Publicidade

Estado de Minas

Uma questão histórica


postado em 21/07/2019 04:15






Ana Paula Antunes Martins, professora do Departamento de Gestão de Políticas Públicas da Universidade de Brasília (UnB), ressalta a importância de não perceber o masculino e o feminino como características essenciais e naturais, mas sim como uma construção social. “De certa forma, marcada por uma depreciação das características femininas e uma construção do masculino pensada como um lugar de força, de violência.”

O psicólogo Sérgio Henrique Souza Alves, professor do Centro Universitário Iesb, explica que esse conceito nocivo de masculinidade foi construído socialmente com origem que remonta à Grécia Antiga, passando pela Revolução Francesa e chegando até os dias atuais. “Toda essa história formatou a ideia de que o homem não pode chorar, que é forte, que não tem fraqueza, que não erra. Óbvio que na prática não funciona assim.”

REFLEXÃO 

É importante entender que a masculinidade em si não é o problema, mas sim a construção machista acerca dela. É possível vivenciar a masculinidade de forma saudável, a partir da desconstrução e de formas diferentes de criar meninos e meninas. “A violência contra as mulheres tem como uma das fontes essa visão tóxica da masculinidade. É algo que precisa ser discutido desde a infância para que aos meninos também seja dada a possibilidade de manifestarem emoções, o que, muitas vezes, é proibido pela sociedade”, explica Ana Paula.

Sérgio acrescenta o quanto é importante que cada homem entenda os próprios atos machistas e como isso funciona dentro dele. Depois do reconhecimento, deve vir a busca de ajuda para se modificar. “A questão cultural é uma mudança muito lenta e demorada, que precisa de ação contínua.” (AC e RN)


Como ser um homem melhor:

»  Dialogue: falar sobre os sentimentos, especialmente em momentos difíceis. Isso não fará de você uma pessoa mais fraca ou menor. 
Pelo contrário, pode ser uma chance de evitar muitos problemas.

»  Questione atitudes machistas dos amigos: você não será mais ou menos aceito se rir daquela piada machista do amigo  no bar.

»  Aprenda a ouvir (especialmente as mulheres): ler livros sobre o tema, assistir a documentários e, sobretudo, 
prestar atenção ao que as mulheres estão falando sobre o tema pode ser uma boa chance de começar a entender o problema.

»  Machismo é diferente de masculinidade: não confunda um com o outro, ser homem não tem como característica o machismo.
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade