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Estado de Minas COVID-19

Coronavírus: estudo aponta tendências pós-pandemia

Pesquisa da Toluna mostra que brasileiros pretendem dar continuidade aos hábitos adquiridos durante o isolamento social


postado em 25/05/2020 14:39 / atualizado em 25/05/2020 19:10

Estudo remoto e home office são apontados, pelo estudo e por especialista, como tendência de um 'novo normal'(foto: Pixabay)
Estudo remoto e home office são apontados, pelo estudo e por especialista, como tendência de um 'novo normal' (foto: Pixabay)
 
Um estudo realizado pela Toluna, fornecedora de insights do consumidor sob demanda, identificou as principais mudanças nos hábitos e comportamentos dos brasileiros, após a chegada do novo coronavírus no país e a recomendação dos órgãos oficiais de saúde quanto as medidas de isolamento social. A pesquisa apontou, também, as tendências que, possivelmente, se tornarão o “novo normal” no cenário pós-pandemia

Para a psiquiatra Jaqueline Bifano, a necessidade de permanecer em casa por mais tempo fez com que as pessoas ressignificassem suas atitudes, passando a ter contato e adquirir somente o necessário, a analisar, em termos nutricionais e informativos, o que consomem e, também, a terem maior cuidado com a saúde física e mental

“A pandemia colocou toda a população em alerta sobre vários aspectos e hábitos do dia a dia. Sendo assim, alguns costumes, que antes não eram tidos como importantes, começaram a ser experimentados. Além disso, a necessidade de higienização de objetos, uso de máscaras e demais equipamentos de proteção impôs uma nova realidade às pessoas.” 

Neste contexto, Jaqueline comenta que, ao reinventar e criar novas habilidades e hobbies, uma nova ideia de futuro foi criada. “O mundo que existia antes do coronavírus ficou para trás. Mesmo que, de maneira hipotética, o vírus sumisse ou uma vacina e cura para a COVID-19 fosse encontrada na próxima semana, o Brasil e o mundo não seria mais o mesmo. E, as pessoas também não.” 

Por isso, a psiquiatra ressalta que um “novo normal” tende a surgir. “Todo esse cuidado com a própria saúde, física e mental, a atenção com a higiene e o consumo de forma mais ponderada e menos capitalista vão continuar presentes.” 

Jaqueline considera, ainda, essa tendência positiva. Isso porque, segundo a psiquiatra, as pessoas têm pensado e agido de forma mais humana, e percebido a fragilidade presente em cada vida, contato e relação. E, sendo assim, a percepção de falta de controle sobre a situação é constituída e toda a situação ressignificada

“O que antes não dávamos tanta importância, passa, agora, a ser essencial, como os hábitos de higiene mais minuciosos. O consumismo excessivo dá espaço para aquilo que é considerado de necessidade. As relações familiares ganham mais atenção, já que grande parte das famílias agora só conseguem se ver por vídeo ou se falarem por telefone.” 
 

"O povo brasileiro é conhecido por ser quente e gostar de abraçar e beijar, mas, infelizmente, estes terão que deixar essa normalidade para trás como parte do 'velho normal', pelo menos até que seja desenvolvido um medicamento ou vacina."

Luca Bon, diretor-geral da Toluna para a América Latina


 
Além disso, Jaquelique destaca que, ao se preparar para tempos difíceis, as pessoas tendem a se organizar e realocar as prioridades, dando, assim, maior valor a pontos que antes eram considerados supérfluos e deixados de lado. 

Para Luca Bon, diretor-geral da Toluna para a América Latina, ao analisar os resultados da pesquisa classifica essa tendência como um “acelerador do futuro”, ou seja, muitas mudanças ocorridas no modo comportamental das pessoas, em meio à pandemia, já seriam previstas, mas só seriam notadas a longo prazo. E, quanto a isso, acredita que alguns desses costumes tendem a ser benéficos

“Nós já deveríamos limpar tudo que entra em casa, deveríamos usar mais o trabalho e estudo remoto, principalmente nas grandes cidades, deveríamos já estar habituados ao ‘menos é mais’, tanto em consumo, quanto em atitudes”, ressalta. 

No entanto, Bon pontua que há ressalvas a serem feitas quanto a positividade desses novos hábitos, visto que o estudo feito aponta que mais de 50% das pessoas afirmam que não voltariam a frequentar shows, bares, shoppings, hotéis e/ou academias, sem antes tem certeza da existência de uma cura ou vacina contra a COVID-19

“Um ponto negativo é que os negócios terão de se reinventar, tanto estabelecimentos para shows, quanto eventos esportivos, para que novas formas de arrecadar dinheiro sejam aplicadas. Para a economia, os novos hábitos podem significar um problema.” 

