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Estado de Minas IMUNIZANTES

COVID-19: Conheça os 7 projetos de vacina em estudo na UFMG

Todos os estudos estão em fase pré-clínica, em que é avaliada a capacidade da substância de provocar resposta imune do organismo


03/03/2021 20:29 - atualizado 03/03/2021 21:20

Estudos estão sendo feitos no CTVacinas e no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG(foto: Divulgação/ UFMG)
Estudos estão sendo feitos no CTVacinas e no Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da UFMG (foto: Divulgação/ UFMG)
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) está trabalhando em sete projetos de vacinas nacionais. Cinco deles estão em estudo no CTVacinas – no Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BH-Tec) –, com participação do Instituto René Rachou, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Minas). Outros dois estão em andamento no Instituto de Ciências Biológicas (ICB), dentro do complexo da universidade.
 
O esforço para encontrar imunizantes contra a COVID-19 poderá resultar também na descoberta de outras vacinas, segundo Ana Paula Fernandes, professora e uma das coordenadoras do CTVacinas.

“Todo o conhecimento adquirido nos estudos para a vacina contra a COVID-19 será útil para que possamos criar vacinas contra outras doenças, visto que alguns processos se repetem em todo o percurso de desenvolvimento de um imunizante”, afirma.
 
“Além disso, desenvolver os passos de uma vacina no Brasil é fundamental para a soberania nacional, pois nos garante certa independência no combate às doenças”, ressalta Ana Paula.

Ela diz que todas as plataformas usadas nos estudos são seguras, já que são utilizadas no desenvolvimento de imunizantes contra outras doenças. 
 
Todas as sete vacinas estão em fase de estudos pré-clínicos, em que é avaliada a capacidade da substância de provocar resposta imune do organismo, por meio do desenvolvimento de anticorpos que combatem a doença. 
 
Conheça as vacinas em estudo na UFMG:
 
Vírus MVA usado como vetor
  • Doses: duas doses
  • Aplicação: via intramuscular 
  • Fase de estudo: pré-clínica
  • Funcionamento: utiliza, como plataforma, o vírus MVA, que já é empregado como vetor na vacina contra a varíola. O vírus MVA recebe genes do Sars-CoV-2 e passa a produzir as proteínas S (Spike) e N (do nucleocapsídeo viral) do coronavírus, que são utilizadas por ele para infectar as células humanas. Com a modificação, ao entrar em contato com essas células, o vírus induziria o organismo à resposta imune contra a COVID-19.  
  • Financiamento: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio de edital do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI)

Vírus Influenza usado como vetor
  • Doses: duas doses
  • Aplicação: via intranasal
  • Fase de estudo: pré-clínica
  • Funcionamento: foram feitas alterações genéticas no vírus H1N1, que causa a gripe. Depois dessas alterações, o vírus da gripe tornou-se capaz de transportar parte da proteína S do Sars-CoV-2, que possibilita que o vírus infecte as células humanas. A intenção é que, uma vez no organismo, o vírus estimule o corpo humano a produzir os anticorpos contra a COVID-19 ao mesmo tempo que protege o organismo da influenza, tornando-se assim uma vacina ambivalente. 
  • Instituições envolvidas: parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade de São Paulo (USP)
  • Financiamento: CNPq, do MCTI e da Fundação Oswaldo Cruz

Adenovírus (Ad5) usado como vetor
  • Doses: duas doses
  • Aplicação: via intramuscular
  • Fase de estudo: pré-clínica
  • Funcionamento: consiste na modificação genética do Adenovírus 5, que provoca infecções respiratórias. Os cientistas incorporam partes do genoma do Sars-CoV-2 no adenovírus, que se torna capaz de produzir as proteínas S e N do coronavírus (utilizadas pelo vírus para infectar as células humanas). Esse resultado é aplicado no organismo humano, estimulando a produção de anticorpos contra a COVID-19. Mesmo mecanismo empregado na vacina de Oxford/AstraZeneca.
  • Financiamento: CNPq, por meio de edital do MCTI.

 Proteína recombinante ("quimera") usada como plataforma
  • Doses: duas doses
  • Aplicação: via intramuscular
  • Fase de estudo: pré-clínica
  • Funcionamento: é considerada a mais fácil de ser produzida, segundo a UFMG. A pesquisa que deu origem ao desenvolvimento desse imunizante se baseou na modificação genética da bactéria E.coli, que recebeu pedaços do genoma do Sars-Cov-2 para que fosse possível produzir as duas proteínas que o coronavírus utiliza para infectar as células humanas (as proteínas S e N). O composto, chamado de "quimera", é injetado no corpo humano e induz à resposta imune. O método de produção mais simples possibilita produção na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Minas Gerais.
  • Financiamento: CNPq e pelo MCTI
 
RNA mensageiro
  • Doses: duas doses
  • Aplicação: via intramuscular
  • Fase de estudos: pré-clínica
  • Funcionamento: o mRNA (ou RNA mensageiro sintético) é encapsulado por um elemento transportador de proteínas, o lipossomo. Essa estrutura tem fácil acesso às células do corpo humano depois de inoculada, porque é reconhecida como um elemento do organismo. Já dentro da célula, o composto assume a forma da proteína S do vírus Sars-Cov-2, por meio de mimetismo, incentivando a resposta imune do organismo. Segundo a UFMG, pode ser facilmente adaptada para mutações do coronavírus.
  • Financimento: CNPq, por meio de edital do MC
 
DNA
  • Doses: não especificada
  • Aplicação: não especificada
  • Fase de estudos: pré-clínica
  • Funcionamento: é o estudo mais adiantado. Os antígenos do Sars-Cov-2 são incluídos em um plasmídeo, promovendo expressão nas células do organismo e apresentação ao sistema imune, o que induz à resposta celular de defesa. Esse imunizante é mais estável que o RNA, pois o DNA viabiliza que essa vacina seja mais facilmente trabalhada, podendo ser armazenada em freezers comuns, melhorando a logística de distribuição. Segundo a UFMG, o processo de produção se assemelha ao das vacinas de RNA, com o acréscimo de uma etapa, a de transcrição do DNA em molécula de RNA.
  • Financiamento: CNPq e pelo MCTIC.

Bacilos de Calmette-Guérin (BCG) usados como vetores
  • Doses: não especificada
  • Aplicação: via intramuscular
  • Fase de estudos: pré-clínica
  • Funcionamento: baseia-se na inserção de sequências do genoma do Sars-Cov-2 em bacilos de Calmette-Guérin (BCG), os causadores da tuberculose. A intenção é que a modificação genética induza os bacilos a produzir as proteínas S e N do Sars-Cov-2. Depois de aplicada, a vacina estimula a produção de anticorpos contra COVID-19 e tuberculose, tornando-se um imunizante ambivalente e muito seguro por fazer parte de uma vacina conhecida, a BCG. Segundo a UFMG, isso gera expectativa de mais rapidez nas fases de testes em humanos. 
  • Instituições envolvidas: parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Instituto Butantan
  • Financiamento: CNPq e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).
 
*Estagiária sob supervisão da subeditora Kelen Cristina


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