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Estado de Minas REPORTAGEM DE CAPA

Comida limpa e saudável

Higiene deve ser critério de escolha na hora de comprar alimentos para consumir em casa ou de sentar-se a uma mesa de restaurante para qualquer refeição


postado em 23/02/2020 04:00 / atualizado em 23/02/2020 10:58

Touca e luvas são equipamentos de proteção usuais de Roberta Herolt no preparo de marmitas entregues em domicílios e empresas (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press )
Touca e luvas são equipamentos de proteção usuais de Roberta Herolt no preparo de marmitas entregues em domicílios e empresas (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press )


Há cerca de um mês, a empresária Roberta Herolt, formada em administração de empresas, montou um negócio de entrega de marmitas em Santa Luzia, na Grande BH. A Marmiteria atende a toda a região somente com entregas em domicílios e empresas. Roberta explica que o fornecimento de produtos seguros passa por alguns procedimentos fundamentais: “Os profissionais responsáveis pela manipulação dos alimentos, além de equipamentos de proteção usuais, utilizam toucas, luvas descartáveis e máscaras como forma de prevenção de contaminação de todos os produtos a serem utilizados. Legumes e verduras são acondicionados e imersos em água com solução para sua completa higienização. Os alimentos, após o preparo, são guardados em embalagens térmicas, descartáveis e lacrados, por se tratar de uma refeição em que o consumo é praticamente imediato. Mas caso queira efetuar a refeição em horário diverso, o seu consumo deve se dar nas próximas 24 horas, desde que seja acondicionado na embalagem e em ambiente refrigerado”, recomenda.

Cuidados como esses devem ser habituais dentro e fora de casa.  Observar as condições de limpeza do local, como na cozinha de casa ou num restaurante, ver se há vestígios de insetos e roedores. Se os manipuladores e atendentes estão com roupas limpas, cabelos protegidos, barba aparada, unhas cortadas, sem esmalte e acessórios como pulseiras, anéis e relógios são alguns aspectos a serem considerados. “É preciso conferir se o acondicionamento do produto a ser consumido, congelado, resfriado ou quente, está em temperatura compatível. Além disso, o alvará de funcionamento da Vigilância Sanitária deve estar em dia e em local visível”, diz Andrea Beloni, farmacêutica e gerente de produtos de interesse da saúde da Prefeitura de Belo Horizonte.

Contaminação cruzada 

No caso da aquisição de alimentos processados e industrializados, o consumidor deve observar prazo de validade, sua composição, identificação do fabricante, registros sanitários (em caso de produtos de origem animal), que constam da embalagem. De acordo com Andrea Beloni, ao levar alimentos para casa é importante estar atento se as latas estão em perfeitas condições, sem amassado, ferrugem ou estufadas. As embalagens não podem estar violadas e devem ser limpas com bucha, água e sabão antes de abertas, inclusive, os leites em caixa longa vida. As verduras e frutas, preferencialmente, devem ser lavadas antes de guardadas na gaveta da geladeira. “As carnes precisam ser acondicionadas em locais separados para evitar a contaminação cruzada, que é aquele caldo que pode pingar nos alimentos in natura”, recomenda Andrea.

Conhecer a composição e a origem dos produtos é também um fator importante a ser considerado. Segundo a bióloga Adriana Fonseca, os alimentos ultraprocessados são fonte de preocupação “Ao ler um rótulo de um produto que está em sua casa, você consegue identificar o que está comendo?”, questiona. Essa informação adicional, presente obrigatoriamente em todos os rótulos, “demonstra a grande distorção da composição original do alimento”, adverte.

Adriana reconhece que cada vez mais pessoas têm se preocupado em buscar alimentos saudáveis, livres de produtos químicos, e diz que a precaução é forte aliada de uma vida com saúde e de qualidade. Ela sugere a preferência por alimentos in natura, e se possíveis não embalados.
 
 
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )
(foto: Jair Amaral/EM/D.A Press )

"Ao ler um rótulo de um produto que está em sua casa, você consegue identificar o que está comendo?”

