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Dicas de português


postado em 02/01/2019 05:05

Recado

“Não se deve confiar em quem emprega a mesóclise com correção.”

. Tancredo Neves




Conquista com sangue, suor e lágrimas

Ontem foi o dia. Jair Bolsonaro, eleito em outubro, tomou posse como presidente da República. Vai ocupar o Palácio do Planalto por quatro anos. Em meio a solenidades, cumprimentos, desfiles, discursos, recepções etc. e tal, pintou a curiosidade. O que quer dizer posse? A palavra vem do latim posse. Significa poder. Cumprido o protocolo, os eleitos passam a exercer o poder que pleitearam ao se candidatar a este ou àquele cargo. Viva! Sorte pra todos.

Eis a razão

O ungido das urnas vai vestir a faixa presidencial. A questão: por que faixa se escreve com x? A resposta: porque a letra vem depois de ditongo. É o caso de caixa, baixa, ameixa, baixela, frouxo, peixe, trouxa, rouxinol. Exceção? Só uma: caucho (árvore que dá o látex do qual se produz borracha). Daí recauchutar e recauchutagem.

Cai do céu

O Congresso deu posse a Jair Bolsonaro. Jair Bolsonaro deu posse aos ministros. As 22 excelências chegaram lá sem disputar eleições. São nomes de livre escolha do presidente da República. Por isso, não têm estabilidade nem prazo de validade. São demissíveis ad nutum.

Demissível ad nutum

Em 1808, a família real chegou ao Brasil. Com ela, veio a corte portuguesa. Onde abrigar tanta gente? O jeito foi desalojar os moradores das casas mais ajeitadas. A forma era simples. Colocava-se na moradia escolhida um papel com a inscrição PR. As duas letrinhas queriam dizer príncipe-regente. Os cariocas davam-lhe outra leitura. Interpretavam-nas como ponha-se na rua.

Os tempos mudaram. Recados ganharam nova linguagem. No serviço público, o bem-humorado ponha-se na rua virou expressão pra lá de sisuda. É demissível ad nutum. A latina atinge os ocupantes de cargos de confiança. Eles podem ser demitidos a qualquer momento. Depende da vontade do chefe.

Em bom português

As duas palavrinhas vêm do latim. Ad quer dizer conforme, segundo, de acordo com. Nutum, sinal ou aceno de cabeça. Traduzindo: a um aceno de cabeça do poderoso, rua!

Consequência
A insegurança do funcionário não estável foi fértil. Dela nasceu o decálogo do puxa-saquismo. Primeiro mandamento: o chefe tem sempre razão.

O vice

E o vice-presidente? Ele também tomou posse. Vale, por isso, conhecer a história do dissílabo. Vice vem do latim. Na língua dos Césares, significa o mesmo que em português – em lugar de, que substitui a. Usa-se sempre com hífen: vice-diretor, vice-almirante, vice-campeão.
No Brasil, vice é sinônimo de nada. Ser vice-campeão constitui grande feito. Mas tem sabor de derrota. Vice-presidente não foge à regra. Fica sentadinho. À espera. Quando o presidente se ausenta, ele assume o lugar. Aí, estufa o peito. Glorioso, deixa de ser vice. Torna-se interino: O general Mourão assumirá a Presidência quando Bolsonaro viajar. Aí será presidente interino (não vice-presidente interino nem vice-presidente em exercício).

Leitor pergunta

Antes de assumir, Bolsonaro anunciou: vai liberar, por decreto, a posse de arma a cidadãos sem antecedentes criminais. Fiquei preocupado. De agora em diante, qualquer um pode circular com pistola na cintura? É alto risco.

. Bento Silveira, Boa Vista

Muitos têm o mesmo temor, Bento. Sentem arrepios só em pensar que a liberação aumente o número de mortes em brigas ou acidentes. Especialistas entraram em cena. Lembraram que posse é uma coisa. Significa ter um revólver, uma pistola, um rifle. Porte é outra. Quer dizer circular com a perigosa. Tirá-la de casa e levá-la pra lá e pra cá. Bolsonaro deu carta branca à posse. Não ao porte.


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