Jaqueline destaca, também, que alguns costumes podem se tornar negativos ao serem condicionados de forma “paranoica”, a considerar que algumas pessoas já têm diagnóstico obsessivo e este pode ser um fator capaz de potencializar esse quadro.

Outro ponto ressaltado pela psiquiatra diz respeito ao exagero de proximidade, visto que o contato limitado durante a pandemia pode tornar as pessoas mais afetuosas, podendo, inclusive, invadir a privacidade e o espaço do outro quando esse contato for reestabelecido. 

“A acomodação também pode ser negativa. Atualmente, muitas pessoas estão trabalhando e realizando diversas atividades de casa. É muito importante entender que isso está acontecendo, hoje, pela necessidade, mas que, aos poucos, as atividades voltarão ao normal. Não podemos nos isolar por completo quando a pandemia acabar, seja no querer apenas o home office, seja no não querer mais frequentar academia ou mesmo no não ver os amigos.” 

Novos hábitos 


De acordo com a pesquisa realizada pela Toluna, os entrevistados apontam que alguns dos costumes adquiridos durante o isolamento social devem continuar a fazer parte de seus cotidianos. Entre eles, o hábito de higienização das mãos (59,5%), cozinhar (49,6%), fazer cursos online (43%) e ir ao mercado ou farmácia somente em casos essenciais (40,6%). 

Jaqueline acredita que a manifestação do desejo de dar continuidade a esses hábitos mostra que as pessoas são capazes de se reinventar, e que, por isso, se adaptam a situações e as transforma em pontos produtivos.

Além disso, a psiquiatra acredita que devido a maior atenção destinada aos cuidados físicos e mentais, algumas práticas destinadas a esse propósito também tendem a ganhar o título de “novo normal”

Jaqueline Bifano, psiquiatra(foto: Guilherme Breder)
Jaqueline Bifano, psiquiatra (foto: Guilherme Breder)
“A rotina de uma alimentação mais equilibrada e técnicas que promovem mais tranquilidade, serenidade e saúde mental, como a ioga e meditação também podem ser aspectos capazes de continuar a fazer parte da vida de várias pessoas.” 

Ainda, para a psiquiatra, as vendas on-line e os serviços delivery também tendem a continuar no cenário pós-pandemia

O diretor-geral da Toluna para a América Latina, Bon, destaca, também, o home office como um novo costume a ser inserido no cotidiano do trabalhador brasileiro. Isso porque a produtividade não sofreu interferências e os gastos se tornaram menores.

“Muitos empresários perceberam que, durante o isolamento social, houve uma produção igual ou melhor àquela que era obtida no escritório, e ainda existe uma grande chance de economizar em custo fixo, como luz, aluguel, vale-transporte, entre outros”, comenta. 


A pesquisa 

 

O estudo foi feito ente os dias 14 de fevereiro e 17 de abril deste ano e a princípio buscava entender o posicionamento e a relação do brasileiro com o isolamento social. No entanto, Bon conta que os dados não apresentavam mudanças e apontavam para um constante medo da população quanto ao novo coronavírus. Por isso, a pesquisa passou a ser destinada a abranger as novas tendências no cenário pós-pandemia

Os resultados apresentados pelo estudo apontam que 63,6% das pessoas acreditam que o trabalho remoto irá se manter. Além disso, os índices indicam que 58% dos entrevistados acham que a educação a distância será postergada e 57% que a busca por novos conhecimentos continuará.

Ainda, 54,3% afirmam ser perceptível que novos modelos de negócios para restaurantes surgirão e 49,6% consideram a revisão de crenças e valores uma nova atribuição após o fim da pandemia. 
 
Luca Bon, diretor-geral da Toluna para a América Latina(foto: Divulgação)
Luca Bon, diretor-geral da Toluna para a América Latina (foto: Divulgação)
Bon pontua que outro resultado interessante diz respeito a uma pergunta incluída na pesquisa sobre o que mais tem feito falta ao brasileiro. “As respostas mais citadas foram ‘abraçar as pessoas’, seguida por ‘ter a rotina de volta’ e ‘encontrar com pessoas'. O povo brasileiro é conhecido por ser quente e gostar de abraçar e beijar, mas, infelizmente, terão que deixar essa normalidade para trás como parte do ‘velho normal’, pelo menos até que seja desenvolvido um medicamento ou vacina.” 

A pesquisa apresenta confiabilidade de 95% e margem de erro em torno de 3%. E, pode ser acessada pelo site da Toluna. 

* Estagiária sob a supervisão da editora Teresa Caram 

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