Adriana Lara Fonseca, 
bióloga especializada em controle de qualidade da área de alimentos da Seatech Segurança Alimentar, de Vespasiano, e consultora da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel)

 
 
(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press %u2013 9/10/2013)
(foto: Cristina Horta/EM/D.A Press %u2013 9/10/2013)
 
Remédio caseiro
Para a higienização de hortaliças, pode-se utilizar soluções para essa finalidade encontradas nos supermercados ou fazer a caseira. A receita é simples: uma colher de sopa de água sanitária para cada litro de água. Mergulhar os alimentos nessa mistura por 15 minutos, no mínimo, e depois lavar em água corrente.

Atenção especial aos orgânicos

Produto orgânico certificado, atestando sua origem (desde a seleção da semente e dos insumos, à manipulação e processamento) pode garantir um alimento saudável à mesa, e deve seguir regras sanitárias de boas práticas na manipulação e produção de alimentos, o que inclui uso de equipamentos de proteção individual (EPIs) como luvas, toucas e aventais, e de bancadas de inox passíveis de desinfecção.

A certificação orgânica inclui também o acompanhamento dos níveis de qualidade da água utilizada, tanto na irrigação das hortaliças quanto na manipulação e limpeza dos alimentos. Ela deve atender aos níveis estabelecidos pela legislação. “Aqui realizamos análise de nossa água a cada dois meses para acompanhamento. Mesmo o orgânico sendo isento de produtos químicos, como os agrotóxicos, são necessários os devidos cuidados sanitários para se evitar a contaminação microbiológica, pois toda a produção agrícola tem contato direto com a terra”, relata o engenheiro-agrônomo Lucas Castro Alves de Sousa, proprietário da Fazenda Vista Alegre, em Capim Branco, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que produz 40 itens, entre frutas, legumes e hortaliças, no sistema agroflorestal.

As embalagens utilizadas, quando preciso, são descartáveis ou passíveis de limpeza para reaproveitamento, como é o caso das sacolas utilizadas para o envio das cestas de hortaliças aos clientes. Esses cuidados evitam a multiplicação de micro-organismos. Toda a cadeia de produção da fazenda conta com sistema de rastreamento que começa na horta, que consiste no controle de locais de plantio, datas, produtos utilizados para controle de pragas e doenças durante o ciclo de determinada cultura e quantidade de insumos orgânicos utilizados.


Alimentação segura 

A bióloga Adriana Lara Fonseca dá dicas de cuidados em casa por classe dos alimentos. Confira:

 
Laticínios
Ler a recomendação da temperatura de armazenamento, lembrando que o prazo de validade é reduzido após aberta a embalagem. A do leite em caixinha, por exemplo, de três meses cai para quatro dias depois de violado o lacre.

Hortifrúti
Observar a origem de onde está comprando. Lavadas as folhas, secar e guardar dentro de caixa plástica com tampa. Tirar somente o que será consumido de imediato e higienizar. Não amarrar em sacos plásticos porque provocam quebra das folhas, que se deterioram rapidamente.

» Alimento refrigerado tem que ser mantido em temperatura máxima entre 5oC e 7oC e pode ser armazenado, em média, por até três dias. Para congelados, o descongelamento deve ser feito de forma lenta. Tirar do congelador, colocar na refrigeração com o cuidado para que a água do gelo não contamine outros alimentos. Pode-se também usar método rápido no micro-ondas, desde que para consumo imediato.
» Depois de cozido, o alimento não pode ficar no fogão. Se sobrar comida do almoço para ser consumida no jantar, ela deve ser resfriada e aquecida novamente na hora de ingerir. Esse procedimento deve ser feito apenas uma única vez.

» Alimentos embalados devem ser lavados com água e sabão antes de abrir, para não cair dentro do recipiente. Eles podem estar contaminados com fezes e urina de roedores.

» As plantas colhidas em jardins e hortas também precisam ser lavadas e higienizadas. É preciso estar atento aos animais domésticos, como cães e gatos, que costumam enterrar as fezes nos jardins e canteiros.

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