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Estado de Minas FATORES DE RISCO

Obesidade pode agravar COVID-19 por provocar inflamação

Depois da idade, obesidade é segundo maior fator de risco para pacientes com novo Coronavírus


08/10/2020 18:18 - atualizado 08/10/2020 18:25

Coordenador do pronto socorro do Hospital Santa Lúcia, Luciano Lourenço, explica que obesidade agravou casos de COVID-19 até mesmo em pacientes jovens e saudáveis(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Coordenador do pronto socorro do Hospital Santa Lúcia, Luciano Lourenço, explica que obesidade agravou casos de COVID-19 até mesmo em pacientes jovens e saudáveis (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Desde que o novo coronavírus se espalhou pelo mundo, médicos e cientistas vêm tentando identificar padrões que expõem as pessoas ao risco de desenvolver a forma mais grave da doença. E, associada à idade avançada, a obesidade é a condição que mais coloca pacientes em risco.

Isso porque as duas condições, obesidade e infecção pela COVID-19, provocam um grave processo inflamatório generalizado no corpo, como explicou em entrevista ao programa CB.Saúde — uma parceria do Correio com a TV Brasília —, o clínico geral e coordenador do pronto-socorro do Hospital Santa Lúcia, Luciano Lourenço.

"A obesidade é uma doença inflamatória que faz com que o indivíduo, de forma geral, tenha inflamações crônicas. A infecção pelo covid-19, que é um vírus, gera inflamações de uma forma muito exacerbada, inflama o organismo como um todo", explicou o médico. Esta é a segunda vez que o clínico geral participa do programa para falar sobre a COVID-19.

Em entrevista anterior, Lourenço havia explicado que a demora para buscar auxílio médico em casos simples foi um efeito colateral perigoso da pandemia. Ele também ressaltou que o desencontro de informações contribuiu para aumentar o número de mortes no país.

Problemas generalizados

Desta vez, Lourenço destacou que, apesar de o pulmão ser o órgão mais prejudicado pelo novo coronavírus, outros sistemas do corpo também são atingidos pela inflamação provocada pelo vírus e isso leva, inclusive, ao aumento do número de mortes. "A gente observa que os obesos, as pessoas que têm sobrepeso, por manterem um padrão inflamatório crônico, quando recebem essa carga inflamatória pelo coronavírus tendem a ter a versão mais grave da doença, têm internações mais prolongadas. Se a gente dá uma olhadinha nos números, não só aqui no Brasil, mas fora do Brasil também, quando a gente fala de óbitos, a associação entre obesidade e idade é, sem dúvida, o maior percentual de óbitos que tivemos no mundo", ressaltou.

O médico explica que o coração acaba sendo bastante atingido quando os dois quadros inflamatórios são combinados e, por isso, pacientes obesos podem responder de maneira mais lenta aos tratamentos.

"Do ponto de vista do padrão infeccioso e inflamatório, a covid-19 também tem uma inflamação generalizada e também tem sofrimento renal, o sofrimento hepático, o intestino sofre muito, o coração sofre demais, não só para inflamação nele, mas pela carga que ele recebe de fazer a circulação acontecer num pulmão inflamado. Então, essa relação nessa parte do coração que bombeia o sangue para o pulmão sofre muito com esses pacientes obesos que já têm um padrão inflamatório maior, uma carga corpórea maior e uma dificuldade, não só metabólica, mas também mecânica, de responder melhor às terapias”, destacou.

Impacto em pacientes jovens

Além da associação com casos graves em pessoas mais velhas, o impacto da obesidade associada à COVID-19 em pacientes jovens e sem histórico clínico de doenças precedentes também chama a atenção do médico. "A gente vê pacientes jovens, sem nenhuma comorbidade do tipo diabetes, hipertensão, asma, simplesmente com o sobrepeso, um grupo que a gente considera que não têm um risco aumentado, apresentarem as versões mais graves da doença. Então, realmente, a obesidade, o sobrepeso, o aumento de carga, gordura no nosso organismo, é um fator que predispõe a infecções mais severas com coronavírus", afirmou.

O médico exemplificou como esse quadro dificulta o tratamento de pacientes, ainda que jovens e sem doenças pré-existentes, em diversos aspectos. "No sentido mecânico, uma caixa torácica com uma massa corpórea aumentada pelo excesso de gordura é mais difícil de ser expandida. Então, na ventilação mecânica desse paciente, o ajuste, o acoplamento desse organismo, com uma carga maior na ventilação mecânica é um pouquinho mais difícil. A gente acaba tendo que usar pressões e volumes um pouco maiores para conseguir expandir essa caixa torácica”, colocou.


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