Saulo Laranjeira e Suzana Alves. Teatro do Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. (31) 3516-1360. Hoje, 20h. R$ 18 (Sinparc).

ACREDITE, UM ESPÍRITO BAIXOU EM MIM
Direção: Sandra Pêra. Com Ilvio Amaral e Maurício Canguçu. Cine Theatro Brasil Vallourec. Praça Sete, Centro, (31) 3201-5211. Hoje, 19h. R$ 18 (Sinparc).

MINHA MÃE É UMA PEÇA

Direção: João Fonseca. Com Paulo Gustavo. Palácio das Artes. Av. Afonso Pena, 1.537, Centro. (31) 3236-7400. Hoje, 18h. Ingressos esgotados.

“Nas cinco primeiras apresentações, ainda é o momento de opinar nas músicas, identificar problemas e ver se o Paulo me autoriza a fazer alterações”

Gabriel Martau, técnico de som de Minha mãe é uma peça

“”O técnico é sempre o primeiro a chegar e o último a sair. Quando termina a sessão, vem a parte da desmontagem do cenário, a organização do figurino e dos aparatos técnicos”

Thiago Felix, “faz-tudo” de Acredite, um espírito baixou em mim

“Também por trás do palco existe um prazer em ver o público se divertindo e voltando para novas sessões. Amar o teatro é o que faz a diferença”

Yuri Avelar, técnico de som e luz de Acredite, um espírito baixou em mim

“O pessoal reclama da Susana Vieira, mas gostei muito dela. Ela também gostou do meu trabalho, tanto que me convidou para acompanhar sua peça, que estava rodando o Brasil”


Alzira Aquedano, camareira dos espetáculos de Saulo Laranjeira


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